sábado, 18 de novembro de 2017

Tucanos se bicam: “Fora, Aécio”. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Os tucanos se bicam. Motivo: sair ou não sair do governo Temer. Incrível, mas é verdade! O inimigo do tucano é também tucano: Aécio X Tasso Jereissati. Parece mentira. No entanto, é verdade...

A FOLHA (12/11), no Editorial, sob o título “Ruína tucana”, portanto opinião do jornal, comenta esse dilema: “Depois de ensaiar algumas vezes sua ruptura com o governo Michel Temer (PMDB), sem chegar a conclusão nenhuma, o PSDB se encontra agora na situação irônica de ver considerada como oportuna, pelo próprio Planalto, a dispensa dos seus serviços ministeriais. (...) É o que indicam, ao menos, as noticiais de bastidores de Brasília. Segundo reportagem desta FOLHA, o presidente já não se empenha tanto em manter os tucanos na administração federal, em nome da paz em sua coalização. (...) Antes de qualquer decisão presidencial, no entanto, o PSDB tratou de aprofundar sua crise na quinta-feira (9/11), quando o senador Aécio Neves, DA ALA PRÓ-TEMER, destituiu seu colega e oponente Tasso Jereissati (CE) da presidência interina da legenda. (...) Já é espantoso que o político mineiro, FLAGRADO EM CONDUTA INDEFENSÁVEL, não tenha se retirado de cena por iniciativa própria ou de seus correligionários. Que ainda preserve tamanha influência dá ideia de quanto os tucanos podem tolerar desmandos gritantes (...) Alegando ter solicitado nada mais que empréstimos pessoais [recebidos por malas!] e ter proposto nada além da venda de um apartamento a Joesley Batista, da JBS, Aécio Neves prossegue incólume no cargo, no partido e NAS SUAS FRÁGEIS EXPLICAÇÕES.” O jornal termina assim o seu Editorial: “Dividido entre suas figuras luminares e seus nomes turvos, entre mensaleiros e donzelões, o PSDB periga naufragar – e, humilhação suprema, NEM MESMO TEMER FAZ MAIS QUESTÃO DE SUA COMPANHIA.”. Sem comentário!

Bernardo Mello Franco constatou: “Depois de perder quatro eleições presidenciais, os tucanos pareciam ter caminho aberto para voltar ao poder em 2018. Em vez de aproveitar o vento a favor, o partido se enroscou na impopularidade de Temer e NOS ROLOS DE AÉCIO COM A POLÍCIA. Perdeu espaço para Jair Bolsonaro e outros aspirantes ao papel de Anti-Lula”. O ex-deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), fundador do partido, foi contundente em seu comentário: “O PSDB como instrumento de modernização acabou. Estamos no velório e em breve será o sepultamento. Pede-se evitar o envio de flores”.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), também comenta a briga do PSDB: “A chance de vitória do PSDB, em 2018, é ser o fator de agregação do centro político. Estamos jogando tudo isso pela janela. Se não percebemos isso, a disputa vai ficar entre Lula e Bolsonaro, E O LULA SERÁ ELEITO TRIUNFALMENTE”.

O Estadão (14/11) publicou com destaque na primeira página: “PSDB deixa Cidades e Temer antecipa reforma ministerial – Bruno Araújo pede demissão e é o primeiro tucano a deixar o governo em meio à grave crise que atinge o partido”. Eliane Cantanhêde comenta no mesmo jornal: “A demissão de Bruno Araújo abre a porta de saída do PSDB do governo, implode o centro e deixa Michel Temer a mercê do Centrão”.

Um fato merece destaque. O Estadão noticiou: “Em convenção paulista [PSDB de São Paulo], tucanos gritam “Fora, Aécio”. Deve-se lembrar que Aécio em 2014 obteve uma votação consagradora em São Paulo. Venceu aqui e perdeu em Minas Gerais, seu Estado. Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão, relembra: “O Brasil inteiro considerava Aécio imbatível em Minas, que governou duas vezes, mas ele perdeu o primeiro e o segundo turno para Dilma Rousseff no Estado e seus candidatos para o governo e depois para a prefeitura de Belo Horizonte. Sua liderança política parece esfarelar. Ou não era tanta quanto se imaginava”. E sua vitória estrondosa no Estado de São Paulo também está sendo contestada com o “Fora, Aécio” dos tucanos paulistas! Será o seu fim político? Na Convenção do PSDB mineiro, ele declarou que será candidato, sim, em 2018: para o Senado (reeleição) ou para o governo do Estado. A CONFERIR!

QUADRILHÃO DO PMDB ROUBA O RIO – O PMDB do Rio de Janeiro formou um “quadrilhão”, que está roubando o Estado. Fazem parte do “quadrilhâo”, o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-deputado Cunha e agora Picciani, presidente da Assembléia Legislativa e mais dois parlamentares, todos do PMDB. Esta história escabrosa ficará para outro artigo.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Propinoduto da Globo pela transmissão da Copa

O empresário argentino Alejandro Buzarco negociava direitos de transmissão. Agora, em Nova York delata no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Buzarco delatou a Globo. Disse: a Globo pagou propina para comprar diretos de transmissão de Copas e campeonatos.

Delatou também a Televisa, gigante mexicana, a Fox, de Rupert Murdoch, a Full Play, argentina, e a espanhola Mediapro. Que negocia direitos no mercado europeu.

Em novembro de 2015, Jamil Chade lançou o livro "Política, Propina e Futebol". Jamil, correspondente do Estadão na Suíça há 18 anos.

Em fevereiro de 2016 relatamos aqui, neste espaço: a página 77 desse livro seguia invisível... (E ainda segue)...

Na página 77 a revelação de procuradores suíços: foi paga propina pelos direitos de transmissão das copas 2002 e 2006.

Naquelas Copas, direitos para o Brasil foram comprados pela Globo.

Agora Buzarco delata: a Globo teria pago propina de US$ 15 milhões pela exclusividade dos direitos para 2026 e 2030.

Licitações e resultados para 2026 e 2030 não tornados público pela Fifa. Porque sequer se escolheu onde serão tais Copas.

A Globo assegura: fez auditoria interna, nunca pagou propina e "não é investigada" no caso...

...O FBI não investiga empresas. Investiga pessoas. Não investiga a FIFA, investiga o Blatter. Não investiga a CBF, e sim Ricardo Teixeira, Del Nero, Marin...

O FBI está investigando ex-funcionários da Globo nesse setor. O principal deles, Marcelo Campos Pinto, ex-diretor que negociava pela Globo.

Todos deixaram a Globo entre 2013 e 2016. Marcelo Campos Pinto, à época da prisão de Marin pelo FBI.

Ao menos quando deixou a emissora, Campos Pinto não teria assinado termo de responsabilidade.

Das emissoras do mundo, Campos era o único que se hospedava, ao mesmo tempo, onde estavam dirigentes da FIFA: o hotel Baur Au Lac, em Zurique.

Marcelo Campos Pinto era conselheiro do Comitê de Mídia da Fifa e negociador dos direitos de transmissão para a Tv Globo.

O Jornal Nacional informou não ter conseguido falar com Marcelo Campos Pinto. E a Globo assegura que propinas não foram pagas.

Ricardo Teixeira e Del Nero seguem exilados no Brasil, intocáveis. Mas... tem o Nuzman...


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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

[ Parte 13 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


O jornalista Silvio Navarro consumiu todas as páginas do livro “Celso Daniel, política, corrupção e morte no coração do PT” para cristalizar uma mentira conceitual que, de tão repetida antes mesmo de lançar aquela sequência de páginas recheadíssimas de ficção, tornou-se verdade aos olhos, ouvidos e mentes populares. 

Que mentira é essa que vira verdade? A de que o empresário e primeiro-amigo do então prefeito de Santo André fora o mandante do assassinato que abalou o Brasil naquele 20 de janeiro de 2002, domingo, quando foi anunciado que aquele corpo estendido numa estrada de terra batida na periferia da Região Metropolitana de São Paulo era de Celso Daniel. O primeiro-amigo é Sérgio Gomes da Silva. Há exatamente um ano ele morreu num leito de hospital.

Sérgio Gomes da Silva recebeu da força-tarefa do Ministério Público o codinome estigmatizador de “Sérgio Sombra”. Tudo para caracterizar a imagem de um bandido a ser crucificado em todas as praças. Sérgio Gomes era conhecido nos bastidores da Prefeitura de Santo André como Sérgio-Chefe. “Sombra” não constava das relações oficiais de Sérgio Gomes. Integrava o léxico de alguns adversários do petista. Era próximo de Celso Daniel como ninguém.  

Sempre que se falar da atuação de Sérgio Gomes da Silva no caso Celso Daniel é preciso lembrar que tanto a Policia Civil de São Paulo, em três investigações, quanto a Polícia Federal, em uma, jamais o apontaram como mandante do crime, como insistiu literalmente até a morte o Ministério Público Estadual. E insistirá sempre que o crime for objeto de tratamento da mídia. 

