quarta-feira, 19 de julho de 2017

Como alguns brasileiros lidarão com a crise econômica



Matheus!
- Quié, Laura?
- Soube quem se matou?
- Quem?
- A Karem.
- Putz.
- Ela deixou um bilhete. Que tava cheia de dívidas. Que tomou calote da empresa. Que não arrumava emprego fazia dois anos, só fazia bico.
- Ela tinha a mesma profissão da nossa filha, né.
- Isso. Já sairam juntas pra procurar emprego, lembra? A Karem até pagou o lanche da Heloisa.
Matheus relfete um pouco sobre aquela tragédia. Uma vida humana. Por causa de problemas econômicos. Que chegou até a procurar emprego junto com Heloisa, sua filha.
- Laura!
- Sim, Matheus?
- É uma a menos pra disputar vaga de emprego com a Heloísa.


FIM

PS: Eu coloquei "alguns" no título, mas acho mesmo que será a maioria. Não tenho esperanças nem otimismos.

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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Preparem a vaselina: deflação é só a ponta da saroba que vem por aí


A crise só começou, viu? A deflação foi só o primeiro estágio da Grande Depressão (1929-1939). Deflação significa que está havendo uma queda nos preços ao consumidor. Não porque os capitalistas são bonzinhos, mas porque as pessoas não estão comprando os produtos disponíveis no mercado (por ora, fraldas descartáveis, pão, queijo e iogurte lideram a lista de produtos que os brasileiros estão deixando de comprar). Há menos dinheiro circulando na sociedade do que havia no ano passado. Nesse cenário - e sem investimentos públicos ou privados - a produção industrial vai cair. Sem produção e sem consumo, a indústria e o comércio vão demitir ainda mais. Sem salário, as pessoas não vão comprar e os preços vão continuar "congelados". Além disso, os salários, que eram ajustados pela inflação, deixarão de aumentar num cenário de inflação zero, o que vai manter o nível de consumo no patamar atual daqueles que ainda tiverem emprego, prejudicando ainda mais o comércio. A crise vai se retroalimentar até que os investimentos externos voltem e o governo intervenha incentivando o mercado interno, seja através de financiamentos, liberação de crédito ou criação de postos de emprego. Não é exatamente isso que Michel Temer pretende fazer. O "crédito" que ele libera é o FGTS, de impacto imediato e limitado na economia. O discurso de Temer é um de enxugar a máquina pública e os investimentos públicos, algo que vai agir no sentido de amplificar ainda mais a crise. Não se assustem se um dia o desemprego chegar a afetar 25% ou 30% da população (mesmo com as mudanças de metodologia do IBGE para acobertar quem estiver no poder). Ninguém mandou você acreditar no terrorismo neoliberal da Globo, segundo o qual toda e qualquer inflação era o fim do mundo. 


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domingo, 16 de julho de 2017

Ovo story





- Pois não?
- O senhor é o proprietário dessa avícola?
- Sim, doutor policial? O senhor quer alguma coisa? O ovo caipira tá com preço bom.
- É sobre ovos que eu quero falar.
- Sim?
- No domingo vai ter um casamento na Igreja da Matriz. 
- Certo. E daí?
- A filha do deputado Amílcar Caparroz é a noiva. O filho do empresário e senador Paulo Avellar Capibaribe é o noivo.
- Sei. O da reforma trabalhista. 
- Ele. 
- E eu com isso?
- O prefeito e o governador vão mandar uns soldados pra fazer a segurança na cerimônia e depois na festa.
- Tá. 
- E eles não querem surpresas. 
- Que surpresa?
- Tem uma parte do povo, a minoria, que anda meio revoltada aí, atacando casamentos.
- Ah, mas é a minoria. A maioria é pacata, trabalhadora e pacífica.
- Nós sabemos.
- Mas e daí?
- O senhor terá que fechar seu estabelecimento.
- Quando? No dia do casamento? Cai no domingo. Eu nem abro aos domingos.
- A semana inteira.
- Mas hoje é segunda.
- A partir de hoje. JÁ!
- Mas por quê?
- Os revoltados estão vandalizando. Tacando ovos nas pessoas. Coisa de comunista.
- Mas, como assim?
- Estamos convidando todos os cidadãos de bem da cidade, que revendem ovos, a contribuirem com a paz social, fechando suas portas até que os casamentos sejam celebrados. Na semana que vem, tem o casamento do filho do doutor Acepipe Alencar.
- Mas eu vou ficar no prejuízo.
- Olha, todos com quem falamos aceitaram numa boa. Só falta o senhor.
- E se eu só vendesse ovos a fregueses de confiança?
- Voce já viu como os jovens compram cigarros? Eles pedem pra algum de maior comprar pra eles. É uma forma de conseguir comprar. Com os ovos pode acontecer a mesma coisa.
- Mas...mas...eu preciso de ganhar dinheiro. Pagar as contas. Não posso controlar o uso dos ovos vendidos aqui. Puta que pariu!
- Eu estou conversando numa boa. Não queremos dar cartaz pra comunista. O senhor pode ganhar seu dinheiro depois. Mas tem que fechar essa semana.
- Mas...isso é absurdo!!! E se eu me recusar??? Puta que pariu!!!

O policial dá um chute certeiro nos ovos do granjeiro e diz, em tom ameaçador, que voltará no dia seguinte para verificar se as portas da avicola estão fechadas.

Puta que pariu de novo.

FIM

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A condenação de Lula. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Desconheço as cinco denúncias contra Lula. Uma coisa constatei: Essa do tríplex é fraca. O ex-presidente provou que o tríplex do Guarujá não era dele, mesmo assim foi condenado a 9 anos e 6 meses pelo juiz Sérgio Moro. Condenação que foi elogiada por uns e criticada por outros. É o que vamos ver.

Em primeiro lugar, a própria sentença do juiz Moro reconhece, como revela o Estadão, que não houve posse do tríplex por Lula. Ou seja: ele realmente não é o dono. Apesar disto, segundo a sentença, Lula é culpado! Moro diz que o condenou baseado em testemunhas que dizem que o triplex é dele e também nos documentos apreendidos. Prova da propriedade não existe...

Janio de Freitas, em artigo na Folha, sob o título “Missões cumpridas”, afirma: “É mais fácil encontrar fora dos autos e da sentença os motivos da condenação de Lula do que acha-los ali, convincentes e provados como pedem as condenações e a ideia de Justiça”. O senador Roberto Requião (PMDB-PR), declarou: “Lula condenado, Aécio liberado, trabalhador escravizado [reforma trabalhista] mercado triunfante, até que o Brasil se levante”. O ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo, em entrevista à BBC Brasil, disse: “(A sentença) É uma decisão política, é para retirar o Lula da vida pública, da disputa política. Eu previa que isso viria a acontecer, porque o Lula sempre foi o grande alvo dessa operação jurídica e midiática. Mas eles estão em uma encruzilhada porque, se deixarem o Lula apto a disputar a eleição, ele é um candidato muito forte, e, se interditarem Lula para a vida pública, eles criam um cabo eleitoral muito forte. (...) Todo mundo sabe que Lula não é o dono do apartamento. Está sendo condenado por uma coisa que não é dele. Isso de certa forma define a sentença como uma sentença de caráter político”.

O Estadão, jornal radicalmente anti -Lula, elogia a sentença. No Editorial de 16 de julho, sob o título “Um documento histórico”, escreveu: “A sentença assinada pelo juiz Sérgio Fernando Moro, da 13ª (sic) Vara Federal de Curitiba, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de uma pena acessória de sete anos de inabilitação para o exercício de cargos públicos, constitui um importante documento do processo de consolidação da democracia no País.” Já Ciro Gomes, duas vezes presidenciável e atual pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, declarou, em nota à imprensa: “A condenação acontece ante uma grande revolta dos simpatizantes de Lula, UMA EXTRANHÍSSIMA E PATOLÓGICA EUFORIA DOS QUE O ODEIAM (destaque) e ante uma grande perplexidade da maioria do povo que não consegue entender UMA SENTENÇA SEM UMA PROVA CABAL (destaque meu)”. A capa da CartaCapital desta semana traz essa manchete: “A CASA-GRANDE FAZ A FESTA – Em poucas horas, o Senado enterra a CLT e a Inquisição curitibana condena Lula sem provas”.

REFORMA TRABALHISTA – José Simão, na FOLHA, afirmou: “Senadoras da oposição ocupam a mesa e Eunício apaga a luz! Começa a suruba do Jucá! A reforma Trabalhista devia se chamar Reforma Baleia Azul: você trabalha 12 horas e depois MORRE! Ou Reforma Trapalhista, porque quanto mais eu leio, mais eu me atrapalho! (...) E o PSDB? Após quatro horas de reunião: TUCANOS DECIDEM NÃO DECIDIR! Rarará!”

