terça-feira, 13 de junho de 2017

Brasil Motivacional 2018



Planeta: Terra

País: Brasil

Cidade: São Paulo

Ano: 2018

Um país em crise. Pessoas vendendo o almoço pra comprar um cafezinho. Empresas demitindo ou fechando as portas. Boatos de canibalismo nas grandes cidades.
Nesse cenário, é fácil imaginar que todos estejam perdendo. Nada mais longe da realidade. Embora às vezes possa ser possível uma espécie de situação "ganha-ganha" ou se imagine que nessa crise o jogo esteja "perde-perde", o fato é que o jogo é do tipo "ganha-perde". Pouquíssimos ganhando e a esmagadora maioria perdendo.

Mas vamos deixar o sentido figurado um pouco de lado.

O Gestor entra no escritório. Tem algo importante a comunicar aos Colaboradores.

- Peço a atenção de todos!
- Diga, por favor!, responde Ataliba, famoso puxa-saco da firma. Ou melhor. Da Companhia.
- Como vocês sabem, houve uma reunião entre a Diretoria e os Acionistas, e foi decidido que haverá outro programa motivacional.
- Ih, outro!, resmunga Natal.
- Puxa, que legal!, diz Cauã, um dos Estagiários.
- Estamos em tempos de crise. Esta filial não atingiu os resultados estabelecidos para este ano fiscal. Aparentemente nossos Colaboradores não agiram proativamente com determinação e foco em resultados.
- Eu li no jornal de Economia que isso foi devido a investimentos errados no mercado financeiro, principalmente grandes perdas com o hedge.
- Deixe suas opiniões para a reunião semestral, Abílio!
- Como vai ser esse programa motivacional?
- Ótima pergunta, Ataliba.
Ataliba estufa o peito, todo orgulhoso.
- Vocês sabem que o alcance da Companhia se dá em vários setores da economia nacional.
- Sabemos.
- Uma das ramificações, digo, que representa a diversificação em nossa cesta de investimentos é o setor da segurança pública.
- Você quer dizer: cadeias privadas.
- Exato. Temos um programa pioneiro de reabilitação e sociabilização dos presos.
- E daí?
- Nós selecionamos um dos internos da Casa de Ressociabilização Cidadã de São Judas do Vale. O senhor Edson Catamatta.
- Catamatta... Catamatta... Esse nome não me é estranho!, diz Valdeir.
- LEMBREI!!! - responde Odair - É o "Tacanha"! Aquele psicopata que mato...
- O SENHOR EDSON - interrompe o Gestor - está participando do programa de reabilitação e ressociabilização, patrocinado pela Companhia, e foi selecionado para participar de nosso programa motivacional, num papel muito importante. Seus talentos serão muito úteis.
- Como assim?, pergunta um.
- Vocês nos fazem trabalhar 12 horas por dia e acham que essa charlatinice motivacional vai resolver alguma coisa?, reclama outro.
- Pois bem. A participação no programa motivacional renderá pontos dentro da Companhia. Quem quiser progredir aqui dentro deverá pensar seriamente em participar. 
- Continue.
- Esta filial deficitária foi aquela que desequilibrou os resultados globais da Companhia, prejudicando o faturamento projetado.
- Coisa de 50 mil reais apenas.
- ISTO, SENHOR ANÌBAL, é uma Companhia que visa o lucro, não uma casa de caridade. Perder dinheiro é heresia.
- Sim, senhor.
- Afinal, interrompe Ataliba, sempre que a Companhia defende os interesses da Companhia e dos Acionistas, ela está automaticamente defendendo também os interesses dos Colaboradores. Defender a Companhia é defender os Colaboradores. Quando a Companhia cresce, todos nós crescemos.
- Muito bem, Ataliba. Assim, esta filial foi escolhida para servir de exemplo às demais. É aqui que entra o programa motivacional.
- Vai ter coaching e coisa e tal?
- O senhor Tacanha, ou melhor, o senhor Edson será nosso coaching convidado.
- O QUÊ??
- O que sabe ele?
- Do que consiste esse programa, afinal?

Uma semana depois, todos os Colaboradores compareceram bem cedo ao Escritório, pois teria início o programa motivacional.

O Tacanha...ops, o senhor Edson Catamatta botaria em prática seus conhecimentos aprendidos no período de encarceramento.

Cada funcionário foi avaliado.

E cada um teria suas faltas e deficiências profissionais destacados pelo RH.

E essas faltas e deficiências seriam tatuadas na testa de cada Colaborador, pelo senhor Edson. Que aprendeu a tatuar na cadeia, usando pregos, tinta de caneta e giz de cera.

Assim, Aníbal, da Expedição, que tinha o costume de sempre entrar atrasado, receberia em sua testa a inscrição "Atrasildo e Vassilão".

O problema é que Tacanha, ou melhor, o senhor Edson, era semi-analfabeto.

A tatuagem do Ataliba ficou "Sou Pucha Çaco e Vassilão".

Cada sessão de tatuagem com cada Colaborador foi filmada e as filmagens todas foram editadas e compiladas em um DVD, que seria enviado a cada filial, e o filme projetado em uma exibição coletiva em cada uma das filiais.

Para coagir, ou melhor dizendo, motivacionar cada Colaborador a dar o melhor se si para a Companhia.

Os Colaboradores tiveram que assinar um contrato cedendo os direitos de imagem à Companhia, que poderia comercializar estas imagens da maneira que melhor lhe interessasse.

Pois cinquenta mil reais não é dinheiro de se jogar fora.

Ainda mais nessa crise braba.

FIM


.

Os "Tatuadores"




De uma hora pra outra, naquela cidade, começaram a aparecer pessoas com tôscas tatuagens em suas testas. Vídeos foram se disseminando. 
Nesses vídeos, as sessões de tatuagens. 
Dois indivíduos mascarados conversavam com suas vítimas:
- E aí, qual vai ser a frase?
- "Sou puta"!
- Então vai ser essa mesmo.
Noutra gravação:
- Escreve o quê aí?
- "Ladrão"!
- OK.

Em comum, as vítimas dos tatuadores tinham o fato de serem párias da sociedade: ladrõezinhos pé-de-chinelo, prostitutas. Marcados para sempre, para que não houvesse dúvidas sobre seu lugar na sociedade.

- Olha aí, Clarice!
- O quê, Armando?
- Tá aqui no jornal. Os "tatuadores" marcaram mais um. Adoro eles. Fazem o que a policia tinha que fazer. Bandido tem que se ferrar mesmo.
- Ah, não sei não, Mando...
- Como assim, Clá?
- Outro dia saiu que um dos tatuados nem era bandido.
- Se foi tatuado, boa coisa não era.
- A moto era dele mesmo!
- Sei não. Se tatuaram nele, alguma coisa ele devia. Se erraram no lance da moto, acertaram de outra forma. Esses lixos sempre têm alguma coisa pra esconder.
- Credo, Mando...
- Ihh, virou petralha, é?
- Pára, Mando!
- O fato é que o cidadão de bem precisa de mais gente como esses tatuadores! A bandidagem tá solta!
- Não gosto nada desses caras, desses "tatuadores". Quem serão eles, por baixo daquelas máscaras?
- Heróis modestos, isso sim!

( ... )

DING-DONG!

Clarice não atende a porta. Foi ao supermercado.
- Pois não?
- É o senhor Armando?
- Sou eu. Quem é?
- Entrega.

Ele abre a porta.

- Entrega de quem?

Um pano com clorofórmio responde à pergunta de Armando.

Ele acorda noutro lugar, amarrado a uma cadeira.

- Q-q-quem? O quê?

- E aí, Armandão?
- Armando, tudo certo aí, mano?
- Quem são vocês?
- Somos celebridades.
- É. Famosos.

Armando olha em volta. Parece uma espécie de porão de filme americano.

De repente, ele gela.

Ele reconhece alguns instrumentos dispostos numa bancada.

Instrumentos de fazer tatuagem.

- O que vocês querem comigo?
- Você foi sorteado.
- É. Sorteado.
- E premiado.
- P-premiado? Como assim?
- Vai ganhar uma tatuagem grátis.
- Uma não. Várias.
- T-tatuagem? P-p-por quê?

Um dos dois anfitriões começa a explicar:

- Nós prestamos atenção em você. Descobrimos seu "hobby".
- "Hobby"?
- É.
- Meu times de botão?
- HAHAHAHAHAHA! Você é um piadista, Armando.
- Meu hobby são times de botão.
- Que você usa como fachada para se aproximar de jovens, não?
- Q-q-quê?
- Sabemos de tudo, Armando.
- É. Aqueles vídeos com as...como vocês as chamam?
- As "novinhas". E os "novinhos" também né Armando?
- Mas, c-c-como?
- Sua mulher sabe, Armando?
- Desse seu hobby?
- Deixem a Clarice fora disso.
- Ela é uma boa mulher e pessoa, Armando. Ao contrário de você.
- Mas...mas...mas...
- Você vai sumir da vida dela, Armando.
- Mas...mas...