Bode expiatório do MP
Sérgio Gomes da Silva foi o bode expiatório de uma operação que logrou inteiro êxito, determinada pelo grupo de estratégia política do governador Geraldo Alckmin logo após a estrondosa repercussão do sequestro seguido de assassinato.

A criminalização de Sérgio Gomes da Silva, que passou as últimas horas daquela sexta-feira com o então prefeito de Santo André, num restaurante da Capital, foi a fórmula encontrada pelos tucanos para jogar a bomba da espetacularização do crime no colo petista. E também, ou principalmente, uma réplica de guerrilha eleitoral de lideranças petistas por conta do estado lamentável do setor de Segurança Pública no Estado. Na guerra político-eleitoral (as eleições para governador do Estado e para a presidência da República seriam disputadas oito meses depois) quem pagou caro foi Sérgio Gomes da Silva.

Não se encontrará jamais no livro de Silvio Navarro um capitulo que, mais que o registro, contextualize o assassinato de Celso Daniel ao ambiente de Segurança Pública em frangalhos que, principalmente a Região Metropolitana de São Paulo, vivia. Era o caos. A morte de Celso Daniel teve repercussão internacional e levou o governador a alterar a política no setor. Substituiu um secretário defensor dos Direitos Humanos desde os tempos de Mário Covas, titular do Palácio dos Bandeirantes, por um secretário de linha-dura. A imprensa favorável à versão de crime de encomenda, municiada pela força-tarefa dos promotores criminais instalados em Santo André, raramente situou o crime ao estado de penúria do ambiente criminal sobretudo na Região Metropolitana de São Paulo.

Ambiente criminal desprezado
O jornalista que produziu um livro pontuado de imprecisões, omissões e tantas outras imperfeições para vender a mensagem de que o crime fora cometido intelectualmente por Sérgio Gomes da Silva, por conta das então supostas propinas na Prefeitura dirigida por Celso Daniel, reservou poucas linhas ao ambiente criminal de São Paulo naquele janeiro de 2002. Leiam: 

No Estado de São Paulo, a segurança pública era justamente o calcanhar de Aquiles do PSDB na época, às voltas com índices de criminalidade alarmantes. Na virada do século, o território paulista vivia uma onda crescente de sequestros. Foram 321 casos em 2002, contra 227 em 2001 e 63 em 2000. Quem morava em São Paulo andava perturbado com o temor de acordar num cativeiro e os meios de comunicação lembravam isso todos os dias. A capa do jornal Folha de S. Paulo da segunda-feira, dia 21, foi praticamente toda dedicada ao crime. “Morte de prefeito sequestrado piora crise na segurança de São Paulo” era a manchete. (...) O PSDB estava muito preocupado com o impacto daquele crime nas urnas. Tanto que o próprio governador paulista, ao lado de seu secretário de Segurança Pública, Marcos Vinício Petrelluzzi, que deixaria o cargo em 22 de janeiro, não descartou a tese petista de que a morte poderia ter razão política; “Não podemos ignorar que é o segundo prefeito importante do partido assassinado – disse Alckmin”. 

Editorial da Folha de S. Paulo 
Silvio Navarro poderia ter rebocado às páginas do livro o Editorial da Folha de S. Paulo daquela edição de 21 de janeiro de 2002. Leiam o que a Folha escreveu sob o título “Segurança no cativeiro”: 

O sequestro e a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, encaixam-se perfeitamente na sequência de atos audaciosos e brutais que o crime organizado vem perpetrando no Estado de São Paulo. Se houve motivação politica no assassinato, hipótese que não pode ser descartada, então algo de inominável gravidade terá sido acrescido à vida pública do país. Na noite de sexta-feira, Celso Daniel foi sequestrado na zona sul da cidade de São Paulo. Na final da manhã de ontem, seu cadáver foi encontrado em Juquitiba (a 78 quilômetros da capital), crivado de balas. Dos sequestradores pouco se sabe. De suas intenções, idem. Ao que consta, nenhum contato foi feito com a família do prefeito do PT. Houve ligações de um grupo obscuro para o telefone celular do senador Eduardo Suplicy. Mas as autoridades as tomaram como uma ação de pessoas que nada teriam a ver com o crime, mais uma ousadia oportunista da bandidagem. 

Mais Editorial da Folha 
Em setembro, outro prefeito petista, Antonio da Costa Santos, de Campinas, foi morto a tiros em circunstâncias até agora não esclarecidas. Essa coincidência impele as autoridades policiais a investigarem também a hipótese de crime político. Como sempre, depois de arrombada a porta, se recorre ao cadeado. Foi preciso que a ousadia do banditismo organizado chegasse ao ponto de sequestrar e assassinar o político que cumpria seu terceiro mandato na direção da maior cidade do ABC Paulista para que o governo do estado se movesse. Geraldo Alckmin marcou para hoje uma reunião em caráter de urgência com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Lá pretende apresentar novas propostas para a segurança pública. Mais policiais nas ruas, recompensa para quem denunciar criminosos e unificação das policias estariam entre elas. É tarde, infelizmente, para preservar a vida de Celso Daniel e a de tantas outras vítimas da violência que se expande sem parar nas grandes cidades brasileiras. Mas é preciso reagir.

Artigo de Vinícius Freire
É claro que o escopo do livro escrito por Silvio Navarro não abria espaço ao contraditório e, principalmente, à realidade dos fatos nos sentido mais amplo da expressão. Na mesma Folha de S. Paulo daquela segunda-feira, 21 de janeiro de 2002, o jornalista Vinicius Torres Freire escreveu sobre o assassinato de Celso Daniel sob o título “Terror e terrorismo em São Paulo”. Leiam: 

 “O que mais pode acontecer” e “Pode ter sido qualquer coisa” são uma pergunta e uma resposta que escapam a toda hora da boca dos brasileiros aterrorizados pela bandidagem descarada, os paulistas em particular. Muita vez ditas em tom de incredulidade rotinizada e vazia, tais palavras no entanto parecem muito adequadas a nós, que nos assemelhamos a pessoas em estado de choque, brutificadas por medo ou violência tão difusos quanto absolutos. É o balbucio dos desorientados, de quem não vê mais razão ou saída para o terror que é ou pode ser vítima, aleatório e desvairado. O terrível assassinato de Celso Daniel pode ser obra de terrorismo político. Que dois prefeitos do PT tenham sido mortos em cinco meses pode ser também obra de coincidências, pois tanta gente é violentada e morte. Qualquer terror parece possível mas, ainda que bestificados, sabemos de onde ele vem. Vem da desmoralização de normas e de instituições, em parte tomadas pelo crime, público ou privado. Da tolerância com facínoras, em especial da tolerância exemplar com facínoras ricos e poderosos. Da fartura de armas de fogo.

Mais artigo de Vinicius Freire 
A política é podre e apodrece na mansuetude com que é tratada pelos governos, vide a leniência tucana com insubordinações e ousadias de policiais paulistas; vida fábulas como o “plano de segurança” de FHC natimorto há dois anos. A bandidagem ri desabrida das cadeias de onde foge, voando ou sob a terra, ou que toma em rebeliões rotineiras e controla com a carceragem cúmplice. A desordem se vê na criação de milícias particulares à matroca – privatizaram a polícia. Difunde-se com narcomáfias, umas já instaladas em governos, parlamentos e Justiças. O horror vicejou enfim na grande desesperança do Brasil de 20 anos de crise, no cinismo que prosperou quando a expectativa de vida decente tornou-se objeto de ridículo, pois gerações cresceram em meio à desigualdade social extrema, expropriadas de valores, dignidade e de futuro, no país mais injusto do mundo. 

Artigo de Fernando Rodrigues 
Ainda naquela edição de 21 de janeiro de 2002, um dia após o enterro do corpo de Celso Daniel, é bom lembrar insistentemente, também na página de artigos da Folha de S. Paulo, o jornalista Fernando Rodrigues escreveu sobre o caso, sob o título “O assassinato e a eleição”. É claro que Silvio Navarro não fez qualquer menção ao artigo. Leiam: 

Uma morte pode alterar o desfecho de uma eleição. Em 1988, a Prefeitura de São Paulo estava nas mãos de Paulo Maluf. As mortes de três operários em Volta Redonda, numa greve da CSN, ajudaram a então petista Luiza Erundina a vencer a disputa na reta final. É evidente que Erundina não foi vitoriosa por causa de Volta Redonda. Mas é inegável a ajuda indireta que o lamentável episódio lhe prestou. A morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, de forma bárbara, terá consequências políticas neste ano eleitoral. Ainda é impossível precisar quais serão os efeitos nas urnas. Só não resta um centímetro de dúvida sobre o uso eleitoral – aliás, legítimo – que o PT fará daqui para a frente do debate sobre segurança pública. É justo o PT priorizar o assunto. Trata-se de uma das principais preocupações da sociedade em grandes centros. Além disso, vários petistas foram vítimas diretas da violência no Estado de São Paulo. Já há dois prefeitos mortos (de Santo André e de Campinas). Outros dois estão vivos, mas foram alvos de atentados (nas cidades de Catanduva e Embu). 