TUCANOS SE BICAM: Deu na COLUNA DO ESTADÃO (15/7); “ÂNIMOS EXALTADOS – Tasso Jereissati precisou ser segurado durante a reunião do PSDB. Partiu para cima de José Anibal, acusando-o de fazer críticas a ele por apoiar Rodrigo Maia”. Jereissati acha que o governo Temer vai cair, sendo substituído por Maia. Ele prometeu apoio ao Presidente da Câmara, caso isso ocorra. Já José Anibal é defensor do presidente Temer. Maia e Temer dividem os tucanos...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

LEITURA COMPLEMENTAR:


- A sentença de Moro: Um pacote de inconsistências ( Artigo extremamente técnico, indicado principalmente para quem tem os necessários conhecimentos do mundo juridico, mas serve para demonstrar que não são apenas "mortadelas ignorantes" ou "petralhas" que enxergam a falta de consistência ou mesmo de provas na condenação cometida por Sérgio Moro contra Lula )


- Só provas podem sustentar ou não condenação de Lula em 2ª instância, dizem ex-ministros ( Entre os consultados, um ex-secretário-adjunto de Segurança do Estado de São Paulo, também contestando a versão de que a propriedade do triplex como sendo de Lula tenha sido comprovada )




- BREVE ANÁLISE DA SENTENÇA QUE CONDENOU O EX-PRESIDENTE LULA E OUTROS ( Autor da análise chama a atenção do leitor inclusive para a linguagem empregada por Moro em certas partes da cantilena o que, segundo ele, demonstra a fragilidade da acusação: "A fragilidade da acusação é tamanha que a sentença, fugindo do verbo ( conduta ) previsto no tipo do artigo 317 do Código Penal, se utiliza das mais variadas expressões..." )

COMENTÁRIOS SELECIONADOS NO FACEBOOK:

“Amigos, não se preocupem. Até Moro sabe que a sentença não se sustenta.
Ele tinha que agradar seu público. Foi para inglês ver. Em Porto Alegre Moro tem que perder. 
Senão quem perde é o tribunal de apelação que não pode confessar tanta ignorância jurídica. Moro está sendo irresponsável." ( Alcides Heerdt – Promotor aposentado, advogado. )

"Isto ninguém pode negar... Lula, no primeiro ano de governo pagou a dívida externa, colocando o FMI fora dos palpites internacionais, criou o combate à fome, deu prioridade à saúde e à educação, quando da grande crise mundial, foi chamado a Washington, ocasião em que Obama pediu-lhe conselhos de economia, pois o Brasil não seria engolido pela crise o que ocorreu algumas vezes nos governos anteriores, Obama, sabendo da capacidade de Lula, apresentou-o ao Ministro da Inglaterra, dizendo este é o homem que lhe falei e os três conversaram sobre economia... Lula foi ouvido no Clube dos Vinte, tomando parte ativa ma reunião, dizendo para todos que o tsumani econômico que atingia o mundo, no Brasil, não passaria de uma marolinha... E acrise não chegou ao Brasil, nem como uma marolinha... Mas, enquanto ele fazia, estavam lhe solapando, pelas costas, o bandidos conheciam bem os tais "financiamentos de campanha", começaram com o mensalão que não houve, e foram solapando, procurando ridicularizar não só o governo como a pessoa humana... Estão o investigando desde que, ainda como metalúrgico, sindicalizou-se e fundou um partido... enfrentou tudo, inclusive o governo militar... Foi preso várias vezes... saiu do governo, sem comprar apartamento em Paris e fazendas no noroeste mineiro... voltou para o apartamento em que morava antes de ser eleito... Cidadão do mundo, deu palestras alhures, fora do Brasil, propagando-o... pára nosso crescimento... Deixou a aliança comercial de uma só via, para expandir negócios em todo o mundo, para o bem do Brasil. Ganhou dinheiro com suas palestras, como ganham Carter, Clinton e Obama, garotos propaganda das industrias americanas em todo o mundo... ninguém fala nada... no Brasil, ridicularizaram suas viagens e palestras, e, aio fim, condenam-o à prisão por ser proprietário (e não o é) de um apartamento que está hipotecado, pela construtora, à Caixa Econômica Federal... Não gosto dele, não gosto do PT, muito menos da Dilma, mas não posso deixar de reconhecer o que fizeram e, muito menos, deixar de comentar o pisoteamento das leis brasileiras, para desmontarem o pais, em benefício próprio para voltar à ligação comercial unilateral, matando a grande liderança que já havia alcançado através do BRICS (Brasil, Russia, Índia, China e S (Africa do Sul)." ( Celso Jonusan - Advogado )

"A deficiência probatória na sentença condenatória do juiz Moro ao ex-presidente Luís Ignácio Lula da Silva solta aos olhos. Ainda bem que Moro é juiz de 1ª instância, sendo assim a sentença pode ser corrigida no Tribunal de Porto Alegre. Caso contrário de nada valerá meu diploma de bacharel em Ciências Jurídicas e tudo o que aprendi à respeito do assunto na biblioteca e nas históricas salas da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. A lei e seu processo legal devem prevalecer sobre uma consciência que leva a uma decisão absolutamente polítizada." ( Jorge Yared )

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Maia (Botafogo) presidente? - Por Jasson de Oliveira Andrade


A revista CartaCapital de 5 de julho publicou, na capa, a foto de Rodrigo Maia com essa legenda: “Presidente Botafogo? – Temer nas mãos do Balcão de Negócio da Câmara comandada pelo investigado Rodrigo Maia, candidato a seis meses no Poder”. Na reportagem, de autoria de André Barrocal, sob o título “Nas Mãos de Maia”, o jornalista informa: “O homem que comanda a Casa e conduzirá a votação [para cassação de Temer], Rodrigo Maia, do DEM, é interessado direto no desfecho da crise. Se os deputados derem sinal verde para o STF processar Temer e este for convertido em réu, Maia, o “Botafogo” da lista de alcunha da Odebrecht, será presidente da República por até seis meses”. A revista foi a primeira a tocar no assunto. Posteriormente a imprensa confirmou a notícia.

Maia nega que esteja tramando a saída de Temer. No entanto, sua conduta o condena. Antes, o presidente da Câmara se encontrava sempre com ele, inclusive de bermuda em sua residência. Hoje Maia não se encontra mais com Temer. Parece que foge dele. Vera Magalhães, em texto ao Estadão, abordou esse afastamento: “Até há algum tempo aliado incondicional do presidente, ao lado de quem aparecia de bermudas em reuniões de fim de semana, Maia parece colocar ovos na duas cestas: a da permanência de Temer e a de sua degola”.

Uma ala do PSDB, a maior, já apoia a troca de governo, principalmente o seu presidente interino, Tasso Jereissati. O senador tucano diz que o governo Temer acabou e que o partido dará apoio à Maia. Outro tucano, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), vai mais longe. Segundo o Painel da Folha, ele afirmou ainda: “O governo caiu”, acrescentando: “Dentro de 15 dias o país terá um novo presidente”. Exagero?

Manchete da Folha: “Em reuniões, Maia avalia ser inevitável a queda de Temer”. E logicamente ele será o novo presidente! No Painel (11/7): “Ponte para o futuro – Aliados de Michel Temer e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entraram em campo para tentar amenizar o clima de tensão que agora permeia as relações do Planalto com o democrata. Temer ouviu de um de seus ministros que não seria bom, neste momento, alimentar um “ambiente de desconfiança”. Heráclito Fortes (PSB-PI), próximo a Temer e a Maia, diz que “não há nada pior do que dois amigos que brigam”. “Vou continuar trabalhando para que não haja divisão”.

O governo obteve uma vitória no dia 13 de julho quando a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou o parecer do deputado Sérgio Zveiter favorável ao afastamento de Temer: 40 a 25. Os deputados paulistas votaram assim: Contra o parecer: Milton Monti (PR-SP), Nelson Marquezelli (PTB-SP), Beto Mansur (PRB-SP), Paulo Maluf (PP-SP), Antonio Bulhões (PRB-SP) e Fausto Pinato (PP-SP). A favor do parecer: José Mentor (PT-SP), Paulo Teixeira (PT-SP), Valmir Prascidelli (PT-SP), Renata Abreu (PODE-SP) e Sílvio Torres (PSDB-SP).

Bernardo Mello Franco comentou essa vitória do presidente, em artigo na Folha, sob o título “Michel Temer e os 40 deputados”. Ele afirmou que “o Planalto abriu o cofre (sic), acionou o rolo compressor e conseguiu salvar Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça. (…) A operação produziu cenas de fisiologismo explícito. Desde a semana passada, Temer transformou o Planalto numa grande banca de feira (sic). Além de distribuir verbas e cargos, o Planalto apelou à troca de deputados da comissão. Dos 40 que livraram o presidente, 12 assumiram a vaga nos últimos dias. Parte dos barrados (sic) ficou sabendo da manobra pela imprensa”. Uma vergonha!