Clarice estranha o sumiço de Armando. Se saiu pra comprar cigarros podia ao menos ter deixado um recado. O celular dele estava desligado.

Clarice decide então olhar os e-mails.

Um dos emails tem Armando como remetente. Chegara à conta de Clarice há uns 5 minutos. Neste email há um anexo. Um vídeo.

- E aí, parceiro? Qual será a frase?
- "Sou pedófilo"!
- Fala mais alto!
- Eu também não escutei.
- "Sou pedófilo"!
- Que mais?
- "Papa anjo"!
- Que mais?
- "Molestador de crianças"!
- Ih, esse vai dar trabalho, parça!
- Mãos à obra então, meu camarada.

Só que os "tatuadores" se enganaram. Erraram de pessoa. Era outro Armando quem eles procuravam.

Fazer o quê?

Todo mundo comete erros.

FIM


.

[ Parte 9 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja

O livro do jornalista Silvio Navarro não foi editado para acabar com as dúvidas industrializadas sobre a morte do prefeito Celso Daniel. Veio para despejar mais gasolina na fogueira de versões fantasiosas que contradizem a força-tarefa da Polícia Civil de São Paulo (e também os enviados da Polícia Federal do então governo Fernando Henrique Cardoso) que investigou o crime em três diferentes fases e concluiu que tudo não passou de incidente numa Região Metropolitana de São Paulo empesteada de quadrilhas especializadas em sequestros naquele janeiro de 2002. 

A morte do médico-legista Carlos Delmonte Printes expressa com clareza o sentido de espetacularização e consequente vinculação do caso Celso Daniel ao Partido dos Trabalhadores. Navarro, também editor do site UOL, dedicou três páginas de “Celso Daniel – Política, corrupção e morte no coração do PT” ao homem encontrado morto em seu escritório. Dá completa ênfase à criminalização política do prefeito de Santo André, embora seja obrigado a se render às investigações. Tudo discretamente, claro. O que importava mesmo era passar o conceito de crime programado por razões político-administrativas. 

A reprodução de todos os parágrafos do livro de Silvio Navarro sobre a morte do legista é importantíssima. É indispensável manter a autenticidade da obra. 

 A morte do legista Carlos Delmonte Printes contribuiria decisivamente para a aura de mistério que paira sobre o cadáver do petista. O médico foi encontrado estatelado, na tarde de uma quarta-feira, dia 12 de outubro de 2005, em seu escritório. Tinha 55 anos. Delmonte, como era conhecido, assinou o laudo que aponta evidências de tortura no corpo de Celso Daniel. As marcas de suplício e agonia seriam usadas pela promotoria para sustentar que o bando que protagonizou o sequestro tentara tirar do prefeito alguma informação antes de executá-lo. Uma das hipóteses aventadas pelos promotores era a de que Celso Daniel detivesse senhas e papeis relativos à contabilidade de offhores montados pelo Partido dos Trabalhadores para juntar ilícitos a fim de custear a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002. Para a Polícia, porém, nunca houve tortura. 

Segue a narrativa de Silvio Navarro 

 Com histórico de ter assinado 20 mil autópsias ao longo de 21 anos de carreira, Delmonte afirmou que Celso Daniel tinha uma lesão próxima ao ouvido esquerdo; sofrera um forte golpe na cabeça, provavelmente causado pelo cabo de uma pistola, uma coronhada, na linguagem policial; apresentava uma marca de cano quente nas costas e fora atingido por estilhaços de balas disparadas contra o chão, perto de seu corpo, com o objetivo de assustá-lo. Segundo o legista, isso se chama tortura. 

Mais narrativa de Silvio Navarro 

 O prefeito levou um tiro no rosto, o que provocou a destruição de toda a arcada dentária inferior, e só depois foi alvejado em outras partes, o que descontrói o roteiro narrado pelo menor L. S., que assumira a autoria do assassinato. No exame necroscópico, datado de 24 de fevereiro de 2002, Delmonte registrou que o prefeito apresentava “face de terror e espasmo cadavérico em mãos” – a morte foi precedida de agonia de minutos, escreveu.

Novos trechos de Silvio Navarro 

 Quando encontrado sem vida, em seu escritório, no bairro da Vila Mariana, na Zona Sul, o legista estava caído ao lado deum sofá que servia de cama nas ocasiões em que varava a noite trabalhando. Como não havia marcas sugerindo que o local fora invadido, nem sinais de violência física contra ele, a principal tese, inicialmente, consistiu em que sofrera um infarto fulminante. O único dado foi notado na necropsia: o índice de glicemia muito baixo, o que, isoladamente, pouco significava àquela altura. O primeiro laudo do Instituto Médico-Legal, divulgado no dia 22 de dezembro de 2005, informou que não era possível concluir se Delmonte se envenenara ou fora envenenado, e que ele morrera sufocado por uma secreção formada na garganta após a ingestão de medicamentos. Em março de 2006, o órgão produziria um parecer complementar, segundo o qual o legista não resistiu porque ingerira três medicamentos ao mesmo tempo: o sedativo Dormonid, o beta bloqueador propanol e lidocaína. Os investigadores argumentaram que, como era judeu, o legista poderia ter tentado disfarçar o suicídio – para não ser sepultado como suicida – com um coquetel de remédios que fizesse parecer se tratar de morte natural.


Mais narrativa de Silvio Navarro 

 “Ele não tinha necessidade de tomar aqueles medicamentos”. Sendo médico, sabia dos riscos de ingeri-los simultaneamente – afirmou na época o diretor do Centro de Pesquisas do IML, Ricardo Kirche Cristofi. Durante a apresentação do laudo, o delegado José Antonio Nascimento, do DHPP, disse ter interrogado familiares do legista, segundo os quais Delmonte era avesso a remédios. A polícia concluiu a investigação e apontou suicídio. Segundo os delegados, Delmonte estava deprimido pelo rompimento com a mulher, Luciana Plumari, por quem era apaixonado. Num telefonema à sogra, disse não saber como reinventar sua vida sem ela. 

Mais do livro de Silvio Navarro  

 O relatório sobre a morte tem 763 páginas, distribuídas em quatro grandes volumes. A polícia ouviu 26 pessoas e analisou 230 páginas com as transcrições dos telefonemas do legista. O último a conversar com ele foi o filho Guilherme Capelozzi Delmonte, de seu primeiro casamento, com Vera Luiza Capelozzi. De acordo com Guilherme, na ocasião o pai lhe informara que buscaria um pedreiro na região de Embu-Guaçu. Para a Polícia, uma das provas de que se tratara de suicídio foi uma transferência bancária, efetuada pelo legista dois dias antes de morrer, para a ex-mulher, no valor de R$ 100 mil. Quando ela notou o dinheiro n conta e questionou Delmonte a respeito, ele disse que o montante deveria ser usado para custear o tratamento médico de um dos filhos. O legista era pai também de Samuel. 

Completando a narrativa

Os policiais informaram que Delmonte deixara duas cartas de despedida. Numa endereçada ao filho Guilherme e achada no próprio escritório na Vila Mariana, diz que não queria velório e que desejava ter o corpo cremado. Na outra, entregue a Luciana, que a repassou aos policiais, pede também pela cremação e manifesta vontade de que suas cinzas fossem depositadas ao lado do túmulo do pai dela, o bicheiro Francisco Plumari Júnior, conhecido como Chico Ronda. Fundador da escola de samba Império da Casa Verde, ele fora fuzilado dois anos antes numa disputa de contraventores pelo mercado clandestino de máquinas caça-níqueis. 

A verdade muito tempo antes 

Onze anos antes de Silvio Navarro lançar o livro sobre o assassinato do prefeito Celso Daniel publiquei na edição de novembro de 2005 da revista LivreMercado, da qual era Diretor de Redação, um texto denso sobre a morte do médico-legista. Na medida do possível vou procurar reproduzir apenas os trechos principais. O título “Espetáculo continua com legista morte e acareação”, diz bem a característica daquela publicação: 

 (...) Em circunstâncias normais, a morte do perito Carlos Delmonte não evocaria a mais leve dúvida: ele estava rompido com a mulher e resolveu se matar, como atesta uma carta escrita do próprio punho. Mas como Delmonte era peça chave para uma vertente que apura o caso Celso Daniel, virou celebridade mesmo antes de seu corpo ter sido encontrado em seu escritório. A bateria de exames do cadáver do legista que chefiou a equipe do Instituto Médico Legal no laudo de corpo de delito de Celso Daniel descartou preliminarmente a hipótese de morte natural. Foi o suficiente para que se lançassem dúvidas sobre eventual autoria de possível assassinato. Nem mesmo as declarações de familiares de que Delmonte não recebeu qualquer tipo de ameaça nos últimos tempos desmobilizou a ideia fixa de que, por ser a sétima vítima envolvida no caso Celso Daniel, conviria desconfiar. Entre a morte provavelmente por envenenamento de um dos legistas do caso Celso Daniel e a manchete exclusiva do “Estadão” de que a probabilidade de suicídio se robustecia (”Carta de despedida reforça tese de suicídio de legista” — eis a manchete daquele jornal em 21 de outubro), muita água rolou sob a ponte de especulações. O corpo de Delmonte foi encontrado na madrugada de 12 de outubro e o que se firmou no inferno de conjecturas do noticiário sempre espetaculoso foram manchetes e reportagens invariavelmente em forma de lenha na fogueira de suposta relação com o caso Celso Daniel. Traduzindo: os acusados de terem encomendado a morte do prefeito estariam também por trás da sétima vítima.