Mais artigo de Fernando Rodrigues 
“Vamos mobilizar a sociedade. A segurança pública tem de virar prioridade” diz o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu. “Vamos convidar a população a usar roupas brancas. Vamos fazer manifestações. Pedir que o comércio feche as portas por um período como forma de protesto”, exemplifica o deputado Aloizio Mercadante, candidato ao Senado pelo PT de São Paulo. E não é só isso. “Está prometido”, disse o deputado José Genoino, candidato petista ao governo de São Paulo, ao responder a um pedido do locutor esportivo Milton Neves, numa entrevista ao vivo para a rádio Jovem Pan, no início da tarde – pouco antes do jogo do Corinthians. A promessa ouvida pelos torcedores: apresentar um projeto de lei para aumentar a pena de prisão contra sequestradores. O PT, aos poucos, encontra seu novo discurso deste século 21. 

Editorial do Estadão 
Para completar, embora a oferta de exemplares de manifestações de jornalistas e especialistas em segurança pública seja imensa quando do assassinato de Celso Daniel, o jornalista Silvio Navarro poderia ter recorrido ao Editorial (espaço nobre de opinião de uma publicação) do concorrente da Folha de S. Paulo, o jornal O Estado de São Paulo, do dia 22 de janeiro, dia seguinte ao enterro do corpo de Celso Daniel. Ali está um retrato bem acabado do estado de penúria da Segurança Pública paulista, situação que, mais tarde, foi confirmada pelas investigações policiais como gênese do sequestro e do assassinato de Celso Daniel. Repasso integralmente aquele Editorial: 

O sequestro e o assassinato do prefeito Celso Daniel provocaram a justa indignação da população e dos políticos, despertando nos últimos a lembrança de que existem parados no Congresso projetos que poderiam, se estivessem aprovados há mais tempo, ter contribuído para interromper a onda de violência que aterroriza as cidades brasileiras e São Paulo, em particular. O crime hediondo que vitimou Celso Daniel está tendo grande repercussão por ter sido ele três vezes prefeito de Santo André, coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e um dos políticos mais populares e queridos do Interior paulista. Muitas outras pessoas tiveram o mesmo destino trágico de Celso Daniel sem que houvesse a comoção popular que marca esse caso. Assaltos, sequestros, homicídios tornaram-se parte do cotidiano dos paulistas e foi preciso que alguém com o perfil do prefeito de Santo André fosse vítima de um crime bárbaro – que assim como o que vitimou o prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, em setembro, não parece ter tido conotação político-ideológica – para que abalasse a letargia em que as autoridades estaduais pareciam estar diante da ousadia crescente dos criminosos. 

Mais Editorial do Estadão 
Os níveis extravagantes a que chegou o crime em São Paulo – resultado direto da cumulativa incompetência de sucessivos governos – autorizam dizer que as cada vez mais ousadas façanhas do banditismo até superam, em matéria de vítimas e de efeitos profundos sobre o cotidiano de milhões de pessoas, o ataque terrorista sofrido pelos americanos em setembro. Daí não ser exagerado que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Geraldo Alckmin falem, agora, em guerra contra o crime. Mais do que declarar a guerra, no entanto, é preciso travá-la com eficiência e pertinácia – até agora não demonstradas pela polícia – para que os bandidos de toda espécie saibam que os tempos da impunidade acabaram e o crime, finalmente, não compensa. 

Mais Editorial do Estadão 
É preciso definir e pôr em prática o quanto antes as medidas capazes de prevenir e reprimir, com a máxima dureza autorizada em lei, a escalada de banditismo. Cita o governador paulista a torto e a direito o número de sequestradores presos ou mortos. Mas o fato é que no ano passado houve 307 sequestros no Estado, perto de cinco vezes mais do que em 2000. Há um limite para a sociedade suportar o cativeiro que lhe impuseram os malfeitores, as grades que a cercam em casa e no trabalho, a necessidade de elaborar estratégias de sobrevivência cada vez mais complicadas e psicologicamente onerosas. Há um limite também para a desmoralização do Estado, para o seu fracasso em cumprir o que é literalmente o seu dever elementar – garantir a vida das pessoas. 

Mais Editorial do Estadão 
Esse limite foi ultrapassado muito antes da tragédia deste domingo. Mas, para não ser apenas uma tragédia a mais, o assassínio de Celso Daniel precisa representar um divisor de águas. Infelizmente, não há razão para apostar nesse resultado. A flacidez, a falta de doutrina, de articulação, de comando, de profissionalismo e de energia no combate ao crime no Estado; o envolvimento de policiais civis e militares com os bandidos; a naturalidade com que a Secretaria de Segurança Pública registra as dezenas de homicídios que ocorrem todo fim de semana na Grande São Paulo; a notícia inacreditável de que, três dias depois do resgate aéreo de dois presos em Guarulhos, a polícia ainda não tinha o retrato falado dos sequestradores do helicóptero utilizado na operação – tudo isso evidencia um descalabro que não mais pode ser tolerado pela população.

Mais Editorial do Estadão 
Quem viu o governador de São Paulo no domingo falando na televisão sobre as medidas que irá adotar imediatamente para conter a criminalidade ficou com a impressão de que ele estava admitindo tacitamente o descalabro a que chegou a segurança pública em São Paulo. A pena de prisão perpétua para os sequestradores, o bloqueio dos bens das vítimas de sequestros e de seus familiares e o controle da venda de telefones celulares pré-pagos são medidas de regulamentação federal. Mas a oferta de recompensa para quem der informações que levem à captura de sequestradores consta de lei aprovada no ano passado e até agora não regulamentada pelo governador. A contratação de seis mil estagiários para ocupar funções burocráticas que estão sendo desempenhadas por policiais militares – que serão liberados para policiar as ruas – não é ideia nova e sua implementação depende apenas de um ato administrativo do governador. Explica-se a perplexidade de Alckmin diante da brutalidade de que foi vítima Celso Daniel. O que não se explica é a demora em adotar medidas tão comezinhas para aumentar a eficiência do combate ao crime.



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Arte degenerada ( conto )



Varios membros de uma comunidade direitista recebem mensagens sobre um evento de "arte pornográfica" que se realizará em determinado local, dia tal, hora tal.
A despeito da escassez de informações, eles já começam a combinar a invasão do lugar para impedir que tal evento ocorra.
Onde já se viu? O país precisa ser descontaminado desse tipo de 'arte'.
Chega a data e eles se reunem em frente a um prédio em um bairro distante do roteiro habitual onde costumam ocorrer esses eventos artísticos.
Uma faixa estendida na fachada do prédio estilo decadente informa: "Exposição suja de arte degenerada. É aqui mesmo".

- É aqui mesmo!
- Será?
- Você não leu a faixa não?
- Cadê?
- Ali, ó. "É aqui mesmo"...
- Ah, então é aqui mesmo.
- Vamo invadr essa porra!
- Tá com a Bíblia aí?
- Tô sim.
- E mais umas coisinhas pra presentear esses comunistas.
- Vem cá, gente.
- O que?
- Tá meio vazio. Não entra ninguém, nem sai ninguém.
- Certo. Maior fracasso de público, mas foda-se.
- Vamo acabá com a festa deles logo.
- VAMO!

Eles entram no lugar. O grupo conta com uns 20 individuos. Camisas da CBF. Bíblias. Cartazes. Porretes, pra qualquer eventualidade.

O prédio é cheio de corredores. Cada corredor tem uma placa informando a direção do evento. Nada de porteiros.

- Entra a direita ali, ó.
- Agora sobe três lances de escada.
- Credo, que lugar.
- Comunista é tudo mendigo, tem que fazer arte em prédio fuleiro mesmo.
- Ei, é ali ó.

Eles entram numa sala ampla e vazia. Um cartaz diz que é ali o lugar.

Não há ninguém.

A luz no ambiente é fraca.

Vazio, não.

Há uma espécie de balcão no centro do lugar.

- Vamo olhar lá.

Eles se aproximam do balcão.

Só encontram um vibrador de 30 cm com uma etiqueta onde se lê:

"Parabéns, otários!"

- Mas que merda é essa?
- Uma brincadeira?
- CADÊ VOCÊS SEUS COMUNISTAS VIADOS?
- Tão com medo?

A luz se apaga.

- O q-quê?
- Apagou tudo!
- Cadê a saída?

CLAC!
CLIC!