Temer crê que sairá vitorioso. Tem chances, mas ainda é duvidoso. Vamos ver se ele também vai vencer no plenário e assim ficar até janeiro de 2019. Neste caso, acaba o sonho do Maia “Botafogo” de ser presidente. A conferir!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

[ Parte 11 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja



A fragilidade do livro do jornalista Silvio Navarro sobre o assassinato do prefeito Celso Daniel é alarmante. Tanto que não resiste a nova reflexão. As páginas de “Celso Daniel – Politica, corrupção e morte no coração do PT” estão mais para ficção do que para um relato pretensamente esclarecedor. A participação do criminalista Roberto Podval é prova do quanto Silvio Navarro negligenciou o que chamaria do outro lado da moeda. Por isso o livro trafega entre a seletividade de apuração e algo que beiraria a desonestidade intelectual. 

Afinal, ao seguir um roteiro previamente definido de transformar um assassinato urbano em enredo politico-administrativo, o jornalista que comanda o site do UOL dedicou míseros parágrafos e um dos maiores profissionais do ramo no País: Roberto Podval aparece lateralmente em três incompletas páginas. Ao longo dos anos, em contraposição, produzi 13 matérias nas quais Podval se tornou protagonista direto ou suplementar dos textos.

Vejam o que consegui, com muito esforço, retirar do livro de Silvio Navarro sobre a atuação de Roberto Podval no caso Celso Daniel, às páginas 182 e 183: 

O silêncio e a fidelidade de Sérgio Gomes da Silva ao grupo que sangrou o caixa da Prefeitura de Santo André lhe asseguraram proteção. Defendido por um dos maiores advogados do Brasil, o criminalista Roberto Podval, que chegou até ele pelas mãos do PT, Sombra segue sem ter jamais enfrentado um júri popular pelo crime de homicídio. Ficou sete meses, entre 2003 e 2004, dividindo cela com onze acusados de baixa periculosidade, mas foi solto, durante as férias do Judiciário, pelo ministro da Suprema Corte Nelson Jobim, em decisão monocrática, depois de sua defesa ter sofrido derrotas em todas as demais instâncias. Não foi a única vitória de Podval. Sérgio Sombra teria sido levado a júri popular no primeiro semestre de 2013, uma década depois de denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, em 5 de dezembro de 2003. Em dezembro de 2012, porém, o advogado conseguiu paralisar a tramitação do processo no Supremo Tribunal Federal. O maior trunfo, entretanto, ainda viria, obtido em 2014. Argumentando que, durante a fase de instrução, primeira etapa do processo, a Justiça de Itapecerica da Serra não lhe franqueara o direito de questionar todas as testemunhas, pediu que o processo retornasse à estaca zero. A Turma do Supremo se dividiu a respeito: os ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber votaram a favor. Como, em caso de empate, prevalece um dos pilares do Direito Penal, in dubio pro reo (em caso de dúvida, o réu é favorecido), o pedido do advogado foi aceito. 

Resgate da relevância 

Entre as várias matérias que produzi sobre a participação do criminalista Roberto Podval no caso Celso Daniel, destaco a entrevista publicada nesta revista digital em 18 de julho de 2012. Leiam alguns dos principais trechos: 

 (...) Para Roberto Podval, Sérgio Gomes da Silva está sendo vítima de perversão de meios instaurados por uma ação penal "edificada sobre os alicerces corroídos de uma investigação criminal levada a cabo por autoridade constitucionalmente incompetente, mas, principalmente, realizada às escuras, em total afronta aos princípios mais comezinhos do Direito Penal e Processual Penal". (...) A defesa de Sérgio Gomes da Silva, que conta também com a assinatura de outros expoentes da banca paulistana, casos de Antonio Cláudio Marins de Oliveira, Odel Antun, Adriano Salles Vanni e Carmen da Costa Barros, reitera que a questão da legitimidade ou ilegitimidade constitucional dos poderes investigatórios do Ministério Público deve sim ser perquirida, visto que o aditamento da denúncia, que incluiu Sérgio Gomes no chamado polo passivo de demanda penal, é exclusivamente pautado em investigação criminal realizada no gabinete ministerial do Gaerco (Grupo de Repressão ao Crime Organizado) de Santo André.

Mais declarações de Roberto Podval 

 Mas esse não é o único ponto que os defensores de Sérgio Gomes da Silva pretendem ver discutido no julgamento do habeas corpus impetrado em 2004 e que mantém o acusado pelo Ministério Público em liberdade. Mesmo considerando a possibilidade de atribuição de poderes investigatórios criminais ao Ministério Público, Roberto Podval afirma que é certo que a "investigação ministerial" não pode ser realizada em desrespeito às disposições estabelecidas na legislação, tanto no Código de Processo Penal como nos Atos Normativos da própria instituição Ministerial, no caso, segundo afirma, especificamente, o Ato Normativo 168/98 da Procuradoria Geral de Justiça e da Corregedoria Geral do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Mais declarações de Roberto Podval 

Quais foram os pecados capitais da investigação do Ministério Público que possibilitam à defesa de Sérgio Gomes da Silva elementos substantivos à manutenção do habeas corpus? Roberto Podval responde: “Foram vários. O primeiro é que, ao contrário do que o ministro Cézar Peluzo afirmou, a denúncia que incluiu Sérgio Gomes no chamado polo passivo de ação penal que apura as circunstâncias do arrebatamento e morte do prefeito Celso Daniel advém sim de investigação ministerial conduzida à margem de todas as garantias legais exigidas. Essa é a única conclusão a que se pode chegar seja por uma abordagem histórica, seja documental, isto é, com base probatória da acusação. Sob o prisma histórico, a investigação iniciou-se no dia dos fatos, quando Sérgio Gomes da Silva, acompanhado dos policiais militares que prestaram socorro no trágico evento, registrou a ocorrência de sequestro na delegacia mais próxima aos fatos, o 26º Distrito Policial da Capital. Com a localização do corpo da vítima em Juquitiba, na Grande São Paulo, foi lavrado outro boletim de ocorrência na Delegacia daquela cidade. Foi por determinação do Delegado Geral de Polícia, considerando a repercussão e a complexidade do caso, que as investigações foram centralizadas na delegacia especializada, o DHPP. Na verdade, diante da complexidade dos fatos, para dar seguimento às investigações, houve uma espécie de conjunção de esforços entre a Polícia Federal, que apurava suposta motivação política do crime, e os órgãos mais especializados da Polícia Civil do Estado de São Paulo, o DEIC e o DHPP. Nenhuma hipótese foi descartada. Nenhuma precipitada foi tomada. Bem por isso, o próprio Sérgio Gomes, que estava com a vítima quando do arrebatamento, teve sua conduta apurada já no desenrolar da investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo” – afirmou.

Mais declarações de Roberto Podval 

 “A investigação levada a cabo pela Polícia Civil Paulista e pela Polícia Federal foi ampla e não descartou, sem antes apurar, qualquer linha investigativa. Nesse sentido, aliás, o delegado do DHPP, Armando de Oliveira, questionado sobre o possível envolvimento de Sérgio Gomes no sequestro e morte do prefeito, esclareceu com as seguintes palavras: ‘Antes de alcançar o fio da investigação, devastamos a vida, quer do prefeito, quer das pessoas que o orbitavam, e nada restou comprovado nesse sentido’. Por isso, chegou à conclusão segura de que não houve motivação política e que o prefeito Celso Daniel foi vítima da violência que aterroriza  a população de nossos grandes centros urbanos. Bem por isso, o inquérito da Polícia Federal foi arquivado e o inquérito da Polícia Civil, que contava com 10 volumes, sem considerar apensos e anexos, resultou em denúncia criminal, pelo delito de extorsão mediante sequestro com resultado morte, ofertada em face de seis integrantes da quadrilha da Favela Pantanal, em Diadema, responsável pela autoria dos fatos. 

Mais declarações de Roberto Podval 

 “De todo o apurado pela Polícia Civil e Polícia Federal, Sérgio Gomes não foi denunciado, uma vez que das investigações não constataram qualquer indício da suposta participação nos fatos. (...) A acusação foi fruto de investigação ministerial que se iniciou posteriormente às investigações policiais. Isto porque, em que pese as investigações da força-tarefa policial, os membros do Ministério Público lotados no Gaerco de Santo André instauraram investigação ministerial com o mesmo fim da investigação policial. (...) Ora, a portaria é clara e indica que os promotores do Gaerco de Santo André instauraram uma investigação autônoma para apurar, em suas palavras, ‘definitivamente, os fatos que vitimaram Celso Daniel, pois não acreditavam que o inquérito policial tivesse chegado a uma conclusão que fosse a verdade real’. Por isso os promotores do Gaerco de Santo André iniciaram uma investigação completamente nova, desgarrada da investigação policial, inclusive repetindo oitivas de pessoas que já haviam sido ouvidas pela Polícia Civil”. 