Mais trechos de LivreMercado 

 Apesar de evidências de que cometeu suicídio, Delmonte virou prato cheio de dúvidas. De pouco adiantou, mesmo depois da reportagem do Estadão, saber-se que ele escreveu uma carta do próprio punho se despedindo da mulher que o abandonara. E muito menos a informação que, um dia antes, telefonara para a ex-sogra e, num tom de desespero, transmitiu-lhe mensagem de adeus. Ao constar dos inquéritos do caso Celso Daniel, Delmonte agregou compulsoriamente a condição de vítima de crime sob encomenda. Por essas e por outras o delegado-titular do DHPP, Armando de Oliveira, presidente dos inquéritos que definiram o caso Celso Daniel como crime comum, preferiu silenciar-se. Mas não faltam entre investigadores da Polícia Civil de São Paulo informações de que o legista corria atrás de 15 minutos de fama quando surgiu em cena ao afirmar que o então prefeito de Santo André foi torturado pelos sequestradores. A posição de Delmonte foi relatada ao Ministério Público de Santo André no final de agosto. Os promotores declararam então que o depoimento de Delmonte dava novos rumos à investigação sobre a morte de Celso Daniel. “O perito deu um passo além de nossa investigação. Nós trabalhávamos com a hipótese de crime de mando. Ele nos mostrou que houve um crime por ódio” — afirmou o promotor de Justiça Roberto Wider.

Mais trechos de LivreMercado 

 Fontes da Polícia Civil observam a atuação de Carlos Delmonte sob outro ângulo. Ele estaria vivendo momentos pessoais complicadíssimos depois da separação da mulher e procurava, de todas as formas, chamar a atenção como compensação que pudesse, quem sabe, recolocá-lo nos braços de quem se confessou, em carta, apaixonadíssimo. O relacionamento que mantinha com a equipe de legistas do Instituto Médico Legal seria tumultuoso. À parte a competência, Delmonte seria agudamente egocêntrico e de difícil trato. O delegado Armando de Oliveira evita imiscuir-se nos bastidores policiais. Só lamenta que a atuação pública do legista morto na madrugada de 12 de outubro, inclusive com participação no programa de Jô Soares, não estivesse sincronizada com o exame necroscópico do corpo de Celso Daniel. O material assinado por Carlos Delmonte e outros três especialistas (Issao Kameyama, Paulo Argarate Vasques e Flávio Cavalcante) não faz qualquer referência à tortura, no sentido mais tarde enfatizado ao MP e à mídia. “Celso Daniel foi assassinado com oito tiros — explica o delegado — mas não há nada no laudo necroscópico que fuja das consequências dos impactos”. Nem nos anexos tão reclamados pelos irmãos de Celso Daniel. Os anexos são, segundo o delegado, a matriz da conceituação de que o assassinato não tem parentesco com tortura.

Mais trechos de LivreMercado 

Em abril de 2006, portanto cinco meses depois, voltei a escrever sobre a morte do legista, sob o título “E o legista Carlos Delmonte cometeu mesmo suicídio?”. Leiam os principais trechos da reportagem-análise: 

 A má notícia para quem especulou sobre a morte do médico-legista Carlos Delmonte, relacionando-a à queima de arquivo de suposta sétima vítima do caso Celso Daniel, foi discretamente tratada pela mídia eletrônica em 17 de março e pela mídia impressa no dia seguinte: um dos profissionais que assinou os termos do laudo necroscópico do corpo de Celso Daniel morreu de morte provocada, não de morte matada como alguns pretendiam fazer crer. Carlos Delmonte cometeu suicídio na madrugada de 12 de outubro do ano passado ao ingerir três medicamentos simultaneamente. O delegado José Antonio Nascimento, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e dois legistas apresentaram o laudo durante coletiva à Imprensa. O documento final somou 763 páginas em quatro volumes. Foram ouvidas 26 testemunhas, entre familiares, colegas de trabalho e amigos, e realizados 13 laudos necroscópicos. Segundo a Polícia, dois dias antes de morrer Delmonte transferiu R$ 100 mil para a conta corrente de sua ex-mulher. Também deixou cartas, que tiveram caligrafia confirmada por peritos, informando como deveria ser velado, a quem avisar e o que ele gostaria que fosse feito.

Mais narrativa de LivreMercado 

 Diretor do Centro de Pesquisas do Instituto Médico Legal, Ricardo Cristofi foi incisivo na definição do laudo: “Ele não tinha necessidade de tomar aqueles medicamentos. E sendo médico, sabia dos riscos em ingeri-los simultaneamente”. A revelação oficial de que Carlos Delmonte provocou a própria morte segue rigorosamente nossas informações. Em nenhuma edição esta publicação (e também a newsletter Capital Social Online, que trata do caso Celso Daniel de forma sistemática) caiu na vala comum da mídia sobre a possibilidade de outra versão para a morte, principalmente porque o legista deixou evidências materiais do que pretendia fazer, como carta e telefonemas a familiares. (...) No laudo, os especialistas do IML consideraram que a medicação levou Delmonte à morte. Com o efeito da combinação, ele não teve consciência ou reflexos para reagir ao quadro de pneumonia. Quando o próprio organismo começou a se defender, produzindo catarro, o legista não conseguiu expeli-lo. A Polícia garante que o crime foi premeditado pelo próprio legista. Ele contou ao filho que havia feito exames, inclusive radiografias, com um especialista conhecido da família e, por isso, comprara os remédios que tomou na noite do suicídio. Ao checar as informações, o mesmo médico disse que Carlos Delmonte não havia se consultado com ele.

Mais reportagem de LivreMercado 

 O suicídio de Carlos Delmonte teve relação direta com problemas familiares. A mulher o abandonou e ele sofria com alguns transtornos provocados pelos filhos. A atuação do legista nos últimos tempos de vida não pode ser descartada como propulsora do suicídio. Estranhamente, ele saiu da discrição de quem considerou a morte de Celso Daniel caso típico de tortura convencional e redirecionou em favor da tortura político-administrativa. Deslumbrou-se ao participar do programa de Jô Soares, na TV Globo. Atribuem-se à mudança de avaliação de Carlos Delmonte eventuais interesses de usufruir de supostas benesses de envolvidos direta ou indiretamente no caso Celso Daniel que se alinhem à versão de crime de encomenda. Não há provas materiais nesse sentido, mas a morte de Carlos Delmonte foi exploradíssima ao vincular-se mesmo que subjetivamente, quando não diretamente, a uma rede conspiratória que teria determinado o assassinato do prefeito de Santo André. Os próprios irmãos de Celso Daniel, eficientes na propagação de crime de encomenda, trataram de elevar a temperatura de desconfiança.

Mais narrativa de LivreMercado

O contraste entre a cobertura espalhafatosa do anúncio da morte de Carlos Delmonte e seus desdobramentos e a discretíssima repercussão no mês passado de que o legista cometeu suicídio é mais uma prova de que, de maneira geral, a mídia está perfilada com a teoria de crime de encomenda. Mais que isso: a mídia despreza ou minimiza tudo que se apresenta como provas de que tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Federal acertaram em cheio ao concluir inquérito que define a morte de Celso Daniel como crime comum, sem relação alguma com suposto caixa dois na Prefeitura de Santo André. Carlos Delmonte morreu sem concluir o laudo complementar do assassinato de Celso Daniel. Ele estava empenhado então há 50 dias na elaboração de documento solicitado pelos promotores criminais de Santo André. Foi em 16 de agosto do ano passado que Delmonte ouviu dos promotores o pedido para que respondesse a 14 quesitos suplementares do laudo. Delmonte fez naquele dia longo depoimento ao Ministério Público. A CPI dos Bingos, que pareceu tão zelosa ao anúncio de que Carlos Delmonte foi encontrado morto, calou-se no mês passado depois da divulgação do laudo pericial. O Estadão de 14 de outubro do ano passado ouviu vários membros antigovernistas da CPI dos Bingos em Brasília. Não faltaram acusações veladas. O relator Garibaldi Alves disse textualmente: “Agora temos um fato recente para usarmos na acareação” (…) Não podemos ficar calados diante de tantas evidências de que algo muito estranho aconteceu”. A acareação à qual se referiu o senador foi realizada no final daquele mês, entre Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula da Silva, e os irmãos João Francisco e Bruno Daniel.