Sons de portas e janelas se fechando.

- Vamos sair!
- Mas...
-... mas sair por onde?
- Caralho, o celular não funciona aqui dentro.
- Mamãe, fodeu!

FIM


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sábado, 11 de novembro de 2017

Tucanos vão descer do muro? - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Os tucanos estão num dilema: saem ou permanecem no governo Temer, onde têm quatro Ministérios? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo no Estadão, defende o desembarque do partido. Os tucanos agora vão descer do muro? O PSDB está dividido. Uma parte, maioria, quer se afastar de Temer. Outra, minoria, mas que está no governo, OBVIAMENTE, é contra o desembarque, incluindo aí o senador Aécio Neves (PSDB–MG), presidente licenciado do partido. Analistas políticos analisam esse dilema, como veremos a seguir.

João Domingos, no texto “Temer não tem como segurar os tucanos”, analisa: “Dificilmente o presidente Michel Temer conseguirá segurar no cargo os ministros do PSDB. Não só por causa da pressão do “Centrão”, que quer o PSDB fora e tem mantido bom índice de fidelidade a Temer, mas também porque, se não fizer nada, Temer corre o risco de ser atropelado pelo desembarque tucano. (...) A rigor, Temer não precisa mais do PSDB, pois já se livrou das duas denúncias do ex-procurador Rodrigo Janot. Os votos do PSDB foram importantes para mandar as ações para o arquivo, mesmo que o partido não tenha lhe garantido nem a metade deles. Se Temer já não precisa mais do PSDB, o PSDB também não quer mais ser identificado com o governo do PMDB. Como disse FHC em artigo no ESTADO, os tucanos correm o risco de se tornarem coadjuvante na eleição presidencial se permanecerem no governo. (...) Agora que desistiu de aprovar a reforma da Previdência, e passou a tarefa a Rodrigo Maia, Temer sabe que tem condições de sobreviver até o fim do mandato só com a parceria dos partidos que se mantiveram fiéis e estão de olho nos ministérios dos tucanos (sic)”.

Kennedy Alencar, no artigo “Temer quer deixar para o PSDB ônus de eventual traição”, comentou: “Em relação à defesa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de desembarque do PSDB do governo em dezembro, aliados do presidente Michel Temer no Congresso argumentaram que o PSDB deveria romper imediatamente (sic). Esses aliados pressionam o presidente a retaliar, demitindo ministros tucanos. (...) No entanto, não interessa a Temer tomar a iniciativa de ruptura com o PSDB. Afastar ministros seria dar um pretexto para fortalecer a ala contrária ao governo. (...) A tendência do presidente é deixar o ônus da marca da eventual traição aos tucanos (sic), se a maioria do partido decidir tomar esse caminho em dezembro, como prega FHC. Mas uma ala do PSDB avalia que seria pior romper com o presidente a essa altura do campeonato depois de ter feito essa longa caminhada ao lado do peemedebista”.

Josias de Souza, no artigo “FHC não notou, mas PSDB já virou coadjuvante”, escreveu: “O habitat natural do PSDB sempre foi o muro (sic). Com Michel Temer, os tucanos finalmente desceram do muro. Só que de lados diferentes. Metade do partido queria a continuidade das denúncias contra Temer. A outra metade festejou o sepultamento das investigações na Câmara. De repente, Fernando Henrique Cardoso despertou: “É hora de juntar as facções internas e centrar fogo nos adversários externos”, disse ele, num artigo em que defendeu a saída do PSDB do governo Temer. (...) FHC voltou à carga: “Ou o PSDB desembarca do governo na Convenção de dezembro próximo, ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória”, escreveu FHC, adiando novamente (sic) o rompimento para o mês que vem. (...) É como se o tucanato imitasse um sujeito brigão que diz que vai quebrar a cara do outro, mas demora tanto tempo para levantar da cadeira que compromete a seriedade da cena. FHC ainda não se deu conta. Mas seu partido já virou coadjuvante de 2018. Para retornar ao centro do palco, precisa recuperar o discurso, o rumo e o senso do ridículo”.

Sabe quando os tucanos vão sair de cima do muro? NUNCA!

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo quando se noticiou: Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, afastou da direção do partido Tasso Jereissati, presidente interino, indicando para o lugar dele Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo. Segundo Bernardo Mello Franco, “os aliados de Tasso definem sua degola como um “golpe” [mais um!] articulado com Michel Temer”. Se não é verdade, É BEM PROVÁVEL...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 4 de novembro de 2017

Vampeta e a delação de Funaro. Por Jasson de Oliveira Andrade

Em delação, Funaro revelou que comprou um flat (apartamento) de Vampeta. O destino do apartamento era para o ex-deputado Eduardo Cunha que o presenteou à enteada. O negócio do Vampeta (venda do Flat) não é ilegal. No entanto, teve enorme repercussão.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “Vampeta vai para o céu”, comentou: “Em 2002, Vampeta entrou para a crônica política numa visita da seleção pentacampeã a Brasília. Após ser condecorado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o jogador desceu a rampa do Planalto às cambalhotas. Tempos depois, ele ofereceria uma explicação para o excesso de irreverência. “Lógico que eu estava bêbado. A gente bebe sem ganhar nada, imagina sendo campeão do mundo. Eu estava pra lá de Bagdá mesmo”, contou. (...) Nesta terça feira [31/10], o ex-jogador reapareceu no noticiário da capital. Ele foi citado pelo delator Lucio Funaro em mais uma negociata atribuída a Eduardo Cunha.. O doleiro disse ter comprado um flat [apartamento] de Vampeta para ceder à enteada do peemedebista. A repórter Camila Mattoso entrevistou o ex-volante, que não foi acusado de nenhum ato ilegal (sic). Malandro, ele ainda fez piada com o episódio. (....) “Queria ser amigo desses caras, pra eles colocarem R$ 51 milhões na minha conta”, disse, citando a quantia encontrada no bunker do ex-ministro Geddel Vieira Lima, “Se fosse comigo, diria que era bicho pelas tantas vitórias em cima do Palmeiras e do São Paulo”, acrescentou. (...) Além de entregar as roubalheiras do PMDB (sic), Funaro tem criado situações inusitadas nos depoimentos da Lava Jato. Na manhã em que citou Vampeta, ele xingou o empresário Joesley Batista por não pagar uma propina que teria prometido. “Ele deu um tombo em mim, no Geddel e no Eduardo Cunha”, disse indignado. “Se ele fosse me pagar o que me roubou, porque ele é ladrão, seriam R$ 81 milhões”, protestou. (...) Apesar do apelido inspirado no tinhoso, Vampeta é um santo (sic) diante de Funaro e seus amigos do PMDB. Merece ir para o céu sem escalas – e com direito a cambalhotas”. Sem comentário...

Outro fato que também teve enorme repercussão foi o pedido da ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) para receber acúmulo de salário de R$ 61.4 mil. Ela argumenta que, por causa do teto constitucional, só fica com R$ 33,7 mil (sic), situação que “SE ASSEMELHA A TRABALHO ESCRAVO” (destaque meu). Em vista da má repercussão, a ministra desistiu de pedir esse salário!

O Estadão, em Editorial, ironizou a declaração da ministra. O título do Editorial revela a ironia do jornal: “A escrava que não é Isaura”. No texto, o Estadão afirma: “Se Luislinda Valois sente-se insatisfeita, deve pedir demissão do cargo de ministra”. O jornal critica: “O pedido apresentado por Luislinda Valois é manifestação de absoluta incompatibilidade com o cargo que ocupa. O respeito aos direitos humanos tem como requisito primário o cumprimento da lei. Quem busca um privilégio que afronta a Constituição – receber do Estado R$ 61,4 mil mensais – não preenche as condições para ocupar a chefia do Ministério dos Direitos Humanos. (...) Certamente, cabe-lhe o direito de postular suas pretensões salariais e de dizer o que pensa. O que não cabe é fazer tais pedidos e interpretações e continuar ocupando o Ministério dos Direitos Humanos. Se o pesado cargo lhe é demais, alforrie-se. Ela é livre para isso. O que ela chama de “miudezas” está longe de ser miudezas – são acintosos privilégios num país de desprivilegiados (sic)”. É incrível ela estar insatisfeita com o rendimento de R$ 33,7 mil mensais. Além desse bom salário, Luislinda, como ministra, ainda tem: carro com motorista, jatinhos da FAB à disposição, cartão corporativo e imóvel funcional, segundo informou o Estadão!