Mais declarações de Roberto Podval 

 “As diligências ministeriais, conduzidas em gabinete e ao arrepio de todo regramento legal, chegaram à particular e distorcida verdade real. Para eles, promotores do Gaerco, Sérgio Gomes ‘fazia parte de um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André que recebia propina de empresas de transporte e o prefeito Celso Daniel teria tomado providências para acabar com a fraude ao descobri-la’. Por isso, para a permanência desse esquema de corrupção, Sérgio Gomes teria friamente arquitetado a morte de seu amigo Celso Daniel, contratando os membros da quadrilha e encenado o sequestro. Essa conclusão sobre o envolvimento de Sérgio Gomes nos fatos é particular dos promotores de Santo André e é obtida somente com a realização das investigações ministeriais conduzidas em gabinete. Em nenhum momento do inquérito policial essa conclusão é atingida, como se viu. Para tanto, basta refletir que, em termos históricos, temporária, não haveria denúncia envolvendo Sérgio Gomes, ou aditamento àquela denúncia, se não fosse a realização da investigação ministerial. Para tanto basta ver que, excluída a atuação do Gaerco de Santo André, o que se terá em termos reais será um procedimento de extorsão mediante sequestro com resultado morte no qual não há formulação de denúncia contra Sérgio Gomes”. 

Mais declarações de Roberto Podval 

 (...) “O que se verifica é a estreita e umbilical relação probatória entre a imputação a Sérgio Gomes e a investigação ministerial questionada. Tanto que em inusitada e não prevista em lei manifestação-parecer ofertada nos autos do habeas corpus, o Ministério Público do Estado de São Paulo enumera pontualmente os elementos que, em sua ótica, sustentariam a denúncia contra Sérgio Gomes. A análise de cada um desses elementos, entretanto, demonstra que todos são oriundos da investigação ministerial. (...) Assim, caso fosse utilizada a base probatória da investigação policial, por certo, não haveria a necessidade de novas oitivas na investigação ministerial. Ou seja, muito embora algumas pessoas ouvidas na investigação policial tenham sido também ouvidas na investigação ministerial, os depoimentos que embasaram a denúncia contra Sérgio Gomes são todos aqueles produzidos na investigação ministerial, até porque, na ótica do Ministério Público denunciante, somente esse material que produziram, ou seja, a investigação de gabinete, reproduz o que definiram como verdade real. O que se quer dizer é que muito embora os promotores do Gaerco tenham tomado o depoimento de pouquíssimas pessoas, caso consideremos o número de oitivas realizadas, que também foram ouvidas na investigação policial, a investigação ministerial tratou-se de nova e autônoma diligência investigativa”.  

Mais declarações de Roberto Podval 

 (...) “Esse documento ilegalmente atravessado na impetração significa que o Ministério Público do Estado de São Paulo pretende encobrir sua verdadeira atuação no caso, autônoma e distinta, dando ares de que a investigação ministerial teria sido complementar à atuação policial. Tanto que consta daquele documento o seguinte parágrafo: ‘Desta forma, a atuação da Promotoria de Justiça incidiu de modo complementar à atividade investigatória policial, situação em que não se questiona a admissibilidade da intervenção ministerial’. Na verdade, essa conclusão de ‘complementaridade’ da investigação ministerial no que toca à participação de Sérgio Gomes da Silva não condiz com o que se viu da própria portaria de instauração da investigação ministerial que, textualmente, afirmou promover investigação em caráter definitivo para elucidar os fatos, seus verdadeiros autores, e assim promover uma acusação formal em juízo baseada na ‘verdade real’. Como se disse, a investigação ministerial, declaradamente, pretendeu ser exclusiva, definitiva e autônoma, o que não condiz com a oportuna e nada despretensiosa alegação de complementaridade”. 

Mais declarações de Roberto Podval 

 (...) “Muito embora o Ministério Público pretenda na ‘manifestação-parecer’ separar a denúncia de Sérgio Gomes de sua investigação de gabinete, na vã tentativa de salvar-se das evidentes ilegalidades e abusos cometidos, o fato é que a relação de causa e efeito entre a investigação ministerial e a acusação a Sérgio Gomes é notória em termos históricos e documentais. Além disso, há farto material jornalístico que comprova a autônoma do Ministério Público. Tanto que em entrevista concedida ao site UOL, em março deste ano, o então promotor do caso, doutor Wider Filho, reconheceu que da investigação policial não se extraiu elementos que sustentassem a denúncia contra Sérgio Gomes, resultando a apuração da participação dele da investigação ministerial. Ele disse textualmente o seguinte: ‘O que nós apuramos foi a participação do Sérgio Gomes da Silva (o Sombra, amigo de Celso Daniel), que já era apontado em Santo André como o encarregado por um esquema de corrupção e concussão na Prefeitura. Identificamos um elo entre esse esquema e a morte do Celso Daniel. O Sérgio foi um dos mandantes da morte em decorrência de um desarranjo no esquema de corrupção. A morte do ex-prefeito foi a mando, não foi um homicídio aleatório como diz a Polícia Civil. Para a polícia, o sequestro foi aleatório: escolheram qualquer um na rua e por azar pegaram o prefeito. Isso ficou completamente descaracterizado na investigação e na Ação Penal que se seguiu. Verificamos que o Sérgio participou e que o crime foi premeditado’ – disse o promotor. “Disse mais o representante do Gaerco de Santo André ao site UOL: ‘A apuração policial foi muito útil porque identificou a quadrilha responsável pela morte, que é a da favela Pantanal. São os que vão ser julgados agora. Mas a investigação se encerrou prematuramente. Eles não avançaram na investigação até para verificar se a versão dos integrantes da quadrilha era correta – e não era’”. 

Mais declarações de Roberto Podval 

 “A investigação de gabinete foi o que fundamentou a acusação contra Sérgio Gomes. Deste fato não há dúvida. Assim como também não há dúvida de que esse procedimento ministerial é eivado de ilegalidades. A investigação específica realizada no caso pelos promotores de Santo André contradisse todo o regramento que é traçado pelo Supremo Tribunal Federal para a matéria. Como já se afirmou inúmeras vezes nos julgamentos daquela Corte Suprema, ainda que se admita a investigação ministerial, esta deve estar pautada nos parâmetros de legalidade já estabelecidos pelo Código de Processo  Penal e atos normativos, o que, no caso, não ocorreu. Os promotores de Justiça contrariaram os artigos 105 e 108 do Ato Normativo 168/98 da Procuradoria Geral de Justiça e da Corregedoria Geral do Ministério Público ao promoverem as diligências que embasaram  a denúncia muito antes de instaurarem qualquer procedimento formal dentro do próprio âmbito de sua Promotoria Criminal. A portaria ministerial que registrou a instauração da investigação ministerial é datada de 7 de março de 2003. No entanto, as diligências realizadas sobre esses fatos, juntadas ao próprio procedimento administrativo citado, tiveram início em 2 de setembro de 2002. Portanto, oito meses antes da instauração formal do procedimento”.  

Mais declarações de Roberto Podval 

 “Também contrariando frontalmente o disposto no artigo 10, parágrafo primeiro do Código de Processo Penal, que prevê a necessidade de aforamento das investigações criminais, não há no Procedimento Administrativo Criminal uma única certidão relatando o envio dos autos ao juízo competente para apreciação dos fatos, enquanto perduravam as investigações. Somente quando encerradas as investigações, em 5 de dezembro de 2003, portanto, decorrido um ano e quatro meses desde a primeira diligência, o procedimento ministerial foi levado ao conhecimento do Poder Judiciário. Mais ainda: não há como se afirmar ter sido a defesa tratada com respeito, porque apenas tomou conhecimento da investigação pela Imprensa, e, ao comparecer ao gabinete ministerial, pela primeira vez, os promotores de Justiça negaram a instauração de qualquer procedimento para se apurar os fatos. A investigação ministerial não respeitou os prazos processuais e o dever de motivação de suas prorrogações, previstos no artigo 113 do Ato Normativo 168/98 da Procuradoria Geral da República e do Conselho Geral do Ministério Público”. 

Declarações finais de Roberto Podval 

 “Para completar, não foi respeitado no procedimento criminal presidido pela acusação qualquer dos direitos e garantias individuais do acusado, previstos nos artigos 185 e seguintes do Código de Processo Penal, uma vez que todas as pessoas já denunciadas pelos fatos envolvendo a morte do prefeito Celso Daniel foram reinquiridas por diversas vezes pelos promotores-inquisidores sobre esses mesmos fatos, sempre sem a presença de seus advogados e sem a advertência de seus direitos constitucionais. O que se vê, portanto, é que a condução do procedimento administrativo que culminou na denúncia de Sérgio Gomes da Silva representou uma verdadeira perversão do sistema investigativo e acusatório adotado pela legislação processual pátria, exigindo, portanto, a intervenção da Corte Suprema para determinar o trancamento da ação penal ou, ao menos, para declarar a nulidade de todos esses atos ministeriais, a fim de que sejam desentranhados do feito”.  


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segunda-feira, 10 de julho de 2017

A volta (fracassada) de Aécio. Por Jasson de Oliveira Andrade


Por 11 votos a 4, o Conselho de Ética do Senado arquivou o pedido de cassação de Aécio. Para o senador Lasier Martins (PSD-RS), que votou pela cassação, o resultado é negativo para Aécio. “Não tivemos agora julgando a cassação, mas a admissibilidade ou não da representação. Sempre defendi que o processo seria saudável para Aécio provar (sic) que é inocente. Da maneira que ficou, PERDURA A DÚVIDA (destaque meu)“.

