domingo, 21 de maio de 2017

DEFORMA TRABALHISTA Os 120 ataques aos trabalhadores, um por um


MASSACRE
Estudei a Reforma Trabalhista em sua integralidade. Constatei um total de 120 ataques aos trabalhadores. Não é uma "mini-reforma" e muito menos uma "modernização" das relações do trabalho.
Trata-se de uma profunda alteração das relações sociais de produção no Brasil e um enorme retrocesso histórico.
Além disso, essa Reforma é um poderoso motor para a invalidação prática de uma gigantesca parte do Direito Trabalhista, do Direito Tributário, do Direito Empresarial, do Direito Civil e - por fim - da própria Constituição.
Não farei resumos e nem sínteses. Analisei cada ponto dessa Reforma e espero, dessa forma, ter contribuído para a luta das forças populares contra o que chamo de "imposição da Lei da Selva" nas relações de trabalho no nosso país.
Ao término desse meu estudo cheguei à mais nítida conclusão de que aqueles que defendem esse governo e as forças conservadoras da direita, não serão reconhecidos pelas gerações futuras como homens e mulheres civilizados pois apoiam - por ignorância ou livre opção - a barbárie e a selvageria para toda a sociedade brasileira.
Peço - por fim - apenas que trabalhemos juntos em divulgar esse verdadeiro massacre que as elites vão tentar perpetrar junto à classe trabalhadora nas próximas semanas.
Vejamos ponto a ponto essa Reforma:
1 - Ela estabelece a possibilidade da fraude empresarial em detrimento do trabalhador. Supomos um grande grupo societário. O mesmo poderá abrir várias empresas (no nome dos próprios sócios) e pulverizar contratos de trabalho e passivos trabalhistas nas menores empresas, mantendo a principal "blindada" dessas questões.
Quando ela resolver demitir um ou mais funcionários, poderá alegar falta de recursos financeiros para arcar com o pagamento de verbas rescisórias. Isso será possível porque as várias empresas não serão consideradas mais parte de um grupo econômico, como ocorre hoje.
2 - A reforma trabalhista permite a empresa computar como "tempo não produtivo" todo tipo de ação do trabalhador, inclusive tempo para trocar de roupa, interação social, intervalo para utilizar o banheiro, alguma alimentação fora do horário do almoço, etc.
Com isso, a empresa poderá obrigar o trabalhador a fazer hora extra sem remunerá-lo, alegando (de forma arbitrária) que trata-se de compensação de "tempo não produtivo" do funcionário.
3 - A Justiça comum poderá ser utilizada pela empresa para recorrer de uma decisão do Tribunal Trabalhista. Caso tenha êxito, o processo terá a morosidade típica dessa modalidade da Justiça que, em alguns casos demora até 20 anos para concluir um processo.
4 - Está elimina da Justiça do Trabalho a prerrogativa da Jurisprudência, o que significa que sentenças passadas sobre casos idênticos ao ocorrido em uma reclamação trabalhista, não servirão como elementos pacificadores para o processo.
Isso tornará o julgamento de instâncias superiores mais demorados e passíveis de serem reformados, dependendo do juiz.
5 - O trabalhador perde o direito de ter qualquer adiantamento financeiro em um processo trabalhista, pois deixa de ser considerado hipossuficiente perante a lei. Isso ocorrerá em qualquer caso, mesmo quando a empresa deixa de pagar os salários do trabalhador.
6 - Limita a 2 anos a responsabilidade do sócio de uma empresa em responder por questões trabalhistas. Mais uma avenida para a fraude. Supomos uma empresa que tenha grandes dívidas e irregularidades trabalhistas. Os sócios podem sair do quadro societário e colocar algum "laranja" em seu lugar.
Esse "laranja" liquida a sociedade depois de dois anos e os verdadeiros sócios não precisam responder por mais nada. E o trabalhador não poderá acioná-los em nenhuma instância judicial.
7 - O trabalhador fica proibido de reclamar na Justiça de Trabalho por perdas de direitos (mesmo que legais) caso tenha sido notificado pelo empregador sobre essas perdas. Ao assinar a notificação, se entenderá que o empregado "concordou" em abrir mão de seus direitos.
8 - Proíbe a celebração de acordos extra-judiciais entre patrão e empregado, exclusivamente pela parte do empregado. Caso o acordo extra-judicial parta do patrão, o acordo poderá ser celebrado.
9 - O processo trabalhista pode ser decretado prescrito após dois anos, mesmo se ele esteja em andamento. Esse dispositivo serve para impedir o trabalhador de solicitar, por exemplo, perícias contábeis ou perícias médicas, que em regra são demoradas.
10 - Retira do juiz trabalhista o acesso a informações patrimoniais das empresas. Assim, não existirá mais "confisco on-line" e nem mesmo decretação de penhora de bens por informações disponíveis na Receita Federal.
11 - As multas em caso de não registro de funcionários será reajustada pelo TRD, um índice depreciativo. Em breve as multas se tornarão simbólicas o que vai estimular o trabalho informal.
12 - Está eliminado qualquer remuneração pelo tempo de deslocamento do trabalhador para a empresa, mesmo que o seu posto seja de difícil acesso ou nos casos em que o trabalhador resida em outra cidade.
13 - O regime parcial de trabalho (com menos benefícios), passa de 25 horas para 36 horas semanais.
14 - Agora a empresa pode solicitar trabalho extra no regime parcial de trabalho, apenas remunerando as horas adicionais de trabalho. Trata-se de um convite à precarização das relações de trabalho...
15 - A lei estimula as empresas a adotarem o regime parcial. Na prática as empresas vão deixar de contratar funcionários no regime integral, pois não compensará economicamente fazê-lo.
16 - As horas extras feitas pelo trabalhador em uma determinada semana podem ser compensadas por dispensa de horas de trabalho ao longo do mesmo mês. Algo que antes era inconstitucional.
17 - O cumprimento de horas extras poderá ser convencionado por acordo individual e sem a necessidade de ser registrado por escrito. A justiça entenderá que se o trabalhador fez hora extra, fez porque aceitou e ponto final.
18 - A empresa pode determinar banco de horas e remunerar o trabalhador em até 6 meses. Os acordos poderão ser celebrados de forma individual, não sendo obrigatório o seu registro por escrito.
19 - Fica estabelecida a possibilidade da jornada de trabalho de 14 horas diárias (12 horas + 2 horas extras). Ainda que esteja estabelecida a obrigatoriedade de 36 horas de descanso após essa jornada, esse "direito" pode ser suprimido por acordo ou pelo próprio regime parcial de trabalho.
20 - Caso a empresa exceda seu direito de exigência de horas extras diárias ou semanais, fica proibido ao trabalhador de reclamar desse excesso em uma futura ação trabalhista.
21 - As horas extras (que são remuneradas em 50% a mais do que o valor da hora de trabalho regular) poderão se tornar - ao livre arbítrio do empregador - em banco de horas. Assim, o trabalhador fará na prática hora extra, mas poderá receber esse extra como hora normal.
22 - As jornadas de 12 horas por 36 horas poderão ser feitas também em ambientes insalubres.
23 - A empresa pode exigir do trabalhador uma jornada excepcional de trabalho em casos onde, por exemplo, a empresa alegue que supostamente necessite terminar um serviço de forma urgente e poderá pagar multa em caso de não entregá-lo. Tudo isso independente de acordo ou notificação ao Ministério do Trabalho.
24 - A empresa está desobrigada a remunerar o trabalhador por serviços feitos em sua residência, o chamado "teletrabalho", devendo o mesmo entregar relatórios, e-mails, fazer planilhas, responder mensagens, etc., como parte integrante de suas responsabilidades profissionais já estabelecidas à priori.
25 - A empresa poderá "comprar" os intervalos de descanso do trabalhador.
26 - A empresa poderá caracterizar como "teletrabalho" o trabalho feito pelo trabalhador nas dependências da própria empresa. Como o conceito de "teletrabalho" inclui serviços com computadores, o trabalhador poderá ficar preso na empresa pelo tempo que for necessário para cumprir um determinado trabalho e a empresa estará desobrigada a remunerá-lo por esse tempo extra.
27 - A empresa poderá incluir a possibilidade do "teletrabalho" no contrato inicial do trabalhador. No caso dos contratos antigos poderá inclui-lo de forma unilateral.