A ministra desistiu do pedido de aumento (R$ 61,4 mil mensais). Será que vai pedir demissão do cargo, como sugeriu o Estadão? Duvido... Temer a demitirá? Também duvido! A COLUNA DO ESTADÃO informou: “O Planalto empurrou para o PSDB a decisão de manter ou não Luislinda Valois no cargo”. A jornalista Juliana Sofia, em artigo na FOLHA, revelou: “O desatino da ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) pode se tornar o empurrãozinho que faltava ao governo Michel Temer para engatar já uma reforma ministerial”. Será? Não acredito. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Temer ganhou, mas perdeu. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A FOLHA (26/10), em manchete de primeira página, noticiou: “Temer escapa, mas perde apoio”. O Estadão (26/10), também em manchete de primeira página: “Câmara barra 2ª denúncia contra Temer, mas apoio da base diminui”. Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou: “Com toda a imoralidade (sic) para obter votos, o Planalto ainda sofreu para formar maioria. Temer teve alta. Mas respira por aparelhos”. Trocando em miúdo: o presidente ganhou, mas perdeu! Os comentaristas políticos têm a mesma opinião, como veremos a seguir.

Vera Magalhães, no Estadão, analisa: “O clima na Câmara e no Palácio do Planalto ontem [25/10] não era de comemoração, nem mesmo de alívio. A vitória na votação da segunda denúncia contra Michel Temer foi na ponta do lápis, e a intercorrência médica pela qual passou o presidente mostra um homem fragilizado, além do político. (...) Minas Gerais, Estado de Aécio Neves e do relator Bonifácio de Andrada, deu uma votação massiva a favor do presidente. Foi o único Estado em que prevaleceu, ainda, a influência clara do presidente licenciado do PSDB, que na semana passada recebeu a ajuda do Planalto para se manter no exercício do mandato, a despeito da decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)”. Temer salvou Aécio. Agora o senador tucano salvou o presidente!

O governo tem um problema mais preocupante, segundo Vera Magalhães: “Não bastasse ter de se ajoelhar até o fim do mandato no altar da negociação com Maia e o Congresso, Temer não poderá dormir tranquilo enquanto aliados da vida toda estiverem presos e tentados a fazer delação premiada. (...) Será necessário monitorar o pulso de Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves até a reta final do mandato. (...) Vem aí uma convalescença política prolongada para Temer”. A conferir...

Bernardo Mello Franco, no artigo “Ao vencedor, as batatas”, comentou: “Michel Temer é um vencedor. Em junho, ele se tornou o primeiro presidente do Brasil a ser alvo de uma denúncia criminal no exercício do cargo. Foi acusado de pedir propina, obstruir a Justiça e chefiar uma quadrilha (sic), mas não perderá o cargo nem a liberdade. O caso dormirá numa gaveta até 2019. (...) Nos últimos quatro meses, o peemedebista ofereceu de tudo para manter os deputados no cabresto (sic). Seus articuladores leiloaram cargos e emendas na bacia das almas. (...) A operação de compra e venda deu resultado. Nesta quarta [25/10], a Câmara encenou o último ato da blindagem presidencial. A denúncia foi barrada por 251 votos a 233. (...) Temer se sagrou vencedor, mas terá que engolir batatas murchas e amassadas. Sua base de apoio ENCOLHEU (destaque meu), sua impopularidade bateu recorde e seu governo ficou ainda mais fraco e desmoralizado. MESMO ASSIM, ELE TEM O QUE FESTEJAR. É MELHOR CONTINUAR NO PALÁCIO DO QUE ANTECIPAR O ENCONTRO COM OS TRIBUNAIS (destaque meu)”.

PSDB – Na reportagem “Governo Temer sofre perda de votos generalizada e é derrotado no PSDB”, a FOLHA revela: “Se na primeira denúncia o PSDB rachou, mas se inclinou levemente a favor de Temer (22 votos a 21), desta vez o jogo virou: foram 23 votos contra o peemedebista e 20 a favor. (...) Ficaram ao lado de Temer o grupo de Aécio Neves (PSDB-MG), que teve o mandato restabelecido pelo Senado com decisiva ajuda do Palácio do Planalto”.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou uma Nota, condenando a compra de votos, no valor de C$ 32 bilhões, segundo o Estadão: “A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo governo é uma afronta aos brasileiros. (...) O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave”.

Paulo Henrique Amorim, no seu Blog “Conversa Afiada”, assim anunciou o resultado da Sessão na Câmara: “Safados 251 X 233 povo brasileiro”.

Pelo que vimos, é inquestionável que Temer ganhou, mas perdeu. Agora teremos um Zumbi até janeiro de 2019!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

As cartas de Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Josias de Souza diz que “Temer é um defunto com caneta e Diário Oficial”. Com esses ingredientes, o presidente sabe que será inocentado na Câmara nesta semana. Mesmo assim está temeroso. Tanto assim que escreveu uma carta aos parlamentares. A segunda. A primeira foi para a ex-presidenta Dilma.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, comenta essa carta aos deputados: “Na era da comunicação instantânea, Michel Temer se mantém fiel à cartas. Há quase dois anos, ele escreveu uma para informar que não queria ser um “vice decorativo”. Agora enviou outra para avisar que deseja continuar presidente. (...) Na primeira correspondência, Temer enumerou suas mágoas com Dilma Rousseff. “É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo”, disse. Na segunda, ele repete a ladainha para os congressistas. “É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem”, afirma. (...) Na missiva original, o peemedebista negou ser o chefe de uma “suposta conspiração”. “Não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade”, escreveu. Agora ele muda de papel e se diz vítima de conspiradores. “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar”, lamuria-se. (...) As citações em latim sumiram, mas o tom de lamentação continua. “Sei que a senhora não tem confiança em mim”, queixou-se o vice de 2015. “O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa”, chia o presidente de 2017. (...) Na nova carta, Temer faz um uso seletivo do que dizem os presos da Lava Jato. Quando eles o incriminam, repetem “mentiras, falsidades e inverdades”. Quando ajudam a sustentar a sua defesa, merecem ser levados ao pé da letra. (...) O presidente desqualifica o depoimento de Lúcio Funaro, a quem chama de “delinquente conhecido”. Ao mesmo tempo, recorre ao testemunho de Eduardo Cunha, que dispensa adjetivos. Os dois estão na cadeia pelos mesmos motivos, mas só o doleiro decidiu delatar os comparsas. (...) Em outra passagem, Temer se diz vítima de “torpezas e vilezas”. Nesta segunda, ele voltou a praticá-las para barganhar (sic) na Câmara. O “Diário Oficial” publicou um portaria que dificulta a fiscalização do trabalho escravo (sic). A medida atende ao lobby da bancada ruralista, que promete votar em peso para enterrar a denúncia contra o presidente.” Com essa medida desumana, Temer vai se salvar. No entanto, sua salvação vai custar caro para o Brasil. Segundo o Estadão (25/10), “O custo para barrar as investigações contra o presidente já chega a R$ 32 bilhões (sic), entre concessões e medidas negociadas”. Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

Eliane Cantanhêde, no Estadão, também comenta essa carta: “Para falar direto com sua base, sem mediação do presidente da Câmara [Rodrigo Maia], Temer enviou carta para deputados reagindo às “torpezas e vilezas”, inclusive a delação de Funaro, que Maia potencializou pela internet. Para o Planalto, Maia fez propaganda a favor de Funaro e contra Temer. (...) Então, temos Temer versus Maia, PMDB versus DEM, STF contra Legislativo, agora STF contra Executivo e as delações correndo soltas: Lúcio Funaro contra PMDB, Pedro Corrêa contra PMDB, Geddel Vieira Lima é considerado 100% pronto para delatar... o PMDB”.

Vera Rosa, também no Estadão, escreveu: “O presidente Michel Temer já usou outras vezes a palavra “conspiração” para se referir ao que chama de armadilha montada para incriminá-lo, mas decidiu subir o tom após a divulgação de vídeo nos quais o delator Lúcio Funaro o acusa de participar de um poderoso esquema de corrupção. Embora a carta enviada ontem [16/10] por Temer a parlamentares não cite nem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nem o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, a dupla é vista com muita desconfiança no Palácio do Planalto”. Sobre a palavra “golpe”, a jornalista constatou: “Assim, pouco mais de um ano após ser acusado de ter conspirado para derrubar a então presidente Dilma Rousseff (sic), que sofreu impeachment, Temer agora recorre à expressão que tanto abominou para se defender. Nesse cenário, a tese do “golpe” (sic) – antes usada por Dilma – virou escudo para Temer”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Segundo Funaro, Impeachment de Dilma foi comprado


O Impeachment de Dilma é polêmico. Para mim, houve uma trama entre Temer e Cunha, então presidente da Câmara dos deputados. Ele, segundo se propalava, conseguiu convencer vários parlamentares a votarem na iniciativa. Depois Cunha foi afastado da Presidência e posteriormente cassado. Hoje se encontra preso, condenado a mais de 15 anos de prisão. Sem a sua ajuda não haveria o Impeachment. Por este motivo, denomino a queda da ex-presidente como um Golpe Parlamentar. Com a delação de Funaro, ficou-se sabendo que Cunha COMPROU o Impeachment!