Após ficar livre da cassação, Aécio discursou no Senado. Kennedy Alencar, em texto em seu BLOG, sob o título “Discurso irrelevante (sic) mostra que Aécio colheu o que plantou”, comenta: “O discurso de retorno de Aécio Neves ao Senado mostrou a imensa perda de força política do político mineiro. Basta comparar o discurso atual com falas anteriores, especialmente quando usou a tribuna após perder a eleição presidencial de 2014 e durante a sessão no ano passado [2016] que votou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. (...) O senador saiu de uma posição de ataque, prestígio e conforto para uma atitude de defesa, irrelevância e constrangimento. Aécio costumava criticar petistas quando eles diziam que haviam cometido erros e não crime. No discurso, usou a mesma fórmula. (...) Negou ter cometido crime, APESAR DE AS PROVAS CONTRA ELE SEREM MAIS CONTUNDENTES (destaque meu) do que em relação ao presidente Michel Temer se forem levada em conta a gravações que o empresário Joesley Batista fez contra os dois. (...) Aécio indicou claramente um primo [Fred] para receber recursos de Joesley. Por que um EMPRÉSTIMO (destaque meu) de tal magnitude precisaria ser feito com entrega de MALAS EM DINHEIRO (destaque meu) e não uma transferência bancária? Aécio não pediu uma nota de R$ 100, mas R$ 2 milhões. (...) Faltaram respostas convincentes. Aécio repetiu o que vinha dizendo, em sintonia com a defesa do presidente Michel Temer, ao falar que foi vítima de um criminoso. O tucano não tem mais um futuro promissor. De certa forma, colheu o que plantou ao não aceitar o resultado eleitoral de 2014. SEM CLIMA – Aécio foi aconselhado a não reassumir a presidência do PSDB, sob pena de provocar um racha no partido e abrir uma discussão para afastá-lo definitivamente do posto. (...) É um caminho sem volta. Dificilmente ele conseguirá retornar ao comando do partido. Não tem mais força política para isso. Ele tem defendido a permanência do PSDB no governo, mas sofreu contestações de outros tucanos. O PSDB continua fortemente dividido em relação a Temer”.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “O retorno de Aécio”, asseverou: “Um clima de constrangimento marcou o retorno de Aécio Neves ao Senado. Depois de 46 dias afastado, o tucano voltou à tribuna para se defender. O discurso atraiu muitos jornalistas, mas não despertou o mesmo interesse nos senadores. Quando ele começou a falar, apenas dez colegas estavam no plenário. (...) O senador adotou o roteiro de todos os políticos sob suspeita de corrupção. Exaltou a própria trajetória, citou a família, manifestou “indignação contra a injustiça” e disse que não perdeu “a serenidade e o equilíbrio”. (...) Depois de atacar o delator, Aécio fez um anúncio: “Quero dizer que errei. E assumo aqui esse erro”. Parecia a deixa para algo importante, mas ele não demorou a desfazer a impressão. Na versão do tucano, seus erros foram cair numa “trama ardilosa” e dizer palavrões ao telefone. (...) O eleitor que esperava uma autocrítica terá que continuar esperando”.

Janio de Freitas, em artigo, afirmou: “(Aécio) Disse coisa a seu gosto e proveito. Por exemplo: ”Os R$ 2 milhões [recebido de Joesley] foram empréstimo”. Ou “Fui vítima de uma armadilha engendrada por um criminoso de mais de 200 crimes”. Logo, Aécio tinha com o “criminoso confesso” UMA RELAÇÃO ÍNTIMA (destaque meu), a ponto de a ele recorrer para um empréstimo alto. Aliás, recebido, embora não (sic) como empréstimo, MAS COMO DOAÇÃO PEDIDA (destaque meu)”.

A volta de Aécio ao Senado, como vimos, foi um FRACASSO. As suas explicações foram mais uma confissão do que uma defesa. Além do mais, ele tem NOVE denúncias. O seu futuro é muito duvidoso. Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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sábado, 8 de julho de 2017

[ Parte 10 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja



O pressuposto de um trabalho jornalístico que vira livro (não seria necessária essa mudança, embora a torne mais sensível) é o compromisso com a verdade dos fatos. Entretanto, o jornalista Silvio Navarro, autor de “Celso Daniel – política, corrupção e morte no coração do PT” não se preocupou com isso. Deu peso desmedidamente maior a versões fantasiosas e minimizou o outro lado das investigações e conclusões policiais do caso Celso Daniel, consideradas inadequadas ante a premissa de crime político.

A calça que Celso Daniel usava naquela noite de sexta-feira 18 de janeiro de 2002 e com a qual seu corpo foi encontrado na manhã de domingo 20 de janeiro numa estrada vicinal na Grande São Paulo gerou especulações de toda ordem. Leiam os trechos narrados por Silvio Navarro:


Além do embaraço para tentar explicar os problemas com o carro e como ocorrera o cerco dos sequestradores, Sérgio Gomes escorregou em um detalhe crucial quando interrogado pelo DHPP: informou que, na noite do jantar no Rubaiyat, o prefeito usava uma calça de cor bege. Começava ali um embaraço difícil de explicar, já que Celso Daniel, quando achado morto, vestia calça jeans da marca Levi´s. Ivone Santana, a namorada do prefeito, reconheceu que a roupa, de fato, pertencia a ele. Estaria Sombra enganado quanto à cor da calça do homem com quem estivera por mais de quatro horas? Ou seria mesmo bege a peça? Nesse caso, teria alguém entregue aos sequestradores um jeans da própria vítima, comprado numa viagem a Nova Orleans, nos Estados Unidos, em junho de 2001? Outra hipótese é de que alguém tivesse mentido e confundido tudo.

Mais narrativa de Silvio Navarro 


Não foi só a cor da calça a desafiar o faro dos investigadores. Outra peça de roupa também provocaria enorme desconfiança: a cueca. Segundo o laudo do Instituto Médico-Legal, a roupa íntima do cadáver de número 320 “não apresentava sinais de uso, ou seja, examinada a olho nu e contra a luz indicou a ausência de secreções, comum no uso por horas”. Os peritos descrevem que o “tempo de agonia foi de minutos” até ele morrer. Duas linhas de apuração, portanto, seriam abertas: ou os sequestradores obrigaram o prefeito a permanecer no cativeiro, ou as vestes foram substituídas por outras, retiradas do próprio guarda-roupa da vítima.

Mais narrativa de Silvio Navarro

Um documento reservado da polícia, assinado pelo delegado Fernando Schimdt de Paula, afirma taxativamente que as equipes que examinaram as fitas do circuito interno do restaurante concluíram que o prefeito usava calça bege e camisa azul de mangas curtas na noite do sequestro. Mais tarde, contudo, os investigadores que assumiram o caso afirmariam que se tratava de uma distorção das câmeras, que não captavam bem imagens coloridas. A hipótese da troca de roupas no cativeiro não prosperou no inquérito policial. A possibilidade de que as roupas tivessem sido trocadas ganharia força quando os repórteres Camila Tavares Francisco e Cleber Juliano Ferrette, da Rádio ABC, de plantão na portaria do prédio de Celso Daniel, relataram ter visto o secretário municipal Klinger Luiz de Oliveira Souza e uma mulher entrarem no edifício depois do sequestro.

Mais narrativa de Silvio Navarro

Oficialmente, Ivone Santana, a namorada do prefeito, assumiu ter ido ao local. Segundo ela, para checar a fita da secretária eletrônica em busca de mensagens de Celso Daniel. Mas a repórter, inclusive em depoimento à polícia, sustentou que conhecia Ivone de diversas coberturas jornalísticas na cidade de Santo André e que, seguramente, não fora ela a acompanhante de Klinger. Uma pergunta ficaria no ar: por que Klinger teria uma chave e o acesso livre à residência do prefeito se todos os porteiros informaram que ele não recebia visitas com regularidade? Ouvida pela polícia, Ivone afirmou que somente ela e a faxineira, Rita Lima dos Santos Starcharvshi, mineira de Turmalina, tinha cópias das chaves. O depoimento da empregada, que frequentava o imóvel havia dois anos, sempre nas manhãs de quarta-feira, também chocoalharia o caso. Segundo ela, certa vez se deparara com maços de dinheiro acomodados em sacolas plásticas na lavanderia, cobertas por um lençol. Ivone revoltou-se com a informação e disse que a faxineira era uma mera diarista e que não deveria ser levada a sério.

O complemento da narrativa

Em novembro de 2005, convocado pelos senadores da CPI dos Bingos a prestar depoimento, Sombra disse que havia errado ao dizer que Celso Daniel usava calça bege e reconheceu também que o único retrato falado que fizera dos bandidos, na noite do sequestro, estava malfeito. “Não presto atenção na roupa. Eu não sei por que na hora do depoimento eu pensei... Talvez ele tivesse, em outra oportunidade, ido com a calça. Normalmente, ele usava jeans. Talvez isso na hora... Não sei por quê. Os congressistas o criticaram e ele encerrou: “Se a minha história parece estranha, confusa e faltando coisas, é a verdade que eu tenho”.