Mais narrativa de LivreMercado

Outro membro da CPI dos Bingos, senador Romeu Tuma, prometeu na mesma reportagem do Estadão que acompanharia as investigações sobre a morte de Carlos Delmonte. Não se tem notícia da participação do ex-policial na elaboração do inquérito final. Na mesma edição de 14 de outubro do ano passado, o Estadão publicou manchete “Morte do perito não foi natural, mostram exames”. (...) No dia 15 de outubro, a politização da morte de Carlos Delmonte estava explicitada na manchete da página A17 do Estadão: “Família de Daniel está com medo e quer proteção especial”. (...) A conversão escancarada de que Carlos Delmonte teria sido vítima de crime de encomenda foi estampada em nova manchete de página do Estadão, agora de 20 de outubro (...) sob o título “Para família, legista foi vítima de alguma coisa muito grave”. (...) Mais de dois meses depois da morte de Carlos Delmonte, os jornais voltaram ao assunto em 21 de dezembro. Trechos da Folha de S. Paulo: “Setenta dias após a morte do médico-legista Carlos Delmonte (…) os peritos do IML (Instituto Médico Legal) não chegaram a nenhuma conclusão sobre a causa mortis. Em seu relatório o IML informou que não foi possível definir se a morte de Printes foi natural ou provocada por um fator externo, como a ingestão de veneno, uma das hipóteses cogitadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (…). A dificuldade em definir o motivo determinante da morte do legista provocou discussões entre membros da equipe do IML e aumentou a apreensão de autoridades envolvidas na investigação”. Na edição de 22 de dezembro, no alto da página, a Folha de S. Paulo praticamente antecipava a conclusão anunciada agora em março pela Polícia Civil: “A investigação da Polícia Civil sobre a morte do perito-criminal Carlos Delmonte Printes (…) aponta para a hipótese de suicídio e descarta a possibilidade de morte natural ou homicídio. O delegado José Antonio do Nascimento, do DHPP, descarta também qualquer vínculo entre as mortes de Celso Daniel e do legista. (…) A conclusão de que Printes teria ingerido alguma substância letal metabolizada pelo organismo a ponto de inviabilizar a perícia é uma “dedução lógica”, já que a investigação não aponta outras hipóteses, segundo o delegado”. Antes que o ano passado terminasse, o Estadão de 27 de dezembro voltou ao assunto. Sob o título “MP volta a questionar laudo sobre perito”, a matéria explicitava a posição do promotor de Justiça Maurício Ribeiro Lopes, que investiga a morte do legista Carlos Delmonte. Alguns trechos: “Essa perícia é muito lacunosa, o resultado é insatisfatório”, declarou o promotor, após reunião com o delegado José Antonio do Nascimento. 

13/06/2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Viagem da Família Temer em avião da JBS é ilegal. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Temer mentiu ao desmentir que não havia viajado em avião da JBS para a Bahia. Primeiro afirmou categoricamente que não viajou nesse avião e sim em uma nave da FAB. Joesley Batista o desmentiu. Ele voltou atrás, e disse que viajou sim em avião particular, mas desconhecia de quem era o seu proprietário. Mais uma vez foi desmentido: Joesley recebeu um telefonema do próprio Temer, pedindo flores para Marcela, sua esposa. Esse vai e vem foi uma amnésia do presidente ou ele, como jurista, sabia que a viagem era ilegal? É o que vamos ver a seguir.

Janio de Freitas, em artigo à FOLHA, escreveu: [investigação] requer o caso mais simples da viagem do casal Temer a Comandatuba, Bahia, [em 2011]. O uso de um avião de Joesley Batista foi negado pela assessoria de Temer, que disse haver viajado em avião da FAB. (...) Mentira (sic) que até impressiona mais pelo PRIMARISMO (destaque meu), sem prever o mais óbvio: a verificação na FAB. Então Temer se lembra (sic), ah, sim, era avião particular, mas nunca soube de quem. MENTIRA OUTRA VEZ (destaque meu): o dono delatou o telefonema de Temer para queixar-se de florida (sic) gentileza com sua mulher”.

No artigo, “Caso vença na corte [venceu por 4x3], Temer não terá tempo para abrir champanhe”, publicado na Folha em 8/6, Igor Gielow, comentou: “A mudança da versão de Temer, de uma negativa peremptória para um “não sei de quem era o avião”, fora as emendas no enredo tentadas no modo “conversa com aliados”, é o tipo de coisa que derrubaria político em nações mais civilizadas”. E no Brasil, vai derrubar Temer? A ver...

O jornalista Fernando Brito, no Tijolaço: “Temer se enrola tanto na mentira que tudo vira sórdido”.

O jornal Globo assim descreve o que ocorreu: “Ao entregar à Procuradoria-Geral da República (PGR) registro de diário de bordo da aeronave usada pelo então vice-presidente Michel Temer para viajar com Marcela Temer a Comandatuba, em janeiro de 2011, o empresário Joesley Batista contou aos procuradores ter recebido uma ligação do próprio Temer para perguntar sobre o envio de flores à aeronave e agradecer pelo agrado. (...) A versão de Joesley Batista contradiz (sic) a nova nota divulgada no início da tarde desta terça-feira [6/6] pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que informa que o “vice-presidente não sabia a quem pertencia a aeronave” usada para deslocamento até o interior da Bahia. Agenda oficial de Temer não registrou viagem a Comandatuba. (...) Em relato à PGR, Joesley contou ter enviado flores para enfeitar a aeronave que seria usada pela família Temer para retornar a São Paulo, O QUE TERIA DEIXADO O ENTÃO VICE-PRESIDENTE COM CIÚMES. (destaque meu). Segundo ele, para evitar o mal estar [ciúmes] com o vice-presidente, o comandante da aeronave teria dito que este era um presente da mãe de Joesley, e não do empresário. (...) O vice-presidente teria, então, telefonado ao empresário para dizer que gostaria de agradecer à matriarca da família pelo agrado. E, em seguida, ligado à mãe de Joesley, Flora Batista”.

O Estadão noticiou: “O Palácio do Planalto tentou minimizar o DESGASTE CAUSADO PELA MUDANÇA DE VERSÕES (destaque meu). No governo, o episódio foi classificado como “UM ERRO” (destaque meu), gerado pela pressa de fornecer uma resposta e, como não havia registro desse voo, a primeira reação foi negar, em nota oficial”.

Será que foi uma amnésia ou ele sabia que o fato é ilegal? É o que constata o Prof. Rubens Glezer, em texto ao Estadão (8/6), sob o título “O canhão da Lava Jato”: “Nenhum agente público da Presidência e da Vice-Presidência da República (sic) pode receber presente, hospedagem, favores e NEM TRANSPORTE POR PARTICULARES (destaque meu) interessados em receber benefícios e privilégios na Administração Pública. Porém, por uma questão de conjuntura, a eventual viagem do presidente Temer em avião particular de Joesley Batista (da JBS) possui consequências diretas para os rumos da Lava Jato no STF. (...) Caso existam indícios de que Michel Temer recebeu benefícios ilícitos enquanto era vice-presidente, mesmo assim ele não poderá ser investigado e processado por esses fatos enquanto estiver na Presidência da República. Isso porque, conforme a Constituição, o Presidente somente pode ser investigado e réu por ações tomadas em razão do cargo e durante o seu exercício. (...) Contudo, são fatos que fortalecem (sic) a investigação que já está aberta no STF em face do Presidente Temer. Provas da proximidade entre o Presidente Temer e o Joesley fragilizam (sic) a narrativa da defesa, de que Joesley era apenas um “falastrão” que se reunia com Temer quase que por acaso. (...) Se esses fatos se juntarem a eventuais outros, o PGR pode considerar que tem elementos suficientes para uma ação penal e oferecer denúncia contra o Presidente. Assim que isso ocorrer a Presidência fica em xeque, já que se houver autorização da Câmara dos Deputados e aceitação da denúncia pelo Supremo, o Presidente Temer fica automaticamente afastado do cargo por até seis meses”. Por aí se vê que a viagem da família Temer poderá lhe trazer graves consequências. Outra revelação feita pelo jornalista Mario Cesar Carvalho, em reportagem publicada pela FOLHA, complica ainda mais a situação de Temer: “A Polícia Federal encontrou documentos rasgados, com informações sobre a reforma da casa de uma filha (sic) do presidente Michel Temer, na operação de busca e apreensão que fez no apartamento do coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho. (...) Ele é um dos mais antigos e fiéis aliados do presidente, suspeito de ser laranja (sic) de Temer. Um dos delatores da JBS, Ricardo Saud, diz ter mandada entregar R$ 1 milhão para Lima Filho dos R$ 15 milhões que o grupo doara para o caixa 2 de Temer em 2014”. O jornalista informa ainda: “Destruição de provas é considerada um crime GRAVE (destaque meu) pela Justiça. É uma das justificativas previstas para a decretação de prisão. Foi com esse argumento, por exemplo, que a Justiça mandou prender outro aliado de Temer, o ex-ministro Henrique Alves, na terça (6/6)”. O presidente sairá dessas graves complicações? Muito difícil. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tucanos em cima do muro sustentam Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Temer dedicou a semana tentando convencer o PSDB a não romper com o governo, onde tem vários ministros. Se os tucanos romperem será o fim do presidente. Por enquanto, o partido está dividido. Uma parte apoia Temer, outra defende o rompimento. Uma ala está em cima do muro, outra desceu do muro. Qual vai prevalecer? Até agora não se sabe!