A FOLHA (15/10), na reportagem “Cunha pediu R$ 1 mi para impeachment, segundo Funaro”, noticiou: “O operador Lúcio Funaro afirmou em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República) que repassou R$ 1 milhão para o ex-deputado Eduardo Cunha “comprar” (sic) votos a favor do impeachment de Dilma Rousseff. (...) Funaro disse que recebeu uma mensagem de Cunha, então presidente da Câmara, dias antes da votação no plenário em 17 de abril de 2016. (...) “Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível PARA COMPRAR ALGUM VOTO ALI FAVORÁVEL AO IMPEACHMENT (destaque meu). E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão e que eu liquidaria isso para ele em duas semanas no máximo”, disse. (...) A FOLHA teve acesso ao depoimento prestado por Funaro à PGR em agosto deste ano. Seu acordo de delação foi homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal). No depoimento, um procurador questiona: “Ele (Cunha) falou expressamente comprar votos?”. Funaro respondeu: “COMPRAR VOTOS” (destaque meu). O delator disse que o R$ 1 milhão acabou sendo repassado (sic). “Consolidou esse valor?”, perguntou a PGR. “Consolidei o valor”, disse o operador, preso na Papuda. (...) “Depois de uma semana de aprovado o impeachment, comecei a enviar o dinheiro para ele [Cunha] ir pagando os compromissos”, disse Funaro. O delator deu um exemplo de deputado “comprado” (sic) o nome de Anibal Gomes (PMDB-CE), que acabou faltando à sessão de votação do impeachment. (...) Em nota, Cunha repudiou as declarações do operador financeiro”. Aí fica a palavra de Funaro contra a de Cunha, desmentindo. No Painel do Leitor (FOLHA, 16-10), Eduardo Guiliani (São Paulo, SP), comentou: “Cunha sempre mentiu, consistentemente, desde o caso do dinheiro na Suiça, sendo assim, tudo o que Funaro disse deve ser verdade. A negação de Cunha, por inferência, é a maior prova da certeza”. Tudo indica que realmente Cunha recebeu dinheiro de Funaro para comprar deputados a favor do impeachment. No Estadão, na matéria “Pontos-Chave da Delação”, revela: “Papel de Cunha – Segundo Funaro, o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) funcionava como “banco de corrupção de políticos” (sic) e redistribuía o dinheiro recebido do esquema. “Todo mundo que precisava de recursos pedia para ele e ele cedia os recursos em troca ele mandava no mandato do cara. Era assim que funcionava”. Se alguém ainda tinha dúvidas à respeito, essa confissão do operador esclarece definitivamente o assunto: O IMPEACHMENT FOI COMPRADO...

Não é a primeira vez que os deputados são comprados. Fernando Henrique também comprou, como mostrou o jornalista Palmério Dória, no livro “O Príncipe da Privataria – a história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou (sic) sua reeleição”, publicado em 2013. Na Apresentação, o jornalista revela: “Da aprovação da reeleição, fala uma figura essencial na denúncia da trama urdida no Palácio do Planalto. É o Senhor X que, após quase duas décadas, mostra o rosto [revela o nome] e rompe o silêncio para contar, em detalhes, como comprovou a compra – R$ 200 mil por voto – de deputados para a aprovação da emenda da reeleição”. Em 2/6/2016, o Estadão revelou: “Em sua delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), disse que líderes governistas “compraram votos” de “mais de 50 deputados’ para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no País, em 1997. O ex-deputado também afirmou que o caso foi investigado na época, mas o governo [FHC] “teve força política suficiente para abafar tudo”. (...) O ex-deputado afirmou aos investigadores que o episódio envolvendo o governo do tucano “foi um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou. Segundo o delator, houve uma disputa de propinas”. Esta delação de Pedro Corrêa confirma o livro de Palmério Dória!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Quem deu Golpe: Temer ou Janot? Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Tivemos dois Golpes no Brasil. Em 1964, os tanques saíram às ruas e depuseram o presidente João Goulart, o Jango. Os “Anos de Chumbo”, como a Globo denominou o período, durou 20 anos! Já em 2016, com o Impeachment de Dilma, houve o Golpe Parlamentar, desfechado por Temer com a ajuda de Cunha, hoje preso. Houve acusação contra a ex-presidenta. No entanto, se os parlamentares tivessem votado contra o Impedimento, ela ainda estaria no governo. É o que ocorre com Temer. Como ele tem a maioria dos parlamentares, Temer será inocentado da denúncia de Janot. Daí o nome: GOLPE PARLAMENTAR!

Agora, Temer chama a denúncia de Janot de Golpe. Além disto, ainda o ofende. O jornalista Bernardo Mello Franco, em artigo na Folha, sob o título “O golpe de Temer”, escreveu: “Foi golpe! Quem grita agora, veja só, é o presidente Michel Temer. Depois de declarar guerra à palavra martelada pelos petistas, o peemedebista resolveu reabitá-la em causa própria. As cinco letras aparecem com destaque na defesa entregue à Câmara nesta quarta [4/10]. No documento, os advogados de Temer sustentam que o Ministério Público Federal tentou “dar um golpe (sic) e destituir o presidente da República”. É assim que a defesa descreve a denúncia que acusa o presidente de praticar dois crimes: organização criminosa e obstrução da Justiça. (...) A peça recorre à tática de desqualificar o acusador. Autor da denúncia contra Temer, o procurador Rodrigo Janot é comparado a um “pistoleiro” (sic). Em outro trecho, a defesa afirma que o ex-chefe da Lava jato foi “ANTIÉTICO, IMORAL, INDECENTE E ILEGAL” (destaque meu). Para reforçar os ataques a Janot, os advogados reproduzem declarações do ex-deputado Eduardo Cunha, preso e condenado a 15 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Eles também citam frases do ministro Gilmar Mendes, conhecido frequentador (sic) do Palácio do Jaburu. (...) Além de sustentar que o procurador seria movido por uma “doentia obsessão”, a defesa ataca jornalistas ao dizer que o presidente é vítima de um “torpe e infame tratamento dispensado por parte de uma imprensa irresponsável e leviana”. (...) Os deputados que engavetaram a primeira denúncia contra Temer são descritos com palavras mais doces. Segundo os advogados, a Câmara “não é composta por bandoleiros, mas por homens e mulheres que e dedicam ao atendimento das necessidades da população brasileira”. (...) Nesta semana, suas excelências voltaram a fazer fila no Palácio do Planalto. Só na terça-feira [3/10], Temer recebeu mais de 50 deputados. Eles pediram verbas, emendas e nomeações (sic) para votar a favor do governo. Um dos cargos mais cobiçados tem significado especial para os alvos da Lava Jato: a direção do Departamento Penitenciário Nacional”. Esta ironia do jornalista é de amargar!

Voltando ao assunto deste artigo: O golpista Temer acusa Janot de golpista. Na verdade, quem deu o golpe parlamentar foi o presidente e agora, cinicamente, acusa o ex-Procurador de fazer o que ele fez! Bernardo Mello Franco tem razão ao dar o título de seu artigo: O GOLPE DE TEMER!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 1 de outubro de 2017

O afastamento de Aécio. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A decisão do Supremo, por 3 votos a 2, em afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) está causando uma controvérsia entre o Senado, que deseja anular o afastamento, com a Justiça. Bernardo Mello Franco, em artigo publicado na FOLHA comenta o impasse: “A reação ao afastamento de Aécio Neves é muito mais do que uma tentativa de salvar a pele do tucano. O Congresso vê o caso como uma chance de ouro para medir forças com o Judiciário e impor algum tipo de freio à Lava Jato. (...) Além de suspender o mandato do mineiro, a primeira turma do Supremo determinou seu recolhimento noturno. A medida inflamou os parlamentares que acusam o tribunal de extrapolar na interpretação da lei. (...) Eles argumentam que a Constituição só permite a prisão de congressistas em flagrante de crime inafiançável. (...) O problema é que o Código de Processo Penal define o recolhimento como medida “diversa da prisão”. Por isso, os ministros que votaram pela punição entendem que não cabe consulta alguma aos senadores. (...) A salvação de Aécio interessa em primeiro lugar ao PSDB e ao governo Temer, que conta com ele para arquivar mais uma denúncia contra o presidente.” Ou seja, para salvar a própria pele!

Eu não votei em Aécio, mas o considerava um político honesto. Enganei-me. A propina que recebeu de Joesley não foi para pagar o advogado, como cinicamente diz. O dinheiro foi entregue em malas, através de seu primo Fred. Isto foi filmado e ninguém pode negar. Nunca se viu empréstimo desta maneira. NUNCA! Luís Roberto N. Ferreira (Santos,SP), em carta ao Painel do Leitor (FOLHA), escreveu: “Falta hombridade ao senador Aécio Neves ao tentar se escudar em justificativas indefensáveis para declarar-se inocente. Quem, em sã consciência, acredita que uma operação regular de empréstimo pessoal no montante de R$ 2 milhões seria realizada por meio de malas de dinheiro?” Já Clovis Rossi, também na FOLHA, foi mais incisivo: “O caso Aécio não é jurídico, mas de ausência de caráter.” O Senado poderá reverter a punição. No entanto, essas verdades não serão apagadas da vida política de Aécio!