Valorizando demais

A diferença entre o que o jornalista Silvio Navarro escreveu no ano passado em forma de livro e o que este jornalista redigiu bem antes, em textos publicados na revista LivreMercado (disponíveis no site de CapitalSocial) é que, entre outros pontos, jamais a tese de calça trocada ganhou ênfase. Simplesmente porque atuamos sempre com fontes de informações consideradas insuspeitas, no caso a força-tarefa da Polícia Civil de São Paulo. Nunca é demais lembrar que essa força-tarefa pertence ao governo de Estado comandado desde meados dos anos 1990 pelos tucanos, adversários históricos dos petistas. Leiam o que escrevi naquela reportagem sob o título “Entenda como se construiu a história de crime político”, publicada na edição de janeiro de 2006”:

E a calça que o prefeito Celso Daniel usava na noite do sequestro? Não faltaram polêmicas. Sérgio Gomes, no primeiro depoimento à Polícia, que, segundo o delegado Armando de Oliveira, foi extremamente valorizado para não deixar transparecer medo do homem especializado em artes marciais e segurança nos tempos de campanhas eleitorais do PT, disse que Celso Daniel vestia calça de brim bege. Mas, na manhã do dia 20 de janeiro, na estrada vicinal de Juquitiba, Celso Daniel vestia jeans azul. A mesma calça que Ivone Santana afirmou, em depoimento, que Celso Daniel usava quando o viu pela última vez, na noite de sexta-feira, 18 de janeiro. Ivone dispensou o convite de Celso Daniel para jantar em São Paulo em companhia de Sérgio Gomes porque tinha outro compromisso. O que afirma o delegado Armando de Oliveira?

Mais informações deste jornalista

“A questão da roupa nos deu muito trabalho porque ficou aquela coisa no ar: trocou ou não trocou de calça? Afinal, se trocou, teríamos que trabalhar com a hipótese séria de crime encomendado, ou teríamos uma fonte de investigação que seriam lojas próximas ao local em que o corpo foi encontrado, as quais pudessem vender aquele tipo de produto. Como se sabe, o Celso Daniel não tinha o tipo físico padrão do brasileiro, porque era muito alto. Com o auxílio da direção do Restaurante Rubaiyat, no fim do horário de atendimento dos clientes, de madrugada, os especialistas do Instituto de Criminalística se dirigiram para lá e levaram a calça que foi colocada na mesma cadeira, na mesma posição, com a mesma iluminação, daquela noite do jantar. Repetimos, portanto, a situação anterior. Esse teste foi feito duas semanas depois do assassinato. Filmou-se a cena com a mesma câmara utilizada lá atrás pelo mesmo Rubaiyat. Pegamos essa filmagem e comparamos com a filmagem da noite do jantar num equipamento cedido pela USP (Universidade de São Paulo), porque o Instituto de Criminalística não contava com aquele material de última geração. O resultado final confirmou que era a mesma roupa” — garante o delegado.

Completando as explicações

O titular do DHPP completa: “Infelizmente, hoje ainda abro os jornais e vejo questionamento sobre isso. Meu Deus do céu: será que as pessoas leram e não entenderam? Ou não leram? Se não leram, a ignorância, em termos de desconhecimento, é flagrante. Se leram e dizem isso, certamente a intenção é dúbia. Acho que a opinião pública tem de ser abastecida com informações revestidas de veracidade. Ilações, conjecturas e teses não levam a nada” — afirma o delegado, num claro recado aos promotores públicos de Santo André.

Depois de conhecer pessoalmente Sérgio Gomes da Silva pouco tempo após ter sido libertado, não tenho dúvidas de que o depoimento à polícia foi mesmo um equívoco quando se referiu à cor da calça que Celso Daniel usava. Sérgio Gomes jamais se importou com detalhes próprios, quanto mais com vestimenta de terceiros.

Despojado, Sérgio Gomes repetiria no dia seguinte a um jantar o que grande parte da população diria sob pressão de protagonizar uma ação criminal mesmo que muito aquém do traumático arrebatamento do primeiro-amigo Celso Daniel. Simplesmente não conseguiria se lembrar da cor da calça e provavelmente da camisa que vestira.

Vou mais longe: mesmo distante de qualquer impacto emocional, ou seja, em circunstâncias normais, Sérgio Gomes teria muitas dificuldades – com a maioria da população masculina, para ser mais específico – de identificar sem risco de erro as características da vestimenta utilizada.

Muito mais importante que tudo isso, entretanto, foi a firmeza com que o delegado titular do DHPP se referiu ao caso numa entrevista pessoal com este jornalista. As minúcias da operação que procurou retirar todas as incertezas sobre o que Celso Daniel vestia naquela noite não deixavam dúvida. A calça jeans azul arrebatada juntamente como seu dono nos Três Postos durante uma ação de guerrilha dos sequestradores era a mesma calça jeans azul daquela estrada de terra batida em Juquitiba.

O resto foi uma baita confusão – com direito a distorções e manejos idiossincráticos – que favoreceu ainda mais a retirada do caso Celso Daniel da bitola de crime comum e o desviou a um enigma fabricado para torpedear o Partido dos Trabalhadores num período eleitoral que valia a presidência da República, alcançada na terceira tentativa de Lula da Silva.

Sobre a cueca utilizada por Celso Daniel, além do que já consta de um dos capítulos, reservamos espaço muito maior a esclarecimentos que jamais interessaram aos cultivadores da versão de crime de encomenda.


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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Denúncia de corrupção contra Temer: Várias opiniões. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A denúncia do Procurador Rodrigo Janot contra Temer, a primeira a um presidente da República no cargo, obteve enorme repercussão e também preocupação ao governo, tanto assim que ele desistiu de ir à reunião do G20, na Alemanha: preferiu ficar no País para se defender!

Jornalistas comentaram a denúncia. Josias de Souza, em seu Blog, comentou: “No seu primeiro pronunciamento como presidente denunciado por corrupção (sic), Michel Temer perdeu o último trunfo que lhe restava: a serenidade. Fora de si, deixou antever o que tem por dentro: raiva excessiva e razão escassa. Movido pelo excesso, atirou em Rodrigo Janot e acertou o próprio pé. Premido pela escassez, exagerou na meia verdade, privilegiando exatamente a metade que é mentirosa. (...) Temer estava irreconhecível. Perdeu a fita métrica que costumava trazer no lugar da língua. Expressando-se de forma desmedida (sic), chamou a denúncia de “ficção”, uma “trama de novela”. Disse que Janot fez um “trabalho trôpego”. Temer deixou de mencionar que é ele quem forneceu a matéria-prima que torna realidade inacreditável e transforma o noticiário num novelão policial (sic)”. Adiante Josias afirma: “O brasileiro perde muito ao não acreditar na fábula (sic) que o presidente construiu para lhe servir de refúgio. A plateia tem sempre a sensação de estar envolvida na narrativa presidencial é mais rica e divertida do que este materialismo chato em que a corrupção é sempre, inapelavelmente, corrupção. (...) A teoria conspiratória de Temer é sempre mais criativa, cheia de intriga e perfídia. Tem todos os ingredientes de uma boa ficção. O único inconveniente é o convívio com o presidente que fala como se presidisse uma nação de bobos (sic)”.

Bernardo Mello Franco, em artigo publicado na FOLHA, sob o título “A ficção de Temer”, comenta: “Michel Temer recorreu a um truque antigo para reagir à denúncia por suposta prática de corrupção. Em vez de se defender, o presidente atacou o acusador. Ele subiu o tom contra o procurador-geral da República e classificou a peça entregue ao Supremo como “uma ficção”. (...) O presidente apresentou duas versões distintas para a encrenca em que se meteu. Primeiro insinuou, sem apresentar provas, que o procurador Rodrigo Janot teria recebido propina para denunciá-lo. Depois disse que o dono da JBS o acusou no “desespero de se safar da cadeia”. (...) Temer cometeu erros surpreendentes para quem se gaba de conhecer as leis. Chamou o áudio de Joesley Batista de “prova ilícita”, apesar de o STF já ter autorizado o uso de conversas gravadas por um dos participantes. E acusou um ex-assessor de Janot de violar a quarentena, regra que inexiste para procuradores. (...) O presidente pareceu indeciso [para mim, Jasson, contraditório] sobre o que pensa do empresário que o acusou. Ao justificar o encontro noturno [depois das 23 horas!] no Jaburu, exaltou Joesley como o “maior produtor de proteína animal do país” [senão do mundo, do mundo!]. Ao rebater a delação, voltou a chamá-lo de “bandido”. (...) Numa tentativa de demonstrar que terá apoio para barrar a denúncia na Câmara, o presidente se cercou de deputados ao discursar. Pode ter sido uma ideia razoável, mas ele cochilou na seleção do elenco. (...) Do seu lado direito estava André Moura, réu (sic) em três processos penais e investigado por suspeita de homicídio. Do esquerdo, Raquel Muniz, mulher de um ex-prefeito preso sob acusação de corrupção. Logo atrás dela despontava Júlio Lopes, delatado na Lava Jato e citado nas investigações do esquema de Sérgio Moro”. Esses parlamentares que vão INOCENTAR Temer na Câmara dos Deputados!