Vinicius Torres Freire, em artigo na FOLHA, comentou: “Para sorte de Temer, o PSDB ora está meio isolado. Um relato de segunda mão diz que a conversa de Temer com FHC e Tasso Jereissati foi “diplomática”, “cortês”, mas “não muito boa”. (...) Temer chiou e acuou o PSDB. Tucanos dizem que estão indo, mas não foram, até porque o partido está, para variar, SOBRE UM MURO RACHADO (destaque meu). Está aí um problema para a estratégia de Temer”. 

O Estadão (31/5), na reportagem “Temer apela e tucanos fazem defesa do governo”, noticia: “Apesar da pressão das bases tucanas e da bancada da sigla na Câmara [ entre eles o deputado Carlos Sampaio, de Campinas ] pelo desembarque dos tucanos do governo, o apelo do presidente surtiu um resultado imediato favorável ao governo, que tenta emplacar a narrativa que o pior já passou”. Será? O presidente tenta. A reportagem do mesmo jornal, sob o título “Temer apela a Alckmin para impedir cisão do PSDB-SP”, mostra que não está fácil o apelo ser atendido, visto que o partido está rachado: “O presidente do PSDB-SP, deputado estadual Pedro Tobias, convocou prefeitos, deputados e dirigentes do partido para uma reunião ampliada da Executiva que deve deliberar sobre o tema. Ao ESTADO, Tobias disse que defende o rompimento do PSDB com Temer”.

Já o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) defende o apoio do partido ao governo Temer, do qual faz parte. O Estadão noticiou: “O ministro das Relações Exteriores, o tucano Aloysio Nunes Ferreira, evocou o clássico do escritor francês Gustave Flaubert para defender a lealdade (sic) de seu partido com o governo Michel Temer: “O PSDB não é Madame Bovary”, afirmou, em referencia à personagem do século 19 que trai o marido e tem um fim trágico”. Alberto Bombig, no texto “PSDB não é Bovary, mas sofre com seu bovarismo crônico”, escreveu: ”O PSDB pode até não ser a Madame Bovary, conforme disse o chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Mas é inegável (sic) que o partido sofre de bovarismo, a denominação surgida a partir da personagem adúltera do escritor Gustave Flaubert (1821-1880) para definir uma certa insatisfação e um mecanismo de autoengano presentes em alguns indivíduos. Essa condição se agravou entre alguns tucanos que acreditam ser possível simplesmente romper com um governo do qual eles são hoje o principal fiador. (...) Romper com Temer sob argumentos de ÉTICA E MORALIDADE NA VIDA PÚBLICA (destaque meu), para os bovaristas, limpará da memória do eleitor as denúncias contra o PSDB”. 

Kennedy Alencar, no texto “Denúncia contra Aécio dificulta abandono de Temer pelo PSDB”, constata: “A denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, dificultará o discurso do PSDB para desembarcar do governo Temer. Fica difícil explicar para a opinião pública o abandono de Temer quando o presidente do partido, que está licenciado do cargo, é denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça. (...) Complica também o plano de setores do PSDB para eleger um tucano indiretamente via Congresso Nacional caso Temer deixe o poder antecipadamente. A crise provocada pela delação de Joesley Batista uniu os destinos do PMDB e do PSDB, para o bem e para o mal”. Kennedy conclui: “Se perder o apoio do PSDB, ficaria mais difícil para Temer se manter na Presidência”. Elio Gaspari declarou: “Apesar da indicação de que a maioria quer saltar [do governo], o tucanato caiu na armadilha do muro. Se ficar, perde eleitores. Se sair, perde banqueiros”. Será então que os tucanos vão ficar em cima do muro? Em artigo ao Estadão, Fernando Henrique Cardoso está em dúvida: “Apoiei a travessia e espero que a pinguela tenha conserto. E se não? E se as bases institucionais e morais (sic) ruírem? Então caberá dizer: até aqui cheguei. Daqui não passo. Torçamos para que não sejamos obrigados a tal”. A manchete do Estadão poderá ou não tirar a dúvida de FHC: “PF (Polícia Federal) prende Rocha Loures [o homem da mala ou o homem “bomba”!] e aumenta pressão sobre Temer”. A ver...

Para o escritor Marcelo Rubens Paiva, “errou Tiririca, palhaço eleito deputado federal em 2010, com votação recorde: “Vote no Tiririca. Pior do que tá não fica”. Ficou.”

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

.



quarta-feira, 31 de maio de 2017

EUA: muçulmanos arrecadam 500 mil dólares para famílias de heróis cristãos assassinados por extremista terrorista cristão



Notícia linda e de esperança do dia : Muçulmanos nos EUA levantam 500 mil dólares para ajudar familares dos dois cristãos mortos em Portland. Sim, amigos, na sexta passada, duas jovens americanas muçulmanas ( muçulmana se refere apenas a uma religião e nao a uma etnia) estavam sendo violentamente agredidas por um conhecido EXTREMISTA CRISTAO da regiao ( eles existem aos milhares nos EUA e só agora estao sendo reconhecidos como tais) quando três homens perceberam que o extremista cristao ( cristão como eu e vc) puxava uma faca para matar as jovens muçulmanas, na saída de um trem local. Os homens saíram em defesa das meninas e dois deles foram assassinados pelo extremista cristão. Dias depois, vc sabe o que alguns muçulmanos fizeram? Fundaram um grupo para levantar um dinheiro que pudesse ajudar os familiares dos homens mortos em Portland pelo terrorista cristão e já arrecadaram 500 mil dólates, doados por muçulmanos no mundo todo! Essa notícia nao terá a repercussão que merece pois a indústria da guerra se alimenta do ódio e do desconhecimento entre cristãos e muçulmanos. Mas pense nisso, pesquise, espalhe a esperança!


.



.

Artigo: A morte do jornalista Carlos Chagas


Por Jasson de Oliveira Andrade


Morreu no dia 26 de abril de 2017, aos 79 anos (no dia 20 de maio faria 80), o jornalista e escritor Carlos Chagas, ex-diretor do Estadão. Como escritor, Carlos Chagas escreveu vários livros. Entre eles, “Resistir é Preciso”, Paz e Terra, 1975, no qual reuniu vários artigos publicados no Estadão. No Prefácio, o ex-senador Paulo Brossard, morto em 12/4/2015, aos 90 anos, escreveu que o “livro retrata, com serenidade e lucidez, um dos períodos mais difíceis da vida pública brasileira. E da Nação [Ditadura Militar]”. Chagas foi porta-voz do ditador Costa e Silva. Então escreveu o livro “113 Dias de Angústia” – Impedimento e Morte de um Presidente [Costa e Silva], que foi proibido de circular em 1970, por ordem do ministro da Justiça, Alfredo Buzaid. Só foi reeditado em1979, nove anos depois!

Carlos Chagas publicou ainda “A Guerra das Estrelas (1964/1984) – Os Bastidores das Sucessões Presidenciais”. L&PM, 1985. Também prefaciado por Paulo Brossard. Na Orelha do livro, essa explicação: “Este trabalho é um marco na nossa história recente. Pela primeira vez um livro expõe as vísceras do viciado (sic) jogo das sucessões militares. Um jogo – como se verá – de cartas marcadas, de traições, de lances tragicômicos (sic), de valores próprios, onde 4 estrelas era a condição mínima, básica para alcançar o trono”. Explica também que Chagas, como ex-secretário de Imprensa de Costa e Silva, poderia escrever o que realmente ocorreu nos “bastidores das Sucessões Presidenciais”. Ele estava por dentro do que acontecia nos bastidores do Poder. Brossard , no Prefácio, afirmou: “Lê-se o livro como quem lê um romance. (…) Contudo, o livro não dá prazer. Ao contrário, pela sua objetividade, chega a ser triste, porque retrata um país que não gostaríamos que fosse o nosso. Pela sua veracidade, porém, pela sinceridade com que foi escrito, não é apenas informativo; também é educativo, na medida em que descreve o que não deveria ter ocorrido e o que jamais deverá voltar a ocorrer (sic). Ficará como documento de uma época, que durou vinte anos, durante a qual se falou em “verdadeira democracia”, e muito se praticou a anti-democracia, a autocracia na sua expressão mais insolente e abusiva. (Carlos Chagas) dá-nos agora esta “Guerra das estrelas”, guerra, mas de estrelas nada celestiais (sic)”.