UM ANDRADA PARA SALVAR TEMER - A FOLHA noticiou em manchete: “Aliado vai relatar denúncia contra Temer na Câmara – Escolha de Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) foi comemorada no Planalto”. O jornal informa que o deputado tucano é “aliado do senador Aécio Neves” e que sua escolha “ampliou o racha interno no PSDB”. Sobre o deputado, a FOLHA diz: “Advogado e professor, integra uma tradicional família de políticos, a linhagem de descendentes de José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos principais articuladores da independência do país”. Tem 87 anos e votou ao lado de Temer na primeira denúncia. A sua escolha se deve a essa posição anterior dele, bem como para dividir o PSDB. O líder da bancada pediu que não se escolhesse um tucano como relator, mas os governistas não atenderam o pedido!

Bernardo Mello Franco, no artigo “Andrada está com os 3%” (FOLHA, 29/9), comentou essa escolha: “A nova pesquisa CNI-Ibope revelou que apenas 3% dos brasileiros aprovam o governo de Michel Temer. Neste seleto grupo está o deputado Bonifácio de Andrada, do PSDB de Minas Gerais. (...) Aos 87 anos, o tucano vai relatar a nova denúncia contra o presidente. Seu voto é mais previsível que a chegada do Natal em dezembro. Andrada defenderá o arquivamento das acusações por organização criminosa e obstrução da Justiça. Foi o que ele fez em agosto, quando a Câmara rejeitou a primeira denúncia contra Temer. Ao dar o “sim” ao Planalto, o deputado disse votar “a favor das instituições e do progresso do Brasil” (...) No décimo mandato seguido na Câmara, Andrada já está acostumado a abraçar causas impopulares. Em 1984, ele faltou à votação da emenda das Diretas, ajudando a ditadura militar a derrubá-la. No ano seguinte votou em Paulo Maluf [contra Tancredo] no Colégio Eleitoral. Mais recentemente, discursou contra o afastamento de Renan Calheiros, a prisão do deputado Celso Jacob e o cumprimento de um mandado de buscas no Senado. (...) Antes da votação da primeira denúncia, perguntei (sic) a Andrada se havia chance de surpresas. Ele disse que Temer podia dormir tranquilo e defendeu os colegas que negociavam benesses (sic) com o governo. “Os deputados não são santos porque o povo também não é santo”, ironizou”. Com esse passado e com essa ironia, nada se pode esperar do parecer dele: É um Andrada para salvar Temer!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Não é a corrupção: escravidão define a sociedade brasileira

Do site Vermelho:


Reescrever a história dominante de que a corrupção é o que marca a sociedade brasileira é o tema do novo livro do sociólogo Jessé Souza. Para o autor do recém-lançado “A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato”, obra que faz o contraponto à ideia dominante sobre o país, é a escravidão o que de fato marca a sociedade brasileira. Em artigo publicado na última sexta-feira (22) na Folha de S.Paulo, o autor volta ao tema

O sociólogo classifica como “ridícula se não fosse trágica” a abordagem de Raymundo Faoro de que “a história do Brasil é a história da corrupção transplantada de Portugal e aqui exercida pela elite do Estado”. 

“Faoro imagina a semente da corrupção já no século 14, em Portugal, quando não havia nem sequer a concepção de soberania popular, que é parteira da noção moderna de bem público. É como ver um filme sobre a Roma antiga cheio de cenas românticas que foram inventadas no século 18. Não obstante, o país inteiro acredita nessa bobagem”.

Escravidão

Jessé argumenta que os que apoiam essa interpretação dominante “parecem não se dar conta de que, em uma sociedade, cada indivíduo é criado pela ação diária de instituições concretas, como a família, a escola, o mundo do trabalho”.

Segundo o autor, a escravidão era a instituição que influenciava todas as outras e se mantém até os dias de hoje: “A "ralé de novos escravos", mais de um terço da população, é explorada pela classe média e pela elite do mesmo modo que o escravo doméstico: pelo uso de sua energia muscular em funções indignas, cansativas e com remuneração abjeta”. 

Ele explicou que o que ele define de maneira “provocativa” como ralé é uma continuação direta dos escravos. “Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras”.

Na opinião de Jessé, a elite econômica “é uma continuidade perfeita da elite escravagista” e continua condenando “os de baixo” à reprodução de sua miséria enquanto amplia o próprio “capital social e cultural”. 

O escritor complementa que “o recente golpe comprova, ainda predomina o "quero o meu agora", mesmo que a custo do futuro de todos”. Ele diferencia as elites de outros países do Brasil: “Ficam com a melhor fatia do bolo do presente, mas além disso planejam o bolo do futuro. Por aqui, a elite dedica-se apenas ao saque da população via juros ou à pilhagem das riquezas naturais”.

Classe média: tropa de choque das elites

Se as classes dominantes no alvorecer do século 20 mantinham a “postura da violência e do engodo” em relação aos trabalhadores, um novo desafio se impôs com o surgimento da classe média, diz Jessé. “O que estava em jogo era a captura intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, para a formação da aliança de classe dominante que marcaria o Brasil dali em diante”.

O autor destaca ainda a construção de “fábricas de opiniões” para distribuir informação e opinião. Nesse terreno está a grande imprensa, as grandes editoras, livrarias “para "convencer" seu público na direção que os proprietários queriam, sob a máscara da "liberdade de imprensa" e de opinião”.

Jessé completa o raciocínio afirmando no artigo: “A produção de conteúdo é monopólio de especialistas treinados: os intelectuais. A elite paulistana, então, constrói a USP, destinando-a a ser uma espécie de gigantesco "think tank" do liberalismo conservador brasileiro, de onde saem as duas ideias centrais dessa vertente: as noções de patrimonialismo e de populismo”.

Lava-Jato

Estigmatizar o Estado e a política sempre que se oponham ao interesse das elites e mitigar a importância da soberania popular são aspectos citados por Jessé como entranhados na classe média pelo aparato midiático. “Nesse esquema, a classe média cooptada escandaliza-se apenas com a corrupção política dos partidos ligados às classes populares”, sustenta o autor.

Segundo ele, “as noções de patrimonialismo e de populismo, distribuídas em pílulas pelo veneno midiático diariamente, são as ideias-guia que permitem à elite arregimentar a classe média como sua tropa de choque”.

“A atual farsa da Lava Jato é apenas a máscara nova de um jogo velho que completa cem anos”, enfatizou Jessé. Na opinião dele, o princípio da igualdade foi vítima, com “protagonismo da Rede Globo”, desse conluio. “Desqualificada enquanto fim em si mesma, a demanda pela igualdade se torna suspeita e inadequada para expressar o legítimo ressentimento e a raiva que os excluídos sentem, mas que agora não podem mais expressar politicamente”.

O resultado desse cenário é a ascensão de discursos que vão na contra-mão da justiça social e de valores democráticos. “Jair Bolsonaro como ameaça real é filho do casamento entre a Lava Jato e a Rede Globo”.

Jessé finaliza o artigo afirmando que “O pacto antipopular das classes alta e média não significa apenas manter o abandono e a exclusão da maioria da população, eternizando a herança da escravidão. Significa também capturar o poder de reflexão autônoma da própria classe média (assim como da sociedade em geral), que é um recurso social escasso e literalmente impagável".


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Porque Temer não será cassado. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Temer está otimista: ele não será cassado. Nessa segunda denúncia de Janot, o governo espera uma vitória mais tranquila do que aquela que conseguiu derrotar anteriormente. Por que? É o que vamos ver a seguir.

Vera Magalhães, em artigo no Estadão, sob o título “Segunda denúncia reabre muro das lamentações”, afirma: “Com a esperada chegada da segunda denúncia contra Michel Temer à Câmara, a Casa vai se transformar de novo no terreno fértil para chantagens, lamentações, recados e barganhas (sic) de toda natureza. Mas nada disso leva a crer que o presidente terá mais dificuldades para conseguir que os deputados arquivem a acusação do que teve da primeira vez. (...) Isso porque existe na Casa uma espécie de espírito de corpo contra o Ministério Público Federal e o instituto da delação premiada de maneira geral, e da J&F em particular.” Com essa situação, a jornalista conclui: “E Temer deve ir ficando, mesmo com picos de impopularidade”. Segundo pesquisa mensal de credibilidade do Ipsos, publicada no Estadão de 24/9, Michel Temer é desaprovado por 94%. Apenas 2% aprovam seu governo. Fato nunca ocorrido antes por um presidente!