28 - A empresa poderá exigir que o trabalhador tenha o seu próprio equipamento de trabalho, em especial no setor tecnológico (computadores, celulares, etc).
29 - O empregador estará isento de qualquer responsabilidade de acidente de trabalho ou adoecimento do trabalhador, desde que o "oriente" de forma escrita ou oral sobre os riscos do seu trabalho.
30 - As férias poderão ser divididas em três partes. "Férias" de cinco dias corridos agora serão legais.
31 - O trabalhador está proibido de acessar qualquer instância da justiça em caso de perdas patrimoniais ou extra-patrimoniais causadas pela empresa.
32 - O patrão agora poderá processar o empregado por danos morais.
33 - O empregado poderá ser monitorado pela empresa. Opiniões políticas ou contrárias aos interesses da empresa poderá ser objeto de demissão por justa causa.
34 - A empresa poderá ter acesso à correspondência e e-mails de seus funcionários quando os mesmos estiverem nas suas dependências.
35 - O empregado poderá responder junto com a empresa por eventuais processos de danos morais movidos por um cliente contra a empresa.
36 - Cria-se um regramento limitador para o empregado entrar com ação por danos morais contra uma empresa.
37 - No caso de indenização estabelece uma tabela: dano leve (indenização de 3 salários); dano médio (5 salários); dano grave (20 salários); dano gravíssimo (50 salários). Além de inconstitucional - por considerar o trabalhador um cidadão de segunda categoria, sujeito a tabelas de indenização - estabelece um fato horrendo: custa mais barato humilhar aquele que ganha menos...
38 - A mesma tabela de indenização é aplicada para o trabalhador. Lembremos que agora o trabalhador pode ser processado pela empresa por danos morais. O que ocorrerá é um festival de judicialização do trabalho. O trabalhador entra com uma ação por falta de pagamentos de direitos, e a empresa - em retaliação - entra com outro processo por danos morais...
39 - No caso de danos morais cometidos pela empresa, a reincidência só aumentará o valor da pena se o caso ocorrer com um mesmo funcionário.
40 - Mulheres gestantes estarão mais expostas a ambientes insalubres de trabalho colocando em risco a sua saúde e a de seu bebê.
41 - Acaba os dois intervalos para a mãe amamentar seu filho até os seis meses. O que valerá é o livre acordo...
42 - A empresa pode determinar livremente quem é trabalhador da empresa e quem é autônomo. Pode inclusive alterar o status de um funcionário da maneira que bem lhe prouver.
43 - Cria a modalidade do "trabalho intermitente" e não contratual. É a institucionalização do "bico" sem qualquer direito que assista o trabalhador em caso de abuso da empresa.
44 - O trabalhador que ganha mais de 11 mil reais não terá amparo em reclamações trabalhistas básicas como excesso de jornada, hora extra, etc.
45 - No caso de venda da empresa, o novo dono responderá somente pelas reclamações trabalhistas da sua gestão. O que ocorreu antes, fica a cargo dos antigos donos. Mais uma avenida para a fraude empresarial.
46 - Estabelece do-responsabilidade em questões trabalhistas entre atuais e antigos donos da empresa apenas quando se comprova que trata-se de uma sucessão fraudulenta. Isso, na prática, coloca uma muralha ao trabalhador para reclamar por seus direitos, pois antes de qualquer julgamento trabalhista, um outro deverá ser analisado: o da suposta "fraude"... um processo que pode demorar décadas para ser julgado.
47 - O trabalho intermitente terá que ter o valor de hora piso equivalente ao valor de hora do salário mínimo. Surpresa! É o fim do salário mínimo. Pois um trabalhador intermitente pode ter uma jornada inferior a de um trabalhador que já recebe um salário mínimo... Logo, milhões receberão menos que um salário mínimo.
48 - Um mesmo trabalhador pode ter diversos contratantes, mesmo que façam parte de um mesmo grupo econômico. Isto é, pode acumular condições precarizadas.
49 - O trabalhador poderá ser convocado a fazer hora extra ou um trabalho excepcional (com 3 dias de antecedência). Caso não execute ou falte à convocação terá que pagar multa para a empresa no valor de 50% da sua hora de trabalho requisitada.
50 - Elimina o prazo de prestação de um serviço para o trabalho intermitente. Com isso, esse trabalhador poderá, na prátic,a nunca gozar de férias ou outros benefícios.
51 - A empresa pode emitir recibo de pagamento para o trabalhador intermitente de tal forma que a mesma omita o real valor do seu trabalho, considerando esse valor apenas em sua futura recisão.
52 - Caberá ao trabalhador fiscalizar o recolhimento de seu INSS e FGTS por parte da empresa. O poder público se retira dessa função. Com isso abre-se o processo de falência da seguridade social e da privatização da Previdência.
53 - As férias do trabalhador podem ser suprimidas pelo grupo empresarial, mesmo depois de 12 meses de trabalho continuado.
54 - A empresa pode obrigar o empregado a usar vestimenta com logomarcas de uma outra empresa. Com isso essa empresa estará livre para negociar valores publicitários usando os seus trabalhadores como veículos desse negócio. Obviamente que os trabalhadores nada ganham por serem obrigados a venderem seu corpo para fins publicitários.
55 - O uniforme tem que ser lavado, bem cuidado e estar sempre em bom estado de uso. E a responsabilidade por isso é exclusivamente do trabalhador.
56 - Para além do salário fixo, outras remunerações e bonificações não serão tributadas. Aqui está a grande prova de que o governo quer quebrar de vez com a Previdência e a seguridade social.
57 - A empresa está livre de qualquer obrigação social, cultural, médica ou assistencial para com os seus trabalhadores, independente do tipo de trabalho realizado.
58 - O princípio da igualdade salarial pelo mesmo trabalho realizado só será válida em uma determinada unidade da empresa. Uma empresa com mais de uma unidade pode praticar salários diferentes pelo mesmo trabalho realizado. É o fim da isonomia salarial.
59 - Mesmo em uma mesma unidade da empresa, o salário por um mesmo trabalho realizado poderá ser diferente. Os salários serão apenas equiparados depois que o funcionário estiver nessa unidade por mais de 4 anos.
60 - Fica livre à empresa estabelecer planos de carreiras com as mais distintas diferenças salariais, sem a necessidade de homologação ou aviso às autoridades competentes.
61 - A empresa pode promover um funcionário única-exclusivamente pelo critério do bom desempenho, eliminando-se a obrigatoriedade da promoção por tempo de serviço. Além de aumentar a submissão do trabalhador, a empresa pode julgar que, simplesmente ninguém foi merecedor de promoção pois ninguém obteve um "bom desempenho".
62 - As regras para promoção podem ser alteradas a qualquer tempo. Com isso, um trabalhador que atinge um determinado nível de promoção e fica muito caro para a empresa, pode ser dispensado e outro pode ser promovido na mesma função com salário inferior e dentro de um "novo sistema de promoção".
63 - Caso se julgue que houve discriminação na promoção de um funcionário, estabelece-se multa irrisória (50% dos benefícios não concedidos) mas a Reforma impede o juiz de atuar de forma corretiva junto à empresa, como denunciando o caso ao Ministério do Trabalho ou aplicando um TAC (Termo de Ajuste de Conduta).
64 - O trabalhador perde a seguridade de benefícios e gratificações que ficam de acordo com as condições econômicas da empresa.
65 - A rescisão do trabalho não precisa mais ser feita no sindicato.
66 - Revoga-se qualquer multa ou punição no caso de não pagamento de verbas rescisórias pela empresa ao trabalhador.
67 - As empresas podem realizar demissões em massa sem a necessidade de dialogar com o sindicato da categoria.
68 - Extingue-se todas as garantias anteriores estabelecidas em convenções que podem ser substituídas por novas regras ditadas pela empresa no caso de demissões em massa.
69 - Torna-se mais ampla as possibilidades de demissão por justa causa. Além disso, a empresa agora terá poderes de cassar a habilitação de um profissional que atuou (no seu critério) de forma não profissional.