Para se ter uma ideia do que é esse esclarecedor livro, eis o seu índice: 1) A Tomada do Poder [a queda de Jango]; 2) Castello Quis ser o Primeiro e Único (sic); 3) Costa e Silva Ganhou na Força (sic); 4) Médici, por ser o mais Obscuro; 5) Aparece Geisel, o Onipotente; 6) Figueiredo Vem a Trote. Para se conhecer a fundo como se deu a escolha desses 5 “estrelas”, ou como diz o sub-título: “Os Bastidores das Sucessões Presidenciais”, precisa-se ler esse histórico livro de Carlos Chagas.

Na reportagem sobre a morte dele, a jornalista Ligia Formenti (Estadão, 27/4) citou a opinião do fotógrafo Orlando Brito: “Ele [Carlos Chagas] era tão brilhante que, no início de carreira, ainda novo, foi chamado para trabalhar como porta-voz do então presidente Costa e Silva. Ele se tornou um dos grandes defensores (sic) da liberdade de imprensa, na época em que a censura (sic) se instalou no Brasil”.

Com a morte de Carlos Chagas, perdemos um historiador. Aprendi muito com seus livros e seus artigos, revelando a verdadeira face da Ditadura Militar! Que, como escreveu Brossard, “jamais deverá voltar a ocorrer’. Ditadura Nunca Mais!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu


.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

OS BANDIDOS JÁ NÃO SE ENTENDEM MAIS O buraco negro do golpe



Quando Temer embarcou na aventura golpista, não o fez sem antes estar municiado até os dentes de todas as garantias legais para não ser derrubado por uma espécie de "contra-golpe". Entrou no poder com um exército de advogados na retaguarda. Os melhores que o dinheiro podia comprar.

Ele sabia muito bem de cada risco que corria e para cada um deles ficou precavido:

A impopularidade nas ruas seria calada pelos grandes meios de comunicação; a Lava-Jato se tornaria aos poucos uma arma exclusiva para combater a esquerda (e para isso contava com o dinheiro da JBS para comprar o silêncio de Cunha e as vistas grossas do juiz Sérgio Moro); No TSE conseguiria forjar os argumentos jurídicos para cassar apenas Dilma e, para engolir suas "teses esdrúxulas", formaria uma maioria nesse mesmo Tribunal.

As coisas caminhavam relativamente bem para Temer... O que aconteceu que de repente tudo parece ter virado de ponta-cabeça?

O seu grande erro foi acreditar que sua aliança com o PSDB de alguma forma estava sob controle... O nosso usurpador tupiniquim não tinha dimensionado o fato de que os tucanos não queriam (e ainda não querem) simplesmente formar uma nova hegemonia política.

Eles querem mudar toda a natureza do Estado brasileiro até o ponto de se estabelecerem novas relações sociais de produção que atendam aos interesses do capital internacional em um nível nunca antes visto na nossa História.

Assim, Temer não percebeu que a sua Ditadura "Temer-Tucana" precisava se tornar em uma Ditadura "Tucana-Temer" para depois se tornar em uma Ditadura "Tucana solo".

Enquanto Temer realizou seus tradicionais pacotes de maldade, como a PEC da morte, a Lei da Terceirização, a Reforma Educacional, etc., tudo estava bem... Mas os tucanos quiseram dar outros dois passos que geraram um verdadeiro descompasso na ordem geral do golpe:

O primeiro foi a Reforma da Previdência. Esse passo é um brutal ataque a TODOS os trabalhadores. E a cadeia produtiva do trabalho está longe de ser simples... Ela oculta uma complexidade e uma pluralidade gigantesca. Isso significa que essa Reforma também acabou por atacar os interesses de uma elite patrimonialista que antes o apoiava... Mas esse ponto ainda pairava de forma embrionária no Congresso...

O segundo passo foi o mais decisivo... trata-se da grande Reforma Trabalhista. Essa Reforma não destrói apenas os direitos dos trabalhadores mais humildes. Ela vai muito além do que a grande imprensa está divulgando...

Ela fratura todas as áreas da Justiça brasileira, alterando na prática toda a essência do Direito brasileiro de forma absolutamente negativa ao Poder Judiciário.

Mais uma vez: não se trata de uma mini-reforma que, entre outras coisas, flexibiliza as relações entre empregados e empregadores e que pode reduzir o seu tempo de almoço. Ela vai muito além... atinge frontalmente os Direitos Trabalhistas, Tributários, Empresariais, Civis, Penais e Constitucionais.

Essa Reforma, com mais de 200 artigos, foi um teste para analisar qual é a disposição do Poder Judiciário em se auto-destruir.

Mas... ao que parece esse poder está longe de querer isso... Ao contrário... ele quer avançar sobre os outros poderes. E foi no momento em que o Poder Judiciário tomou consciência do que se tratava essa Reforma Trabalhista, lançou uma ação contra Temer para, entre outras coisas, paralisar o seu governo.

Vejamos o caos que os golpistas criaram até então:

1 - Em primeiro lugar tivemos o boicote e uma conspiração que tirou Dilma do poder em um processo corrupto e ilegítimo de impeachment.

2 - Depois tivemos um projeto conduzido pela direita para destruir as conquistas sociais dos 13 anos petistas. Sob o argumento do déficit público, cortaram fundo na área social, privatizaram nossas riquezas e devolveram aos banqueiros o monopólio do crédito.

3 - Como ato contínuo, os tucanos quiseram - na surdina - infiltrar o seu próprio golpe sob a máscara das Reformas da Previdência e Trabalhista.

Eles simplesmente subestimaram a capacidade de ler e escrever do Poder Judiciário... E esse poder é muito maior e poderoso do que os seus dois tucanos infiltrados (os juizes Sérgio Moro e Gilmar Mendes) podem sonhar... E o Judiciário partiu para a contra-ofensiva: destruíram Aécio Neves e colocaram uma guilhotina no Palácio do Jaburu para Temer.

A rigor a Globo sempre esteve ao lado do "Judiciário tucano". Agora teve que jurar fidelidade ao "Judiciário maior" e, por essa razão, abandona os tucanos e abraça aos poucos a ideia de cortar a cabeça de Temer... A imprensa paulista, por outro lado, possui antigos laços de vassalagem com os tucanos... Enfim... A grande imprensa rachou...

Ainda assim, se destilarmos os elementos ruidosos desse caos institucional podemos encontrar, enfim, o grande elemento tóxico de toda essa história: os tucanos e sua subserviência total ao capital internacional.

Não deixa de ser irônico que agora, no meio dessa bagunça, todas as peças começam a se encaixar: os Ministérios que o PSDB exigiu, as pastas que os tucanos queriam controlar, os inimigos que queriam combater... Tudo... Absolutamente tudo se encaixa perfeitamente nos interesses do imperialismo que está infiltrado na nossa crise nacional.

Bom... E agora? Os bandidos já não se entendem mais e muito menos confiam um no outro...

Temer não confia no Judiciário que está partido ao meio e muito menos nos tucanos; os tucanos não confiam em Temer e perderam a fé no Judiciário e, por fim, o Judiciário não confia em ninguém, incluindo ele mesmo.

Caso Temer caia na cassação da chapa Dilma-Temer, ele levará consigo todo mundo... De tucanos à Moro, passando pela Rede Globo... Ele vai cair atirando... E a solução das "Diretas Já" se tornará irresistível...

Caso Temer fique, o seu governo cairá em um atoleiro sem fim... teremos a prisão paulatina de todos os seus apoiadores e o término rápido da Lava-Jato sob ordens superiores (a absolvição da esposa de Cunha já é sintoma de fim de feira). Os tucanos chegariam em 2018 como entulho eleitoral...

O projeto neoliberal dos tucanos precisava de dois golpes, mas se esqueceu de contabilizar o Estado patrimonialista brasileiro... Um erro crasso... Quase uma demência... Deveriam ter lido o clássico "Os donos do poder" do jurista-sociólogo Raymundo Faoro... Mas qualquer erudição tucana morreu com FHC...

Se os especuladores acham que o preço do Brasil está por volta dos 65 mil pontos da Bovespa porque contabilizam a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista como já aprovadas, provam que nada entendem do Brasil e das forças que aqui estão em voga.

Provavelmente quando descobrirem que essas Reformas não vão ocorrer, vão fugir do país com seus preciosos dólares. Resultado: inflação com recessão e um índice de desemprego chegando a extremos inéditos... Quem segurará o rojão das ruas?

No fim, esse golpe se tornou em um grande Buraco Negro... Uma força capaz de atrair e destruir tudo... tão forte e dramática que nem a luz lhe escapa... Enquanto o país inteiro vai seguindo em sua fatal direção esperamos que os aventureiros do golpe comecem a fazer para si mesmos uma simples pergunta:

"A opção Lula é ruim... por que mesmo?"