Para se manter no governo, Temer “COMPRA” parlamentares. É o que diz Josias de Souza, em seu Blog. No seu texto (“Temer libera R$ 1.02 bilhão para parlamentares”), o jornalista constata: “Mal a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República chegou à Câmara e Michel Temer já reabriu (sic) os cofres. Mandou ladrilhar, com o patrocínio do déficit público, a trilha que leva ao funeral das novas acusações. O custo inicial do enterro (sic) será de R$ 1,02 bilhão. O dinheiro será usado para pagar emendas que os parlamentares enfiaram dentro do Orçamento da União. (...) A infantaria legislativa do governo celebra a novidade como um sinal de boa vontade. Mas os aliados de Temer ACHARAM POUCO (destaque meu). Realçam que o enterro agora será coletivo: além das acusações contra o presidente, terão de sepultar imputações dirigidas a dois ministros palacianos: Eliseu Padilha e Moreira Franco. Pior: o Planalto exige que a lápide desça sobre a cova tripla numa única votação”. Ao finalizar seu artigo Josias de Souza, diz: “Para evitar surpresas, Temer talvez tenha que enfiar a mão um pouco mais fundo no bolso do contribuinte”. Será? A ver!

Juliana Sofia escreveu um artigo à FOLHA, cujo título diz tudo: “Suspeitos de sonegação (sic), bancos privados tiveram lucro BILIONÁRIO (destaque meu)”. A FOLHA também revela: “Governo Temer privilegia pautas de conservadores e empresariado”. São esses que apoiam com entusiasmo o governo Temer e são recompensados... Enquanto a população pobre é prejudicada! São esses ricos sonegadores (empresariado, ruralistas e banqueiros) que ajudam na compra dos parlamentares, além dos R$ 1,2 bilhão do governo...

É por esse e outros motivos que Temer não será cassado.

“FORA TEMER” NO ROCK IN RIO – O Caderno 2 do Estadão (18/9) publicou: “Público e artistas gritam juntos contra políticos – “Fora, Temer ecoa em diferentes shows na Cidade do Rock, assim como discursos em defesa da Amazônia”. O mais surpreendente é que o JORNAL NACIONAL, da TV Globo, filmou milhares de jovens gritando “Fora Temer”. Essas manifestações demonstram que os artistas e os jovens não estão alienados!

Os protestos contra o Decreto sobre a Amazônia surtiram efeito: Temer o revogou. Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA ("Uma encrenca amazônica"), comentou: "Depois de um mês de protesto, Michel Temer desistiu de extinguir a reserva nacional de cobre. O episódio ilustra o funcionamento da usina de crise do Planalto. O governo fabrica encrencas para si próprio, tenta ignorar as reações negativas e só joga a toalha quando o degaste já está consumado". Ele explica o que ocorreu: "Diante do bombardeio, o presidente ensaiou suspender o decreto. Não colou. Depois editou um novo texto. Voltou a apanhar. Agora corria o risco de ver o Senado derrubar a medida. Restou a saída de revogá-la, já com o leite derramado". Seria burrice persistir no erro. Ainda bem: a Amazônia foi salva!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 17 de setembro de 2017

Temer e o “quadrilhão” do PMDB. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A semana começou péssima para o presidente Michel Temer. Vários fatos ocorreram que lhe trouxeram muita preocupação. É o que vamos ver.


Primeiro fato: o “quadrilhão” do PMDB. Bernardo Mello Franco, em artigo na FOLHA, sob o sugestivo título “O roubo foi maior, presidente”, assim narrou o que aconteceu: “O inquérito do “quadrilhão do PMDB implode o discurso de que Michel Temer seria vítima de perseguição da Procuradoria. Agora é a Polícia Federal, e não mais o Ministério Público, quem sustenta que o presidente está no topo de uma organização criminosa. (...) A PF afirma que o “quadrilhão” reunia seis amigos de longa data. A Lava Jato já prendeu metade do time: Cunha, Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o homem de R$ 51 milhões. Os outros três estão no Palácio do Planalto: Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, todos protegidos pelo foro privilegiado. (...) Nesta terça [12/9], o presidente ensaiou fazer um pronunciamento para rebater as conclusões do relatório. Assessores conseguiram demovê-lo da ideia. Sem a opção de atacar Janot, ELE TERIA QUE CRIAR OUTRA TEORIA CONSPIRATÓRIA ENVOLVENDO A POLÍCIA FEDERAL, QUE É SUBORDINADA A SEU GOVERNO (destaque meu).” Em outro artigo, o jornalista comentou que “Michel Temer sofreu uma dura derrota no Supremo. Por unanimidade, a corte negou o pedido para afastar Rodrigo Janot das investigações [ contra ele]. O procurador venceu o presidente de goleada: 9 a 0”, acrescentando: “Para Temer , fica um lembrete: a vida pode ser mais difícil quando os julgadores NÃO TROCAM VOTOS POR CARGO E EMENDAS [como ocorreu na Câmara dos deputados]”. Sem comentário. Entre os nove ministros encontra-se Alexandre de Moraes, que foi nomeado ao Supremo por Temer!

Outro fato péssimo para o Presidente. O Estadão noticiou: “Temer é alvo de novo inquérito na Corte – Barroso autoriza investigação sobre edição de Decreto dos Portos; presidente nega irregularidade e diz que há tentativa de “causar instabilidade” – Este novo inquérito se refere ao Porto de Santos. Em manifestação enviada ao STF, a defesa de Temer afirmou que o presidente não cometeu qualquer irregularidade e que o Decreto dos Portos “não beneficiou, em qualquer escala, a empresa Rodrimar”, de seu amigo íntimo e ex-cabo eleitoral. Será? A ver.

Um fato menor, mas que mostra como se encontra a bancada governista. A FOLHA (13/9) noticiou: “O ministro Imbassahy (Secretário do Governo) passou por um constrangimento durante solenidade desta quarta-feira [13/9], na Câmara dos Deputados. O vice-presidente da Casa (sic), Fábio Ramalho (PMDB-MG), se recusou a cumprimentá-lo e o chamou de “bosta” e “merda” na frente de todas as outras autoridades. (...) Estavam presentes, entre outros, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na saída do evento, Imbassahy, que é deputado licenciado (PSDB da Bahia), não quis comentar o episódio”. José Roberto de Toledo, em artigo no Estadão (14/9), comentou: “É um bosta, é um merda”. Estádio de futebol? Longe disso. (...) Os impropérios foram dirigidos ontem [13/9] pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados justamente ao responsável por zelar pelas boas relações do governo Temer com... os deputados. O ministro [ Imbassahy, tucano ] fez que não ouviu e deixou o deputado xingando sozinho, o que só aumentou sua ira”. Enquanto isso ocorre na sua base política, o presidente realizou uma reunião, em café da manhã, no Palácio da Alvorada, com deputados da base aliada e ministros. Temer pediu apoio para atacar as denúncias. “Eu pediria que vocês incentivem os nossos deputados e senadores para fazer um esforço (sic) de rebate. Porque, muitas vezes, eu vejo que a pessoa ouve uma coisa negativa e se aquieta, fica em silencio. Não pode se aquietar”. Será que ele estava se referindo à denúncia sobre o “quadrilhão” do PMDB?



A semana terminou com a denúncia de Janot contra Temer. Segundo Bernardo Mello Franco, “a segunda denúncia contra Michel Temer é mais forte e mais abrangente do que a primeira, engavetada pela Câmara no mês passado. Desta vez, o presidente é acusado de chefiar um organização criminosa [“quadrilhão” do PMDB] que roubou o cofre público durante uma década”. O Estadão também noticia a mesma coisa: “Propina ao “quadrilhão” foi de R$ 587 milhões, diz PGR”. Na notícia, o jornal revela: “Segundo a PGR, Michel Temer e outros seis político do PMDB, “desde meados de 2006 até os dias atuais”, formaram um núcleo político de “organização criminosa” com o objetivo de arrecadar propina. Esta denúncia trata especificamente dos integrantes “Quadrilhão do PMDB”. O Estadão enumera esses integrantes, na primeira página: “Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima, preso; Henrique Eduardo Alves, preso; Eduardo Cunha, preso; Rodrigo Rocha Loures, preso; Joesley Batista, preso e Ricardo Saud, preso”. Rodrigo Janot afirma que Temer é o único do grupo do PMDB “que tinha alguma espécie de ascensão sobre todos”. Trocando em miúdo: era o chefe do “quadrilhão do PMDB”. Ainda se vai falar muito do “Quadrilhão”. Principalmente se Geddel fizer delação. É o que diz o Estadão: “aliados do presidente temem agora delação de Geddel”. A conferir! Sobre a denúncia de Janot, o governo diz que acusação é “recheada de absurdos”...


JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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