70 - Cria-se uma nova modalidade de demissão: a "demissão por acordo", na qual o trabalhador ganha apenas metade de seus direitos e não pode sacar seu FGTS e não terá direito de seguro desemprego.
71 - Para quem ganha mais de 11 mil reais de salário, o contrato pode estabelecer uma "câmara de arbitragem" para debater sua rescisão. Nesse caso as despesas são divididas.
72 - O empregado deverá assinar uma "carta anual de cumprimento de obrigações trabalhistas" para a empresa. Dessa forma, não poderá reclamar de nenhuma irregularidade futura.
73 - Em empresas com mais de 200 funcionários, poderão se formar comissões de trabalhadores para debater as propostas da empresa, sem a presença do sindicato.
74 - Essas comissões de trabalhadores (de 3 a 10 funcionários) não precisam debater as propostas da empresa em assembleia com os demais funcionários e nem submetê-las a votação. Possuem o poder de assinarem qualquer tipo de acordo coletivo.
75 - As comissões de trabalhadores podem exercer todas as funções do sindicato, desde que a empresa aceite isso.
76 - As comissões de trabalhadores só possuem assegurado o poder de debater questões sobre demissões arbitrárias. Greves, aumento salarial, etc, só se a empresa deixar...
77 - Fica estabelecido o fim do imposto sindical.
78 - Cria-se mecanismos burocráticos para os trabalhadores que quiserem contribuir voluntariamente com o sindicato.
79 - Não estabelece controle sobre o repasse das contribuições sindicais. Isso significa que não há punição no caso de uma empresa atrasar esse repasse ao sindicato ou simplesmente não repassa-lo.
80 - Estabelece prazo limitado para o trabalhador optar pelo pagamento da contribuição sindical.
81 - Estabelece calendários distintos para o pagamento da contribuição sindical para diferentes categorias, aumentando a possibilidade da não realização do pagamento da contribuição mesmo para aqueles trabalhadores que querem apoiar seu sindicato.
82 - Retira a possibilidade de pagamento automático da contribuição voluntária. O empregado todo ano deverá optar por escrito que deseja contribuir.
83 - Estabelece o mês de janeiro como o mês da contribuição para a maioria dos trabalhadores, retirando-lhes o direito de optar pelo mês da contribuição voluntária (com certeza a adesão poderia ser muito maior se fosse possível optar por realizá-la no mês do recebimento do 13º salário, por exemplo...)
84 - O acordo entre trabalhadores e a empresa tem maior valor do que a lei.
85 - Coloca o banco de horas como procedimento anual a ser validado pelo acordo entre trabalhadores e empresa. Com isso o limite constitucional de 44 horas fica suprimido. No fim, o acordado não respeita nem mesmo os direitos constitucionais.
86 - A empresa poderá reduzir para 30 minutos o horário para almoço.
87 - O trabalhador poderá abrir mão do "Programa de Seguro-Emprego", aumentando a sua insegurança trabalhista.
88 - Estabelece a possibilidade da empresa criar cargos de "confiança" sem qualquer critério, aumentando problemas de disparidades salariais para trabalhos idênticos.
89 - Dá liberdade para a empresa se organizar da forma que bem entender sem comunicar aos órgãos fiscais competentes.
90 - A empresa pode delimitar e alterar quando quiser as funções dos representantes dos trabalhadores na empresa.
91 - A empresa é que definirá as regras de todos os sobre-trabalhos feitos fora da empresa, desde que acordado com os representantes dos trabalhadores.
92 - A empresa determinará regras de gorjetas, prêmios e bonificações em acordos. As leis que antes regravam esses temas deixam de existir.
93 - A empresa pode alterar quando bem quiser e sem aviso prévio a jornada de trabalho do trabalhador e o seu regime de trabalho.
94 - A empresa pode trocar os feriados, independente da vontade de uma parte dos trabalhadores.
95 - A empresa é quem determinará o grau de insalubridade de um determinado ambiente de trabalho.
96 - A empresa é quem determinará a tamanho da jornada no ambiente insalubre.
97 - A empresa poderá estabelecer prêmios e bonificações de forma contínua. Na prática ela vai substituir o grosso do salário dos trabalhadores por essas formas "alternativas" de remuneração. Mais um ataque à Previdência e à seguridade social.
98 - A empresa poderá incorporar no salário a "participação de lucros", o que hoje é uma bonificação.
99 - Nos acordos entre empresa e trabalhadores a Justiça do Trabalho só poderá ser acionada para debater questões do Direito Civil.
100 - A Reforma estabelece que poderá haver perdas de direitos sem qualquer contrapartida equivalente.
101 - Fica estabelecida a legalização da redução salarial e ainda fica determinado os direitos trabalhistas só serão assegurados para aqueles que aceitarem os termos dessa redução.
102 - Elimina-se todas as cláusulas compensatórias que existiam antes dessa lei, em especial aquelas que estavam estabelecidas em convenções sindicais.
103 - Os sindicatos estão obrigados a se envolverem em cada queixa trabalhista individual, quando os acordos forem firmados entre empresa e sindicato. Trata-se de uma flagrante forma de desmoralizar os sindicatos. Pois, em nenhum lugar do mundo um sindicato possui condições para isso.
104 - A jornada de trabalho excessiva deixa de ser matéria de discussão do campo da saúde e do bem-estar físico e psicológico do trabalhador.
105 - Fica vedada a ultratividade, isto é, o aumento de direitos dos trabalhadores em convenções com as empresas. O Estado não interfere nas perdas dos trabalhadores, mas nos ganhos... não só interfere como proíbe.
106 - As multas sobre atrasos de obrigações passarão agora pelo índice da TR e não mais do IPCA. O TR é um índice sempre inferior ao da inflação...
107 - A Justiça do Trabalho será obrigada a homologar qualquer acordo extra-judicial, desde que parta do patrão,e não importando seus termos e seu conteúdo.
108 - A Justiça do Trabalho poderá alongar os prazos para o julgamento das causas pelo tempo que for necessário, acabando por vez com a celeridade dos processos trabalhistas.
109 - A gratuidade da Justiça do Trabalho só existirá para aqueles que ganham até R$1659,39. O trabalhador que receber mais do que isso terá que pagar pelas custas do processo. Caso não tenha recursos para isso, terá que provar que não pode pagar.
110 - O trabalhador é quem terá que pagar as custas de qualquer tipo de perícia, mesmo que estiver sob o regime de gratuidade da justiça.
111 - Quando a perícia for solicitada pela empresa, a Justiça poderá parcelar o pagamento.
112 - Caso o trabalhador perca a causa, deverá arcar com as despesas do processo e pagar os honorários advocatícios para a empresa.
113 - O trabalhador poderá além de responder pelo crime de litigância de má-fé, arcar com indenização a título de perdas e danos, para a empresa.
114 - A Reforma estabelece multa para o suposto falso testemunho de uma testemunha arrolada pelo trabalhador no valor de 10% da causa. Agora, com esse risco, quem se arriscará a depôr?
115 - A empresa pode solicitar ampliação de prazos e até mesmo mudança de fórum para julgar uma causa. Com isso o processo torna-se ainda mais moroso.
116 - O ônus da prova se torna obrigatório para o trabalhador. Antes ele era isento. No caso de uma acusação, deverá reunir provas e a empresa pode se valer da presunção da inocência.
117 - O trabalhador obrigatoriamente terá que determinar o valor pleiteado na ação inicial para que a mesma tenha validade. Isso restringe o direito pericial e a análise do tribunal de questões que não são contábeis (como danos morais, por exemplo).
118 - Elimina-se a obrigatoriedade do Preposto ser um funcionário ou sócio da empresa reclamada no momento do julgamento. Agora a empresa poderá contratar um "Preposto profissional" que, por ser um expert, terá enorme vantagem argumentativa frente ao trabalhador.
119 - Após uma eventual condenação a empresa ainda terá uma enormidade de prazos para recorrer sem ter que fazer qualquer "adiantamento de tutela". A liquidação da dívida ainda concede mais prazos e estabelece as formas mais arcaicas e morosas para que o trabalhador enfim receba seus direitos.
120 - Em caso de penhora, a empresa pode indicar os bens a serem penhorados... Uma boa forma de se desfazer de patrimônio em desuso (móveis, cadeiras, luminárias velhas, máquinas usadas, etc.)