Estamos próximos do teste final para sabermos se há vida inteligente na direita brasileira...


.

Temer e o lema “rouba, mas reforma”. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Adhemar de Barros ficou famoso por sua “Caixinha”, que o tornou conhecido pelo lema “rouba, mas faz”. No livro, “Meus Tempos no Guaçu”, o médico Antonio Carlos Lima Pompeo, à página 91, recordou: “Os “adhemaristas” (...), além de defender com toda retórica a grande capacidade do dr. Adhemar de Barros, cantavam: “Quem não conhece/quem nunca ouviu falar/da famosa caixinha do Adhemar/que deu livros, deu hospitais e escolas/ “caixinha” abençoada...”. 

Agora a professora Laura Carvalho, em artigo para a Folha (25/5), sob o título “Temer tenta vender o lema “rouba, mas reforma”, escreveu: “É possível que nem mesmo Adhemar de Barros ou Paulo Maluf aprovassem o que o presidente Michel Temer apelidou em sua entrevista a esta FOLHA de seu novo “modelito” nos discursos. (...) Quando indagado se não seria crime de prevaricação ouvir relatos de outros crimes e não denunciá-los, Temer respondeu aos repórteres: “Você sabe que não? Eu ouço muita gente, e muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta”. (...) Em outro trecho que revela seu nível turbinado de desfaçatez (sic), o presidente disse que o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) o assessor próximo (sic) de Temer que entregou na terça-feira (23/5) um total de R$ 465 mil à Polícia Federal – R$ 35 mil a menos do que estava na mala que o Brasil todo já conhecia por foto --, é “um homem de muito boa índole” (sic). O problema é que, para conseguir emplacar a velha tática do “rouba, mas faz”, não basta que a população fique sabendo da parte do “rouba”. E querer convencer quem viu o número de desempregados aumentar de 11 milhões para 14 milhões em um ano de que foi responsável por significativa melhora na economia não soa muito promissor. (...) O “rouba, mas faz” do último ano deveria ter nos ensinado algo sobre a outra máxima que o governo tenta emplacar – a do “rouba, mas reforma”. (...) Concordando ou não com os moldes propostos para as reformas da Previdência e trabalhista, o que já deveria ter ficado claro a esta altura é que tampar o nariz para os malfeitos e apoiar soluções antidemocráticas em nome de um programa econômico, não é o caminho para a estabilidade – nem mesmo nos mercados, como mostrou o caos financeiro da última semana”. 

Se o “rouba, mas faz” é condenável, como se deve ver a reforma da Previdência? Quem responde a esta pergunta é Oscar Vilhena Vieira, em artigo à FOLHA (O preço da injustiça): “Os altos estamentos do funcionalismo obtém benefícios IMENSAMENTE MAIORES (destaque meu) que o restante da população. Enquanto a aposentadoria de um membro do Ministério Público ultrapassa os R$ 30 mil, os demais aposentados recebem em média cerca de R$ 1.600. Como aponta Marcelo Medeiros a partir de dados do IBGE, 50% dos recursos da Previdência vão para os 10% mais rico. (...) Indispensável reformar a Previdência. O problema é que algumas mudanças aprovadas penalizam exatamente os mais pobres (sic), deixando os estamentos mais ricos de fora.” O Estadão publicou: “Preso em Nova York acusado de receber propinas em contratos da CBF, o ex-presidente da entidade José Maria Marin [ que dedou o Herzog! ] recebe pensão vitalícia do Estado de São Paulo no valor de R$ 20.257,80 por mês. A pensão parlamentar é relativa à extinta carteira previdenciária (sic) dos deputados paulistas”. A carteira previdenciária foi extinta, mas Marin recebe uma pensão superior a vinte mil reais. Será que ele será alcançado pela Reforma da Previdência ou ele estará entre os beneficiados mais ricos? Uma pergunta deve ser feita: por que o governo não cobra a dívida que os mais ricos devem à Previdência?

Punir os mais pobres e poupar os mais ricos (Marajás) é, segundo Oscar Vilhena Vieira, “o preço da injustiça” da reforma de Temer. Como diz Laura Carvalho, o presidente tenta vender o lema “rouba, mas reforma”! Compra quem quiser...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

.

sábado, 27 de maio de 2017

Livro sobre a Líbia de Kadafi será lançado em Curitiba

Será lançado no próximo dia 7 de junho – data de nascimento do líder Muamar Kadafi – o livro “A Líbia de Muamar Kadafi”, de José Gil de Almeida, editor do site Marcha Verde.

O lançamento do livro será durante um coquetel com apresentação de danças árabes, fechado ao público. Somente 100 pessoas foram convidadas e a abertura do evento ficará a cargo do maior livreiro do Brasil, Aramis Chain. 

O livro mostra a Líbia que a mídia ocidental jamais mostrou: um país soberano, próspero, que repartia com a população a riqueza oriunda da venda de petróleo. Com pouco mais de 6 milhões de habitantes, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, a Líbia de Kadafi era considerada a “pérola da África”, segundo o autor, que justifica: “A Líbia de Kadafi tinha o maior IDH (índice que mede a qualidade de vida dos habitantes) da África; maior até que do Brasil”. 

O livro tem 120 páginas e trata de algumas viagens que o autor realizou à Líbia. Talvez José Gil seja o brasileiro que mais viajou à Líbia de Kadafi - 19 vezes - e a última delas três meses antes da guerra em que o líder líbio foi assassinado.

O livro mostra experiências de brasileiros que visitaram a Líbia, a convite do autor. Em uma dessas viagens ele levou 12 convidados de Curitiba para participar dos festejos a Revolução Al Fateh, com tudo pago pelo governo líbio, incluindo estadia na Suíça, no hotel Sheraton. 

O autor, José Gil, durante conferência na Líbia, em Trípoli,
três meses antes da guerra de 2011.
Além de tratar da Líbia kadafista, o autor revela fatos não publicados pela mídia sobre a prisão e morte de Sadam Hussein e seus filhos. A base militar norte-americana em Kandahar, no Afeganistão, também merece um capítulo do livro, afinal, o autor conheceu jornalistas e correspondentes de diversos países em suas viagens à Líbia, e continua recebendo notícias e informações, por isso mantem o site Marcha Verde com informações dos países em guerra. 

Outro capítulo que merece destaque trata da morte do embaixador norte-americano por linchamento na cidade de Benghazi.

Para quem deseja conhecer a verdadeira história da Líbia kadafista é aconselhável ler este livro. A exemplo de outros livros do autor, a edição é custeada pelo próprio autor, apesar do movimento kadafista contar com adeptos hoje em diversos países, tais como Alemanha, Argélia, França, Brasil, Venezuela, Líbia, Bolívia e Argentina, e graças à internet, estão todos conectados entre eles.

O livro será vendido a 25 reais na Livraria do Chain e pelo email midiabairros@gmail.com




.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Doria demolidor, Führer de São Paulo



João Doria, prefeito de São Paulo, já se vestiu de gari, de pedreiro, de marronzinho e até já andou de cadeira de rodas. Domingo (21), o prefeito superou todos esses disfarces com uma nova fantasia: Führer. Domingo foi o dia em que Doria liderou a conquista de novos territórios para o mercado imobiliário, na guerra do empresariado paulistano por seu Lebensraum (espaço vital).

Cerca de 900 policiais, entre civis e militares, lançaram um ataque contra os dependentes químicos que vivem em uma região do centro da cidade conhecida como “Cracolândia”. As pessoas que vivem na “Cracolândia” foram alvo de bombas de gás e prisões indiscriminadas, outras reclamaram de terem perdido seus documentos, levados por caminhões como lixo. Para fins de propaganda, o governo do Estado e a prefeitura afirmaram tratar-se de uma operação de combate ao tráfico de drogas.

No dia seguinte à operação, o Führer João Doria anunciou o fim da “Cracolândia”: “a Cracolândia acabou”. Os jornais, entretanto, apontavam que a eficácia da Blitzkrieg doriana tinha sido relativa. A “Cracolândia” se espalhou para outras regiões do centro, bem próximas da “Cracolândia” original. A operação militar do prefeito não solucionou o problema de saúde pública das drogas no centro de São Paulo. O Führer da Alemanha nazista anunciou que o Reich duraria mil anos, durou 12. O Führer de São Paulo anunciou o fim da “Cracolândia” para sempre, o que não chegou a acontecer sequer por meio segundo.

João Doria não é apenas prefeito de São Paulo e Führer da casta empresarial, é também um eterno candidato, em permanente campanha. A imprensa burguesa faz parte de sua campanha, anunciando-o frequentemente como “presidenciável”. Não é notícia, é divulgação e torcida. A propaganda em torno de Doria é contínua.

O lema dessa propaganda preparada por profissionais do marketing consiste em dizer que Doria seria um “trabalhador”. É por isso que o Führer se veste de assalariado para ser fotografado tentando imitar os gestos de servidores públicos que realizam trabalhos braçais em sua atividade cotidiana. Doria não é trabalhador e nem um assalariado. É um capitalista.