Marina Silva (Rede), ex-candidata à Presidência da República, em declaração ao Blog UOL, ironizou a argumentação do presidente de que a denúncia é uma ficção. “Como se seu assessor [Loures] com a mala de propina não fosse suficiente para atestar o contrário”, afirmou. Ela disse ainda que a saída de Temer do cargo é “indispensável”. Em sua defesa na TV Estatal, Temer não citou Loures. A jornalista Eliane Cantanhêde, no Estadão, aborda esse “esquecimento”: “DÚVIDA ATROZ – Por que Temer não diz que a mala de R$ 500 mil era de Rocha Loures e ele não tinha nada a ver com ele e com ela? Teme ser desmentido, ou que o ex-assessor conte segredos inconfessáveis?” Realmente uma “DÚVIDA ATROZ”!

O Estadão noticiou que “Procuradores atacam discurso de Temer”. O procurado Carlos Fernando dos Santos Lima, em seu perfil no Facebook, disse que Temer foi “leviano inconsequente e calunioso ao insinuar recebimento de valores por parte do PGR no pronunciamento para se defender da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Já vi muitas vezes a tática de “acusar o acusador”. Entretanto, nunca vi falta de coragem tamanha, usando de subterfúgios para dizer que não queria dizer o que quis dizer efetivamente. Isso é covardia e só mostra que não tem qualificação para continuar no cargo”. Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava Jato, citou que o presidente não falou sobre o recebimento do dinheiro em uma mala por parte do seu ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. (...) Além disso, o procurador afirmou que a denúncia apresentada por Rodrigo Janot é “suficiente” para acusar Temer e que o País precisa de um presidente com condições de governar”.

Agora é aguardar o pronunciamento da Câmara dos Deputados. Segundo Temer, ele tem o número necessário de deputados para arquivar a denúncia. Será? Parece que sim! A ver...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Temer tem razão: Brasil não está em crise econômica. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade




Temer diz que o Brasil não está em crise. Ele tem razão? Segundo Mônica Bergamo, sim. A jornalista publicou em sua Coluna (Folha, 24/6): “COZINHA DO PALÁCIO” – O governo irá às compras para abastecer o gabinete de Michel Temer de alimentos e de flores (sic). Duas licitações abertas há alguns dias preveem, juntas, gastos de quase R$ 480 mil. MESA COMPLETA – No pregão de registro de preços de comida, a Presidência estima gastar R$ 137 mil em itens como café, chá, leite, achocolatado, geleias, biscoitos doces e salgados, refrigerantes e sucos integrais. O edital lista, por exemplo, o fornecimento de 5 kg de figo seco (R$ 329 no total), 5.000 barrinhas de cereal (R$3.500 no total) e 39 mil garrafas de 1,5 l de água (R$ 50.310 no total). PERFUME – Já as “flores nobres, tropicais e de campo” serão usadas em eventos com a presença do presidente, de ministros e de autoridades estrangeiras, além de arranjos no gabinete pessoal, nas residências oficiais e nas representações regionais. Serão 1.173 arranjos, de flores como orquídeas, rosas e lírios. EM VIDA – O valor total da contratação, de R$ 341 mil, inclui também serviços de manutenção das plantas. A presidência vai orçar ainda 32 coroas fúnebres, para o caso de “falecimentos de autoridades”. Pelo que se viu nessas revelações de Mônica Bergamo, a COZINHA DO PALÁCIO não está em crise econômica! E o Brasil? Aí é outra história...

Na semana que passou, dois acontecimentos se destacaram: A viagem de Temer ao Exterior (Rússia e Noruega) e o arquivamento da representação que pede a cassação do mandato de Aécio Neves.

Segundo Josias de Souza, a “Viagem de Temer foi um vexame constrangedor”: “Você, que não tem tempo para desperdiçar com bobagens, não deve ter notado. Mas Michel Temer viajou ao exterior. Ele foi à Rússia e à Noruega. Para não passar aperto, se esse assunto aparecer numa rodinha de conversa tudo o que você precisa saber são duas coisas: 1) a viagem foi um vexame; 2) a vergonha foi financiada pelo contribuinte brasileiros – dinheiro meu, seu, nosso. (...) Recepcionado ao pé da escada do avião por personagens subalternos, Temer foi desprezado pela imprensa internacional e PERSEGUIDO POR MANIFESTANTES BARULHENTOS (destaque meu). As poucas parcerias que firmou são meros tratados de intenções. Na Rússia, Temer virou piada ao assinar declaração conjunta que inclui um compromisso de combater a corrupção. (...) Antes de voltar, Temer ouviu verdades da primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg. Madame disse estar preocupada com a Lava Jato. “É preciso fazer uma limpeza”, ela acrescentou. Foi como se dissesse: “Não pense que somos bobos”. Sem obter investimentos novos, Temer ainda perdeu dinheiro. A Noruega cortou metade da contribuição anual de R$ 330 milhões que dava para combater o desmatamento na Amazônia. (...) Instado a dizer quando o desmatamento será contido, o ministro Sarney Filho, do Meio Ambiente, chutou para cima: “Só Deus pode dizer”. Deus existe, você sabe. Mas está claro que Ele desistiu do Brasil e foi cuidar de outras coisas”. Fabiano Maisonnave, enviado especial da FOLHA a Oslo, revelou: “Já no final, com semblante cansado, TEMER COMETEU UMA GAFE (destaque meu) ao dizer que iria visitar o rei da Suécia e o Congresso brasileiro após o encontro com a premiê”. Temer queria dizer rei da Noruega e Congresso norueguês! Cometeu duas gafes... Janio de Freitas, na FOLHA, ironizou: “Quem garante que Michel Temer, na Noruega, só fez um lapso (sic) ao citar encontro com o rei da Suécia? Por que não pensaria estar mesmo na Suécia?”

Sobre o Aécio, Josias de Souza, no texto, “Aécio recebe beijo da morte de aliado de Sarney”, comentou: “Velho e fiel aliado de José Sarney, o maranhense João Alberto, presidente do Conselho de Ética (?!?!) do Senado , arquivou a representação que pede a cassação do mandato de Aécio Neves. O gesto vale como uma espécie de beijo da morte. Com ele, Aécio vira sócio-atleta de um clube no qual Sarney é presidente honorário e Renan Calheiros é diretor vitalício. (...) João Alberto alegou falta de provas. A gravação na qual Aécio aparece combinando o recebimento de R$ 2 milhões do delator Joesley Batista não sensibilizou (sic) o senador. O vídeo que registra o enviado de Aécio [seu primo Fred] recolhendo a grana tampouco impressionou João Alberto. Ao contrário. Para o executor das ordens de Sarney, Aécio é vítima de “uma grande injustiça” . (...) Autor do pedido de cassação, o PSOL recorrerá ao plenário do Conselho de Ética (?!?!). Perda de tempo. Apinhado de investigados, o colegiado não foi estruturado para cassar, mas para proteger os sócios. A principal evidência de que Aécio entrou para o clube não está no fato de o tucano ter ficado parecido com Sarney e Renan. A prova cabal é que Aécio ficou completamente diferente do que ele imaginava ser. (...) Hoje, o ex-presidenciável tucano responde a um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Por ora, só o PSDB parece não enxergar que a plumagem do tucano Aécio está diferente”. Aécio: De elogiado a bandido, como escrevi!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

A divisão no PSDB. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Romper ou não romper com o governo Temer. Esse é o dilema do PSDB. Uma ala, a mais velha, apoia. Já os mais novos, são favoráveis ao rompimento. 

Esse dilema causou a desfiliação do partido do jurista Miguel Reale Júnior. Em entrevista ao jornalista Venceslau Borlina Filho, da FOLHA, ele desabafou: “O jurista Miguel Reale Jr., ex- ministro da Justiça no governo FHC, pediu desfiliação do PSDB, após a decisão do partido nesta segunda (12/6) de permanecer no governo Michel Temer, mesmo diante da crise eclodida com a delação da JBS. (...) Miguel Reale Junior foi um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Estava filiado ao partido desde 1990, após participar ativamente da campanha de Ulysses Guimarães à Presidência, em 1989. “Eles [lideranças do PSDB] não avaliaram que simpatizantes e filiados do partido se opõem a essa decisão [de ficar no governo]. O PSDB não atendeu as suas bases. O eleitorado do PSDB tem a ética e a luta contra a corrupção (sic) como focos”, disse ele. (...) Reale Junior suscitou nomes como Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso na luta pela ética, mas disse que o partido agora ignora OS FATOS GRAVES (destaque meu) revelados pela delação dos empresários Wesley e Joesley Batista no Palácio do Jaburu, sede da Vice-Presidência. Nela, o peemedebista é suspeito de dar anuência a atos de corrupção no governo. (...) “Com essa medida, o PSDB perde consistência, ética e eleitorado. Perde o discurso”, afirmou o jurista. “O PSDB é um muro (sic) que vai acabar se tornando seu túmulo”, completou ele, que já foi candidato a deputado federal e atuou como professor. (...) Segundo o jurista, a permanência do PSDB no governo Temer nada mais é do que um acordo que visa evitar mais desgastes ao senador e presidente AFASTADO (destaque meu) do partido Aécio Neves (MG), ameaçado de ser preso e de ter o mandato cassado no Senado. (...) “Essa história de que “está se olhando para o Brasil, para a necessidade das reformas, É SÓ UMA DESCULPA (destaque meu)”. Já FHC, primeiro apoiou a decisão do partido em apoio a Temer, agora pede a saída do PSDB do governo. Ele declarou “Preferia atravessar a pinguela [como ele designa o governo Temer], mas, se ela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado”. 

Janio de Freitas, em artigo à FOLHA, fala sobre “a “decepção” de que se queixam ex-admiradores de Aécio Neves”. A situação dele está tão ruim, que alguns aecistas, constrangidos, reconhecem: AÉCIO É BANDIDO, embora, agora que ele está sujo, por motivo óbvio, NÃO SEJA DE ESTIMAÇÃO. O vereador de Mogi Guaçu. Fábio Luduvirge Fileti, O Fabinho (PSDB), ao justificar a sua anuência à Moção do vereador Guilherme da Farmácia de Repúdio ao senador Aécio Neves, afirmou: “Eu não compactuo COM MAU CARÁTER, COM PESSOAS QUE PERDERAM TOTALMENTE A CREDIIBILIDADE. AÉCIO NEVES ENVERGONHA O PSDB (destaque meu)”. Apesar dessa situação, Aécio recebeu aplausos em reunião dos tucanos, como revelou a COLUNA DO ESTADÃO (13/6). Sem comentário!

O senador Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB, substituindo Aécio, concedeu uma entrevista à Folha. Ao ser perguntado “o sr. continua defendendo que o PSDB saia (sic) do governo?”, respondeu: “Sim, mas isso não é pedir “Fora, Temer”, não é pedir impeachment. Eu acho difícil que o presidente saia” Ao responder outra pergunta, esta agora sobre o tucano mineiro (Muitos tucanos dizem que Aécio foi vítima de uma armadilha. O sr. concorda?), Jereissati afirmou: “Uma pegadinha, com certeza. Agora, isso não o inocenta totalmente (sic), porque foi montada uma armadilha e ELE CAIU (destaque meu)”. O senador encerrou assim sua entrevista: “Ficar no governo em si é detalhe (?). O importante é que precisamos fazer uma autocrítica profunda, reconhecer que a população não aguenta mais o que está aqui”. Se ele reconhece isso, por que o partido que preside não rompe com o governo Temer? Não é uma incoerência?

O jornalista Josias de Souza, no seu Blog, escreveu: “Vaivém de FHC [cada hora diz uma coisa] mostra que o tucanato está zonzo”.

Capa da revista ÉPOCA, da Globo, desta semana: Entrevista exclusiva com Joesley Batista: “TEMER É O CHEFE DA QUADRILHA MAIS PERIGOSA DO BRASIL”. Esta entrevista ainda vai dar o que falar! A ver...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 13 de junho de 2017

Brasil Motivacional 2018



Planeta: Terra

País: Brasil

Cidade: São Paulo

Ano: 2018

Um país em crise. Pessoas vendendo o almoço pra comprar um cafezinho. Empresas demitindo ou fechando as portas. Boatos de canibalismo nas grandes cidades.
Nesse cenário, é fácil imaginar que todos estejam perdendo. Nada mais longe da realidade. Embora às vezes possa ser possível uma espécie de situação "ganha-ganha" ou se imagine que nessa crise o jogo esteja "perde-perde", o fato é que o jogo é do tipo "ganha-perde". Pouquíssimos ganhando e a esmagadora maioria perdendo.

Mas vamos deixar o sentido figurado um pouco de lado.

O Gestor entra no escritório. Tem algo importante a comunicar aos Colaboradores.

- Peço a atenção de todos!
- Diga, por favor!, responde Ataliba, famoso puxa-saco da firma. Ou melhor. Da Companhia.
- Como vocês sabem, houve uma reunião entre a Diretoria e os Acionistas, e foi decidido que haverá outro programa motivacional.
- Ih, outro!, resmunga Natal.
- Puxa, que legal!, diz Cauã, um dos Estagiários.
- Estamos em tempos de crise. Esta filial não atingiu os resultados estabelecidos para este ano fiscal. Aparentemente nossos Colaboradores não agiram proativamente com determinação e foco em resultados.
- Eu li no jornal de Economia que isso foi devido a investimentos errados no mercado financeiro, principalmente grandes perdas com o hedge.
- Deixe suas opiniões para a reunião semestral, Abílio!
- Como vai ser esse programa motivacional?
- Ótima pergunta, Ataliba.
Ataliba estufa o peito, todo orgulhoso.
- Vocês sabem que o alcance da Companhia se dá em vários setores da economia nacional.
- Sabemos.
- Uma das ramificações, digo, que representa a diversificação em nossa cesta de investimentos é o setor da segurança pública.
- Você quer dizer: cadeias privadas.
- Exato. Temos um programa pioneiro de reabilitação e sociabilização dos presos.
- E daí?
- Nós selecionamos um dos internos da Casa de Ressociabilização Cidadã de São Judas do Vale. O senhor Edson Catamatta.
- Catamatta... Catamatta... Esse nome não me é estranho!, diz Valdeir.
- LEMBREI!!! - responde Odair - É o "Tacanha"! Aquele psicopata que mato...
- O SENHOR EDSON - interrompe o Gestor - está participando do programa de reabilitação e ressociabilização, patrocinado pela Companhia, e foi selecionado para participar de nosso programa motivacional, num papel muito importante. Seus talentos serão muito úteis.
- Como assim?, pergunta um.
- Vocês nos fazem trabalhar 12 horas por dia e acham que essa charlatinice motivacional vai resolver alguma coisa?, reclama outro.
- Pois bem. A participação no programa motivacional renderá pontos dentro da Companhia. Quem quiser progredir aqui dentro deverá pensar seriamente em participar. 
- Continue.
- Esta filial deficitária foi aquela que desequilibrou os resultados globais da Companhia, prejudicando o faturamento projetado.
- Coisa de 50 mil reais apenas.
- ISTO, SENHOR ANÌBAL, é uma Companhia que visa o lucro, não uma casa de caridade. Perder dinheiro é heresia.
- Sim, senhor.
- Afinal, interrompe Ataliba, sempre que a Companhia defende os interesses da Companhia e dos Acionistas, ela está automaticamente defendendo também os interesses dos Colaboradores. Defender a Companhia é defender os Colaboradores. Quando a Companhia cresce, todos nós crescemos.
- Muito bem, Ataliba. Assim, esta filial foi escolhida para servir de exemplo às demais. É aqui que entra o programa motivacional.
- Vai ter coaching e coisa e tal?
- O senhor Tacanha, ou melhor, o senhor Edson será nosso coaching convidado.
- O QUÊ??
- O que sabe ele?
- Do que consiste esse programa, afinal?

Uma semana depois, todos os Colaboradores compareceram bem cedo ao Escritório, pois teria início o programa motivacional.

O Tacanha...ops, o senhor Edson Catamatta botaria em prática seus conhecimentos aprendidos no período de encarceramento.

Cada funcionário foi avaliado.

E cada um teria suas faltas e deficiências profissionais destacados pelo RH.

E essas faltas e deficiências seriam tatuadas na testa de cada Colaborador, pelo senhor Edson. Que aprendeu a tatuar na cadeia, usando pregos, tinta de caneta e giz de cera.

Assim, Aníbal, da Expedição, que tinha o costume de sempre entrar atrasado, receberia em sua testa a inscrição "Atrasildo e Vassilão".

O problema é que Tacanha, ou melhor, o senhor Edson, era semi-analfabeto.

A tatuagem do Ataliba ficou "Sou Pucha Çaco e Vassilão".

Cada sessão de tatuagem com cada Colaborador foi filmada e as filmagens todas foram editadas e compiladas em um DVD, que seria enviado a cada filial, e o filme projetado em uma exibição coletiva em cada uma das filiais.

Para coagir, ou melhor dizendo, motivacionar cada Colaborador a dar o melhor se si para a Companhia.

Os Colaboradores tiveram que assinar um contrato cedendo os direitos de imagem à Companhia, que poderia comercializar estas imagens da maneira que melhor lhe interessasse.

Pois cinquenta mil reais não é dinheiro de se jogar fora.

Ainda mais nessa crise braba.

FIM


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