CARLOS D'INCAO, no Facebook

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A amante de Roberto Campos e a Odebrecht. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Elio Gaspari é autor de cinco livros fundamentais para quem deseja conhecer o que foi o Golpe de 64: A Ditadura Envergonhada; A Ditadura Escancarada; A Ditadura Derrotada; A Ditadura Encurralada e A Ditadura Acabada. Agora, na Folha (19/4/2017), o historiador revela um fato histórico para mim desconhecido e com um final surpreendente, relacionado com a amante de Roberto Campos. É o que vamos ver a seguir.

No texto, sob o título “Os dois aniversários de Roberto Campos”, Elio Gaspari faz essa revelação: “Na segunda-feira, dia 17/4, completam-se cem anos do nascimento de Roberto Campos, o corifeu do liberalismo econômico brasileiro. Na sexta, dia 28/4, completam-se 36 anos da noite em que ele foi esfaqueado (sic) em São Paulo, num episódio que expõe as artes, conexões e malandragens (sic) do andar de cima. (…) As celebrações do centenário tratam do intelectual que ajudou a reformar a economia do país enquanto foi ministro do Planejamento, de 1964 a 1967, e iluminou-a com sua verve inigualável até 2001, quando morreu [Aos 84 anos]. A história das facadas é outra. (…) Na noite de 28 de abril de 1981, Roberto Campos encontrou-se num apart-hotel, na Vila Nova Conceição, em São Paulo, com sua namorada, Marisa Tupinambá.

Conheciam-se desde 1969, quando ele tinha 52 anos e ela, 23. À época Campos vivia sua única – e desastrosa – experiência de empresário privado como banqueiro [ Era dono do Banco Comercial, que faliu, observação minha.] Em 1975, ele foi nomeado embaixador em Londres e pendurou Marisa na folha da embaixada em Paris (sic). Ela xeretou o que não devia [o que será que ela xeretou? Gaspari não revelou!], foi demitida e desceu em Londres. Lá Roberto Campos conseguiu-lhe um apartamento, que usava também para suas festinhas (sic). Depois de muitas idas e vindas, a relação azedou e em 1981 ela foi ao apart-hotel para negociar o fim do caso. (…) Desentenderam-se, apareceu uma faca, e o embaixador teve abdômen e o tórax perfurados. (…) Amigos, parentes e protetores de Campos informaram que ele fora esfaqueado durante uma tentativa de assalto ao sair do edifício onde vivia, na avenida São Luís (a quilômetros de distância do apart-hotel da Vila Nova Conceição).

O presidente da República, general João Figueiredo, telegrafou ao embaixador, e o governador de São Paulo, Paulo Maluf, exigiu que a polícia prendesse os assaltantes em 48 horas e dezenas de pedestres foram detidos [ Era assim que se procedia na Ditadura Militar: inocentes presos! ]. O matutino carioca “O Dia” salvou a pátria e desmontou a operação abafa (sic) narrando, com exageros, a cena das facadas e identificando Marisa Tupinambá. A esta altura ela estava escondida e calada, sob orientação de um mandarim da indústria petroquímica”. 

Adiante Gaspari fez, então, a surpreendente revelação, muito atual: “Falando à Lava Jato, Emílio Odebrecht mostrou que tem razão e boa memória quando diz que “o que nós temos no Brasil não é um negócio de cinco ou dez anos. Estamos falando de 30 anos” Mais que isso. Quando Marisa Tupinambá estava em Londres, era a Odebrecht Overseas que lhe pagava (sic) uma mesada de 700 libras. (…) Os 36 anos das facadas de Marisa Tupinambá são uma oportunidade para se pensar como o Brasil melhorou. Se um juiz de primeira instância pudesse ter corrido atrás da história da senhora, a Lava Jato teria chegado muito antes, ao tempo em que o país era governado por generais.” 

Já escrevi um artigo afirmando que a Odebrecht se enriqueceu no tempo da Ditadura Militar. E tinha poder naquela época. Se alguém tivesse dúvida, aí está a prova: A Odebrecht pagava até a amante de um embaixador do regime militar, Roberto Campos! Até isto… E ainda tem gente (extrema direita) que não acredita que havia corrupção na Ditadura!


Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

( Publicado na Gazeta Guaçuana )

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GOLPISTAS NA LAMA Que moral têm os tucanos para se dissociar de Temer?



Política miúda

1. Petistas, lulistas e assemelhados já tinham assimilado tão completamente o sentimento de que a Rede Globo é o seu grande inimigo que está em crise de identidade desde quinta-feira, quando descobriu que, no caso Temer, têm a mesma agenda e o mesmo interesse que a rede cujo nome não pode ser pronunciado. Ainda bem que temos umas teorias da conspiração bem legais para ajudar a aliviar a angústia: "a Globo quer que Temer saia, como nós, mas a Globo só faz isso por interesse, enquanto nós o fazemos por amor sincero".

2. Há apenas dois grupos com convicção absoluta de que Lula ganhará a próxima eleição: os petistas e os antipetistas. E é esta a principal razão por que os segundos não podem nem ouvir a ideia de "eleições diretas" no cenário pós-Temer. Aceitam eleição direta por um Congresso que desprezam, aceitariam até sorteio ou a leitura do Oráculo de Apolo, aceitam qualquer coisa desde que não exista a possibilidade de Lula estar na cédula eleitoral.

3. Politicamente, a saída do PSDB, se acontecer, determinará o fim do governo Temer. Moralmente, a saída do PSDB do governo não faz o menor sentido: a) os tucanos são sócios deste governo desde que renunciou à sua revindicação de cassação da chapa para aderir à conspiração contra Dilma; b) no mesmo puteiro em que flagraram Temer, também encontraram Aécio, o presidente do partido e o deflagrador de toda essa esculhambação política onde estamos atolados - que moral têm os tucanos para se dissociar de Temer? Ficar no barco do "seu governo" até o final seria o último fiapo de honradez dos tucanos. O PSDB bem mereceria ouvir a bronca, que aquele comandante italiano que pulou fora do navio na hora do naufrágio antes de todo mundo, ouviu pelo rádio da Capitania dos Portos. "Vada a bordo, cazzo!". Seja homem, poha!


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sexta-feira, 19 de maio de 2017

A política indígena do Governo. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A demissão do pastor Toninho Costa da presidência da FUNAI causou mais um problema para o governo Temer e demonstra que a política indígena é falha. É o que vamos ver.


O Estadão (6/5), sob o título “Presidente da Funai é demitido e ataca governo”, noticiou: “Antonio Fernandes Toninha Costa foi demitido ontem [5/5] do cargo de presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Ao saber da medida pelo Diário Oficial da União, embora sua saída já fosse dada como certa, Toninho Costa tratou de convocar a imprensa para justificar a demissão. (...) Durante 12 minutos, o pastor Toninho Costa criticou duramente o governo e atribuiu sua demissão após três meses de trabalho a “ingerências políticas” que sofreu no período pela bancada ruralista liderada pelo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, além da “incompetência do governo , que abandonou (sic) a Funai e as causas indígenas”. (...) Toninho Costa afirmou que as interferências políticas partiram inicialmente do líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSC-SE) que, segundo ele, queria nomear pessoas sem nenhuma ligação com temas indígenas para ocupar cargos na instituição. “Eu não atendi e jamais atenderia, porque o meu compromisso é com as políticas indígenas e com o servidor”. André Moura informou que não comentaria o assunto. (...) O ex-presidente da Funai disse que espera retaliações por causa de seu posicionamento. “Hoje o próprio governo afirmou que estou saindo por incompetência. Incompetência é desse governo, que quebrou o Páis”, afirmou”.

A demissão e as declarações do pastor causaram enorme repercussão. A FOLHA, em Editorial, sob o título “Cerco à Funai”, comentou o assunto: “A rumorosa demissão de Antonio Fernandes Costa do comando da Fundação Nacional do Índio (Funai), na sexta-feira (5/5), escancarou o conflito que se desenrola no órgão encarregado de zelar pela minoria mais vulnerável do país. (...) Indicado pelo minúsculo PSC e subordinado ao ministro da Justiça – o deputado Osmar Serraglio (PMDB) --, Costa afirmou que, além da falta de verbas orçamentárias, ingerências políticas vinham cercando sua gestão. (...) Mais diretamente, acusou Serraglio de ser “ministro de uma causa”, a do agronegócio. (...) O arroubo retórico não deixa de ter fundamento (sic). Se é verdade que o governo Michel Temer (PMDB) promove uma revisão ideológica das políticas públicas, esse movimento mostra-se particularmente intenso – chegando às raias do excessivo (sic) – quando se trata de interesses do setor agrícola. (...) Fora seu viés pró-mercado, a administração ancora-se nas relações com o Congresso, onde a bancada ruralista talvez seja a força mais organizada (sic). Sob Temer, recrudesceram as pressões contra a demarcação de terras indígenas, enquanto a escassez geral de recursos não poupou, obviamente, a Funai. (...) Nesse contexto, episódios como o covarde ataques a índios gamelas no Maranhão serão debitados na conta do governo (sic). Este deve pacificar a Funai não apenas por questões de imagem, mas para ter condições de arbitrar o choque inevitável de interesses conflitantes”.

O jornalista Bernardo Mello Franco, no artigo “O trator avança”, constatou: “O agronegócio é vital para a economia brasileira e pode ajudar o país a sair da crise. Para isso, não precisa tratorar índios, devastar florestas ou ser representado por gente que defende ideias retrógradas, derrotadas pelo movimento abolicionista”.

O governo Temer deve se voltar para o futuro e não para o passado. Vamos ver se com o novo presidente da Funai agora o governo vai se preocupar com os índios e não apenas com o líder ruralista Osmar Serraglio, que teve uma atuação duvidosa no escândalo da carne. Pensou-se mesmo, na época, que ele seria demitido. No entanto foi prestigiado, como ocorre também com Padilha e o Moreira Franco, o Gato Angorá, ambos enredados na Lava Jato...

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo, quando estourou uma bomba política, assim noticiada pelo Estadão de 18/5: “O presidente Michel Temer foi GRAVADO (destaque meu) por um dos donos da JBS, Joesley Batista, dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”. O jornal ainda noticiou: “Tem que manter isso, viu?” Michel Temer, Presidente da República ao empresário Joesley Batista, sobre mesada (sic) em troca do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. Essa história gravíssima, GRAVADA, cujo desfecho é imprevisível, fica para outro artigo.

( Publicado no TRIBUNA DO GUAÇU, 20 de Maio de 2017 )

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 15 de maio de 2017

CADA HORA VOCÊ INVENTAVA UMA RAZÃO Você passou sua vida inteira odiando o Lula. Você é doente.



Em 1978 e 1980 você odiava Lula porque ele era baderneiro, grevista e provocador da Ordem Constituída.

Em 1989 você odiava Lula porque era um sapo barbudo, comunista e vagabundo.

Em 1994 você odiava Lula porque era um torneiro mecânico achando que merecia ser presidente mais do que o professor da Sorbonne que com ele concorria.

Em 1998 você odiava Lula porque era um urubu agourento contra o Plano Real e o Brasil que dá certo.

Em 2002 você tinha medo de Lula porque ele "tinha mudado muito" e porque, com ele, a inflação iria voltar.

Em 2006 você odiava Lula porque era um analfabeto, apedeuta e cachaceiro que recebia um monte de títulos de doutorado honoris causae de Universidades cujo nome você nem sequer conseguia pronunciar.

Em 2010 você odiava Lula porque ele havia hipnotizado multidões de desdentados, nordestinos e habitantes de grotões (desculpe a redundância) ao ponto de conseguir eleger um poste para o seu lugar.

Em 2014 você odiava Lula porque ele era uma enganação, uma farsa, ainda aclamado e respeitado no Brasil e no mundo, enquanto você tinha certeza de que ele não valia nada.

Em 2017 você odeia o Lula porque ele é corrupto, chefe de quadrilha, além de baderneiro, comunista, analfabeto, enganador e falso.

Meu amigo, há mais 40 anos o ódio que você professa a Lula se mantém idêntico. A única coisa que mudou, nesses anos todos, foram os argumentos que se usou para a autorização social do ódio. Bem sei que alguém poderá alegar que é mais jovem, que começou a odiar Lula mesmo apenas em 1998 ou em 2010, que um dia chegou até a gostar dele. Mas, meu amigo, se você entrou no vagão na 1ª estação ou na 8ª não faz a menor diferença em se tratando do mesmo trem. Você pode ser ser novo, mas este ódio que você professa é muito velho, vem de longe e vem dos mesmos.

O desprezo a Lula é uma velha e consolidada tradição de certos grupos brasileiros e, se você tiver o cuidado de examinar que gente é esta que cultiva com esmero ódio tão arraigado, talvez você não vá se sentir muito comportável com a companhia que lhe cerca. Não, não creio nem digo que Lula é um coitadinho perseguido, inocente, pela elite. O que dito é que o rancor contra Lula, nunca, nunquinha mesmo, precisou realmente de razão ou motivo: um bom pretexto sempre lhe foi o bastante. Meu amigo, eu acompanho há muito este ódio arcaico e sei bem qual é a fonte sombria de onde ele brota.


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COMPETIÇÃO E SELVAGERIA "Meritocracia" é uma merda

Outro dia vi um vídeo interessante - mas não salvei e não consigo lembrar onde ele está. Assisti sem som, então nem sei em que língua era falado; tinha legendas em português.
Era um grupo de crianças jogando "Banco Imobiliário" (acho que agora está sendo chamado de "Monopoly" por aqui também). Só que o jogo tinha adaptações para torná-lo mais realista. Um jogador já começava com um grande patrimônio; os outros não tinham nada. As meninas sofriam um desconto de 30% nos seus ganhos. Alguns poucos tinham uma imunidade que os impedia de ir para a cadeia.
O recado é claro: a sociedade é injusta, os pontos de partida são desiguais, as atribuições de vantagens são desequilibradas; logo, o resultado do jogo é enviesado. Mas eu fiquei pensando sobre essa crítica, que é a mais fácil de ser feita. Ela corre o risco de aceitar os valores dominantes e denunciar a sociedade atual apenas por não realizá-los adequadamente.
Mas a sociedade que nós queremos é simplesmente uma sociedade em que a competição seja justa? Em que os pontos de partida sejam iguais e, daí para a frente, cada um anda por si, de acordo com a sorte ou o talento?
Ou, de maneira mais radical: o único problema da "meritocracia" é que ela não funciona? Se ela funcionasse, estaria tudo bem?
Penso, ao contrário, que é preciso questionar tanto a ideia de competição quanto a ideia de mérito. A melhor sociedade certamente não se limita a dar a cada um o que lhe é devido, mas fomenta a solidariedade entre seus integrantes. A melhor sociedade não estimula que seus membros se vejam como competidores.
E o mérito, que aparece em muitos discursos como sendo um dom quase intangível, é ele também uma construção social e um fruto da sorte. Muitos talentos "inatos" não dão a seus possuidores a vantagem do mérito porque a sociedade não os valoriza enquanto tal. E o "inato", aliás, nunca é o talento, no máximo o seu potencial, uma vez que é preciso um estímulo social para que se manifeste.
Quanto mais inato pode ser considerado, por outro lado, mais é dependente de um acaso inicial. Eu poderia treinar à vontade e nunca teria corrido tão rápido quanto Usain Bolt ou alcançado a amplitude vocal de Kiri Te Kanawa; minha carência de "mérito" está entranhada em minha genética. Sou eu o responsável por ela?
Se o mérito depende da loteria genética, não há mérito em ter mérito. E se depende do ambiente social... também.
Levado ao extremo, o discurso do mérito conduz a uma sociedade aristocrática e ao desprezo pelos mais vulneráveis. Rousseau já observava isso; o Rawls do princípio da diferença, também. Nossa sociedade é hipócrita por se justificar como meritocrática sem sê-lo, mas nossas críticas a ela devem ir bem além disso.


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Temer quer aprovar reformas com votos corrompidos





Descobri que Temer e Moro têm uma coisa em comum.
Enquanto os jornais ocupam suas páginas com relatos bombásticos de malfeitos atribuídos por terceiros, em delações premiadas, a Lula e a Dilma, que não estão no poder, a corrupção premiada continua rolando solta no Palácio do Planalto.
E os jornais não se importam.
A corrupção no governo federal nunca foi tão escancarada.
E nem é preciso investigar muito nem receber informações em off de “gargantas profundas”.
Os atos de corrupção consistem na compra de parlamentares para votarem a favor das reformas trabalhista e da Previdência.
É compra mesmo, não é força de expressão. Cada voto tem contrapartida: um ou mais cargos públicos.
Isso é feito à luz do dia, como se fosse ético e moral.
Em nenhum momento recente da História do Brasil a presidência da República afrontou de tal modo o conceito constitucional da independência entre os Poderes, princípio básico do regime democrático.
É grave, muito grave.
O Executivo não só não respeita a independência do Legislativo como o pressiona 24 horas por dia: premia quem vota com ele e castiga os rebeldes.
Mais ou menos o seguinte:
“Se votar comigo, vai ganhar mais cargos; se votar contra mim vai perder os cargos que ganhou”.
Não há empenho em convencer, é jogo rápido: “eu te corrompo para você mudar de opinião”.
Eu compro a tua opinião.
São votos corrompidos!
É desse modo que Temer está tentando aprovar as duas reformas que vão empobrecer ainda mais os que já são pobres, da classe média para baixo.
Voto comprado vale para aprovar reformas que mudam a constituição?
Moro usa e abusa da delação premiada; Temer, da corrupção premiada.


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domingo, 14 de maio de 2017

Lula não se valeu da morte de Marisa para lhe fazer imputações

Jornal GGN - Em sua coluna de hoje (14) na Folha de S. Paulo, o jornalista Janio de Freitas refuta a tese, defendida pela imprensa, de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se valeu da morte de Marisa para lhe fazer imputações.

Janio conta um caso de sua experiência pessoal sobre a personalidade de Marisa, que seriam coerentes com a iniciativa de negociações por um apartamento, bem como a insistência contra a recusa de Lula pelo imóvel. 

“Com Marisa ainda saudável, os mesmos que apontam a exploração de sua morte publicaram, como vazamentos e entrevistas, esta informação agora relegada: a compra e pagamento por Marisa, em uma cooperativa de bancários, de cotas de um futuro imóvel”, ressalta Janio.

Leia a coluna abaixo: 

Da Folha


Janio de Freitas

Os procuradores que acusam Lula na Lava Jato não ficaram satisfeitos com o resultado do interrogatório feito pelo juiz Sergio Moro. E o que vem agora não lhes promete melhor apoio à acusação: a defesa pede uma perícia financeira para constatar a que patrimônios o apartamento de Guarujá já pertenceu e pertence.

A frustração dos procuradores sobressai da nota que emitiram sobre o interrogatório. As "diversas contradições" de Lula encontradas pela acusação têm três referências. Uma é a "imputação de atos à sua falecida esposa"; outra é "sua relação com pessoas condenadas pela corrupção na Petrobras"; por fim, é "a ausência de explicação [por Lula] sobre documentos encontrados em sua residência".

Nenhuma das três alegações expõe contradição. Além disso, e a começar da última, documentos apócrifos não servem nem para comprovar que estavam onde a acusação diz tê-los encontrado. A segunda alegação precisou ser ainda mais vaga: "relação com pessoas condenadas".

Que relação? Muita gente tem "relação" com corruptos da Petrobras, sem que isso as implique em ilegalidades. Os autores da nota não se sentiram com elementos para indicar o tipo de relação, o que mais expõe fragilidade do que segurança.

Por uma experiência pessoal, vou na contramão da ideia, difundida pela imprensa/TV e adotada como "contradição" na Lava Jato, de que Lula necessariamente valeu-se da morte de Marisa Letícia para lhe fazer imputações.

Pouco depois da disputa eleitoral de Lula e Collor, André Singer me convidou para escrever a apresentação do seu livro-álbum "Sem Medo de Ser Feliz - Cenas de Campanha". Dei ao pequeno texto o título "A estrela de Lurian", filha da primeira companheira de Lula e atingida pelas acusações pagas de sua mãe a seu pai. Levado à casa de Lula um dos primeiros exemplares, Marisa quis vê-lo. A menção a Lurian enfureceu Marisa, que ali mesmo proibiu a distribuição do livro. Não precisei estar lá para saber que Lula, diante da nova cena, manteve absoluta passividade.

Voluntariosa, autoritária, a partir dali Marisa me fez atentar para muitas confirmações da sua tendência, necessidade talvez, de afirmação. Seriam bem coerentes com esse temperamento tanto a iniciativa de negociações por um apartamento, como a posterior insistência contra a recusa de Lula. Nenhum dos ingredientes domésticos desse enredo nos é alheio, por vê-los ou vivê-los.

A perícia pedida pela defesa de Lula já existe. Feita, no essencial, pela Lava Jato. A Polícia Federal não foi mandada à casa e ao instituto de Lula senão para buscar documentos não encontrados na papelada da OAS, para confirmar o presente de um apartamento em retribuição a contratos na Petrobras.

Com Marisa ainda saudável, os mesmos que apontam a exploração de sua morte publicaram, como vazamentos e entrevistas, esta informação agora relegada: a compra e pagamento por Marisa, em uma cooperativa de bancários, de cotas de um futuro imóvel. Negócio não concluído, pretendendo Marisa a devolução dos dois mil e tal que pagou.

Se a Lava Jato silencia sobre suas verificações, é porque não a favorecem. O que torna provável a recusa, por Sergio Moro, da perícia pedida. Nela está, no entanto, a possibilidade de esclarecer, em definitivo, se houve, compra, presente ou nada disso.

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Senador diz que Moro devia investigar PSDB


REQUIÃO: MORO DEVERIA ARQUIVAR TRIPLEX E INVESTIGAR PSDB

Senador Roberto Requião (PMDB-PR) destaca que a "fragilidade material das acusações do triplex são absolutas" e que o juiz Sergio Moro "deveria ter recusado" a acusação "e se dedicado a coisas sérias da Lava Jato", como as acusações ao PSDB

Paraná 247 - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) destacou em seu Twitter que a "fragilidade material das acusações do triplex são absolutas" e que o juiz Sergio Moro "deveria ter recusado" a acusação contra o ex-presidente Lula.

"Fragilidade material das acusações do triplex são absolutas. Moro devia ter recusado e se dedicado a coisas sérias da lavajato. PSDB POR EX", escreveu o parlamentar.

Em um comentário para rádios nesta sexta-feira 12, Requião disse que as acusações contra Lula precisam ser avalizadas por provas materiais, "pois não bastam as convicções, por mais volumosas que elas sejam". Ouça aqui.


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sexta-feira, 12 de maio de 2017

EXCELENTE NOTÍCIA: Arrecadação com multas de trânsito cresce 13% no primeiro trimestre de 2017 em Sampa



A arrecadação com multas de trânsito no primeiro trimestre de 2017 somou pouco mais de R$ 355 milhões no município de São Paulo. O número é 13% maior do que o arrecadado no mesmo período de 2016, quando o município arrecadou quase R$ 301 milhões.

Essas são informações da edição 82 do Indicador Paulistano, relatório elaborado pela Consultoria Técnica de Economia e Orçamento (CTEO), da Câmara Municipal. Os estudos ainda levam em consideração as variações reais de inflação que ocorreram nos períodos.

No fim do ano passado, desde o dia 1º de novembro, houve aumento de até 66% no valor das multas. Os valores não sofriam reajuste desde o ano 2000, quando o antigo indexador (Ufir) foi extinto. Em 2002, uma resolução fixou o valor atual em reais.

O relatório aponta que as receitas correntes arrecadadas (excluídas as deduções) pela Prefeitura até março de 2017 foram de R$ 12,978 bilhões, o que representa um aumento real de 0,8% em relação ao arrecadado no mesmo período de 2016.

Para conferir essa e outras informações, acesse o relatório completo do Indicador Paulistano.


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Caráter, artigo raro no Brasil



A Bancoop, cooperativa do Sindicato dos bancários de São Paulo, adquiriu um terreno e resolveu construir apartamentos em condomínio, para venda.

Dona Marisa Letícia Lula da Silva, falecida, decidiu comprar uma cota, referente a um apartamento, o que fez, com a anuência de Lula, claro.

Posteriormente a cooperativa não deu conta das obras, acumulando dívidas, e a empreiteira OAS, que vinha realizando as obras, assumiu o empreendimento.

Nesta transferência, da Bancoop para a OAS, abriu-se juridicamente a possibilidade de rescisão do contrato de compra e venda da cota (apartamento) ou renegociação de preço, o que comercialmente se chama janela.

Contra, a família Lula tinha que as obras estavam atrasadas e mais o argumento do ex-presidente, de que não poderia desfrutar da praia em frente, por causa do assédio.

Lembro que na ocasião Lula foi criticado pelos coxas, chamando-o de pop star e estrela, porque Lula afirmou que se fosse morar lá o local se tornaria ponto turístico e ele não teria paz.

O negócio foi desfeito, a rescisão contratual celebrada.

Esta é a história original, repetida por Dona Marisa Letícia, por Lula e que consta na documentação em poder do Moro.

Não há nem nunca houve nenhum documento no nome do Lula, quem comprou o apartamento foi Dona Marisa, quem desfez o negócio foi Dona Marisa

Esta foi a história que Lula contou em Moritiba, no dia 10, e que bate certinho com o que o casal Lula sempre falou e que foi amplamente noticiado pela mídia.

A partir daí, em surto de amnésia, a mídia mau caráter está noticiando que Lula jogou a culpa na mulher, comentarista$ de aluguel estão vomitando que Lula pôs a culpa na mulher e a beócia massa de energúmenos pautados pela mídia está repetindo.

Aí a Polícia Federal, a insuspeita Polícia Federal do Japonês Bonzinho, a Polícia Federal que descobriu em tempo recorde de quem era a meia tonelada de pasta de cocaína transportada pela Perrela’s Airlines, com um monte de delegados cabos eleitorais de Aécio, resolveu processar Lula porque ele insinuou que um contrato sem assinaturas, atribuindo a ele a propriedade de um triplex, foi plantado em sua casa.

As palavras plantado e forjado fazem parte do vocabulário policial em todos os estados, e pelo menos aqui no Rio de Janeiro não há quem não saiba de flagrantes plantados em blits de trânsito e batidas policiais.

Não há quem não saiba de armas postas nas mãos de cadáveres ou drogas nos bolsos de cadáveres, para justificar o assassinato de inocentes ou autos de resistência (assassinato em troca de tiros), inclusive com vídeos no Youtube, feitos clandestinamente, é só baixar.

Caráter vai se tornando coisa cada vez mais rara no Brasil.

Rio, 12/05/2017.

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Jornalismo da PUC-SP repudia revista Veja



O Departamento de Jornalismo da PUC-SP repudia, nos termos mais veementes e inequívocos, a capa da edição 2.530 (17.mai.2017) da revista semanal Veja.

A capa traz a reprodução de uma foto em preto e branco de dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, morta em 3 de fevereiro de 2017, com a manchete “A morte dupla” e uma legenda “explicativa”: “Em seu depoimento ao juiz Moro, Lula atribui as decisões sobre o tríplex no Guarujá à ex-primeira-dama, falecida há três meses”.

O que há de errado em atribuir à própria esposa e companheira uma decisão qualquer que afete a vida da família? Nada, absolutamente nada – a menos, é claro, que a revista parta da premissa de que as supostas “decisões” atribuídas a dona Marisa tenham envolvido ações ilegais, e que Lula tenha se aproveitado do fato de que sua mulher está morta para jogar-lhe o peso da responsabilidade por tais supostas ações.

A revista, portanto, já fez o seu julgamento. Já lavrou a sentença condenatória: Lula adquiriu o tríplex como propina, e para se livrar da cadeia manchou a reputação de dona Marisa. Não contente com se antecipar à Justiça, assumindo o lugar do júri e do carrasco, a revista ainda se arroga o direito de interpretar as motivações mais íntimas de Lula, e expor a sua figura à execração pública da forma mais vil, covarde, inaceitável e desumana.

É a revista Veja, não Lula, que pisoteia sobre o cadáver daquela que, durante oito anos, foi a primeira-dama de nosso país. Ao atacar a memória de dona Marisa, a revista fere o sentimento de dignidade do povo brasileiro. A exposição de sua foto, na capa, cumpre a função de punir exemplarmente, a exemplo dos rituais da Sagrada Inquisição, uma mulher simples, do povo, que cometeu a ousadia de ocupar o Palácio do Planalto. A Casa Grande não perdoa.

Quando todos achavam que nenhuma vileza superaria a capa da própria revista Veja de 26 de abril de 1989, dedicada ao cantor Cazuza – “uma vítima da Aids agoniza em praça pública” -, a revista prova, mais uma vez, que não há limites para a patifaria, para a infâmia e a ignomínia.

São Paulo, 12 de maio de 2017


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Caros coxinhas, sejam decentes ao menos uma vez na vida. É pedir muito?



Agora os fariseus espumando pela boca dizem que Lula culpou Marisa e que isso é imoral. Quando ela estava com AVC no hospital algum desses filhas da puta moderou as palavras ou parou de reproduzir mentiras sem provas? Que se registre que o que matou Marisa foi o derrame, mas se algo tornou a vida dela pior nos últimos dias, não foi o Lula, com quem ele esteve casada por quarenta anos: foram vocês, hipócritas. Ponham essa culpa nos ombros, ao invés de atirá-la a outro, pois é a vocês que ela pertence. Batam no peito e digam: Sim, eu xinguei! Sim, eu fui no hospital hostilizar! Sim, eu compartilhei! 

Sejam decentes, ao menos uma vez.


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