É conhecida a inscrição que ficava acima dos portões de entrada dos campos de concentração nazistas, como o de Auschwitz, na Polônia: “Arbeit macht frei”, “o trabalho liberta”. Nesse caso o trabalho era real, a liberdade é que era a mentira elaborada pelo marketing nazista.

Doria, o capitalista que se veste de trabalhador, criou sua própria versão improvisada de campo de concentração durante essa semana. Vendido como “gestor”, o Führer provocou com sua política a seguinte situação: segundo reportagem da Folha de S. Paulo, cerca de 20 pessoas estavam dormindo no chão frio de concreto em um abrigo provisório da prefeitura (Acolhidos da cracolândia dormem no chão em espaço da gestão Doria, 23/05/17). Antes funcionava no local uma AMA (Assistência Médica Ambulatorial), que funcionava 24 horas por dia, e agora funciona apenas metade do dia. Outras pessoas estavam dormindo em beliches colocadas em uma quadra.

O concreto como cama não foi a única atrocidade cometida pela prefeitura ao longo da semana. Na noite de quinta-feira (25), pessoas que estavam acolhidas no Centro Emergencial Prates jantaram um macarrão com molho que fez um monte de gente passar mal. É o que mostrou uma reportagem do sítio G1 (Centro Emergencial para a Cracolândia serve comida estragada e acolhidos passam mal, 26/05/2017).

O jantar estragado foi armado por uma empresa privada terceirizada. Doria é um entusiasta de empresas privadas nos serviços públicos. Nos campos de concentração da Alemanha nazista a parceria com a iniciativa privada também vigorava. A IG Farben, por exemplo, fornecia o Zyklon B para as câmaras de gás onde os prisioneiros eram assassinados em massa. Hitler também era um entusiasta da iniciativa privada, e foi um pioneiro do que viria a ser o chamado “neoliberalismo”, privatizando os bancos que tinham sido estatizados depois da crise de 1929 e colocando um banqueiro, Hjalmar Schacht, no comando da economia durante o período anterior à guerra.

Dormir no concreto duro e frio e comer comida estragada ainda não é tudo. Uma ação da prefeitura do Führer foi mais longe, e serve como um símbolo da “gestão” Doria. A prefeitura demoliu a fachada de um prédio derrubando-a em cima de uma pensão próxima, conforme conta uma reportagem da revista Carta Capital (Demolição na Cracolândia deixa feridos e expõe autoritarismo de Doria, 25/05/2017). Antes da demolição não houve nenhum aviso, e três pessoas ficaram feridas, tendo que ser levadas ao hospital.

Doria é uma catástrofe. São Paulo precisa ser libertada de tal desastre que recai sobre o município. Com apenas cinco meses de “gestão”, o Führer já demonstrou que pode afogar a cidade no caos. O prefeito é um perigo para os paulistanos. Hitler passava horas planejando monumentos megalomaníacos com seu arquiteto preferido, Albert Speer. Os dois imaginavam como seriam as ruínas de tais realizações, milhares de anos depois. O Führer de São Paulo, gerente de destroços, é mais prático e objetivo, está construindo uma cidade em ruínas desde já, com gente dentro.


..

Manchester, o MI6, a Al-Qaïda, o Daesh e os Abedi



Segundo a Scotland Yard, o ataque contra os espectadores do concerto Ariana Grande na Arena de Manchester, em 22 de Maio de 2017, foi levado a cabo por Salman Abedi, pois, felizmente, encontraram um cartão de crédito no bolso do cadáver feito em pedaços, do "terrorista".

Este ataque é geralmente interpretado como prova de que o Reino Unido não está envolvido no terrorismo internacional e que, pelo contrário, é uma vítima do mesmo.

Salman Abedi nasceu no Reino Unido e é originado de uma família de imigrantes líbios. Viajou várias vezes para a Líbia, nos últimos meses, só ou na companhia do pai.

Este último, com quem Abedi Ramadan vivia, era o antigo Director dos Serviços Secretos da Líbia. Era perito no acompanhamento do movimento islâmico, mas duas décadas mais tarde, não viu que o seu filho se tinha juntado ao Daesh.

Em 1992, Ramadan Abedi foi novamente enviado para a Líbia pelo MI6 britânico e participou numa conspiração da Coroa Britânica para assassinar Muammar Gaddafi. A operação, que foi rapidamente descoberta e divulgada, foi retirado subrepticiamente pelo MI6 e transferido para o Reino Unido, onde obteve asilo político. Em 1999, estabeleceu-se em Whalley Range (no Sul de Manchester), onde reside a pequena comunidade islâmica da Líbia, no Reino Unido.

Em 1994, Ramadan Abedi voltou para a Líbia, a mando do MI6. No final de 1995, participou na criação do Grupo de Combate Islâmico Líbio (LIFG), a filial da Al Qaeda, ao lado de Abdelhakim Belhaj. Então, o LIFG foi encarregado pelo MI6 de assassinar Muammar Gaddafi a troco de £ 100.000. Esta operação, que também falhou, provocou debate acalorado dentro dos serviços de Sua Majestade, e deu origem à renúncia do nosso amigo David Shayler.

Muitos "antigos membros" do LIFG também viveram em Whalley Range, bem como Abd al-Baset Azzouz, amigo de Abedi,. Em 2009, este úlitmo aderiu à Al Qaeda, no Paquistão, e tornou-se num colaborador próximo de Ayman al-Zawahiri, o líder dessa organização. Em 2011, Azzouz tornou-se num membro activo da operação da NATO contra a Líbia. Em 11 de Setembro de 2012, Azzouz dirigiu a operação contra o Embaixador dos Estados Unidos na Líbia, J. Christopher Stevens, morto em Benghazi. Em seguida, foi preso na Turquia e extraditado para os Estados Unidos, em Dezembro de 2014, onde o seu julgamento ainda está pendente.

Não se sabe se, em 2005, Ramadan Abedi se juntou aos membros do LIFG para formar a Al Qaeda no Iraque e se, em 2011, e participou na operação "Primavera Árabe" do MI6 e de apoiante no terreno, do LIFG junto à NATO. De qualquer forma, ele estabeleceu-se na Líbia, após a queda de Gaddafi e asua família transferida para lá, deixando os filhos mais velhos na casa da família, em Whalley Range.

Segundo o antigo Primeiro Ministro espanhol, José María Aznar, Abdelhakim Belhaj estava envolvido nos atentados de Madrid de 11 de Março de 2004. Mais tarde, foi detido, secretamente, na Malásia pela CIA e transferido para a Líbia, onde foi torturado, não por funcionários líbios ou americanos, mas por agentes de MI6. Finalmente, foi libertado aquando do acordo entre Saif al-Islam Kadhafi [filho de Gaddaffi] e os jihadistas.

Durante a guerra da Líbia, Belhadj que estava exilado no Qatar, regressou à Líbia num avião do Emir, e comandou as operações no terreno em conjunto com a NATO. Em 28 de Julho de 2011, ele organizou o assassinato do general Abdelfattah Younès que alegou ter-se juntado aos "rebeldes", mas que ele acusou de ter ordenado a luta contra o LIFG na década de 1990.

Em Setembro de 2011, Belhadj foi nomeado governador militar deTripoli, pela NATO. Em 2012, apoiado pela organização Irish Mahdi al-Hatari, criou o Exército Sírio Livre, em seguida, voltou novamente para a Líbia. Em 2 de Maio de 2014, foi recebido no Quai d’Orsay [O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês].

Em Dezembro de 2013, após a descoberta nos arquivos do regime líbio de Gaddafi, de uma carta do antigo chefe do MI6, Belhadj instaura uma acção judicial contra o Reino Unido, em Londres, por tê-lo sequestrado e torturado nove anos antes. Em seguida, os Serviços Secretos britânicos, colocam ilegalmente os seus advogados sob escuta telefónica embora tenhams sido forçados a destruir esses registos.

De acordo com o Procurador Geral do Egipto, Hichem Baraket, em Maio de 2015, Belhaj tornou-se o principal líder do Daesh no Norte da África; informação obtida pela INTERPOL. Belhaj instalou três campos de treino do Daesh, na Líbia. em Derna (numa antiga propriedade de Abd al-Baset Azzouz) em Sirte e em Sebrata. Em Outubro de 2016, ele inicia uma nova acção judicial, em Londres, sobre o seu rapto e tortura, desta vez contra o antigo Chefe do MI6, Sir Mark Allen.

O Daesh reivindicou a responsabilidade Manchester, mas sem qualificar Salman Abedi de "mártir". Depois do ataque, Abedi declarou aos repórteres, a sua hostilidade à jihad, que comunicaram com ele por telefone. Também disse que o filho tencionava passar o mês de Ramadan com ele na Líbia e que estava convencido da sua inocência. A pedido do Reino Unido, foi detido pela polícia Líbia.

Tradução 


.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe